Notas

Liturgia, Missas, Você Sabia?

Por que as leituras da Missa são proclamadas do ambão?

Ao entrar em uma igreja, nossos olhos costumam se voltar para o altar. Mas existe outro lugar que também possui grande importância na celebração: o ambão. É dele que são proclamadas as leituras bíblicas, o salmo responsorial e, normalmente, também é nele que se faz a homilia e a oração dos fiéis. Mas por que a Igreja reserva um lugar específico para isso? A mesa da Palavra Assim como o altar é a mesa da Eucaristia, o ambão é a mesa da Palavra de Deus. A Igreja sempre ensinou que Cristo está presente de diversos modos na liturgia. Ele está reunido na assembleia, presente no ministro ordenado, de modo pleno na Eucaristia e também fala quando as Sagradas Escrituras são proclamadas. Por isso, o ambão não é apenas um móvel funcional. É o lugar de onde Deus dirige sua Palavra ao seu povo. Muito mais que um púlpito A palavra ambão vem do grego e significa um lugar elevado. Desde os primeiros séculos do Cristianismo, as igrejas reservavam um espaço próprio para a proclamação da Palavra, destacando sua importância na vida da comunidade. Por isso, o ambão possui uma dignidade própria. Ele não deve ser confundido com uma tribuna para avisos, discursos ou apresentações. Sua finalidade principal é servir à Palavra de Deus. Por que as leituras são feitas dali? Quando o leitor sobe ao ambão, ele não está apenas lendo um texto para a assembleia. Ele participa de um ministério importante: empresta sua voz para que a Palavra de Deus seja proclamada à comunidade reunida. Por isso, a liturgia pede que as leituras sejam feitas com calma, clareza e espírito de oração. Mais do que uma boa dicção, espera-se que o leitor proclame a Palavra com fé. A unidade entre Palavra e Eucaristia Um detalhe bonito da liturgia é que altar e ambão ocupam lugares de destaque no presbitério. Isso nos recorda que a Missa é alimentada por duas grandes mesas. Na primeira, Cristo nos alimenta com sua Palavra. Na segunda, alimenta-nos com seu Corpo e seu Sangue. Esses dois momentos não competem entre si. Eles se completam. Primeiro ouvimos o Senhor. Depois nos aproximamos dele na Eucaristia. A Palavra merece ser escutada Vivemos em um tempo de muitas opiniões e informações. Na Missa, porém, existe um momento em que toda a comunidade silencia para ouvir uma única voz: a voz de Deus. Por isso, quando as leituras são proclamadas, somos convidados a escutar com atenção, evitando distrações e conversas. Não estamos ouvindo apenas uma leitura bonita ou um ensinamento antigo. Estamos acolhendo uma Palavra viva, capaz de iluminar nossa vida ainda hoje. Um convite para a próxima Missa Na próxima celebração, observe o ambão com um novo olhar. Perceba que dali ecoam as palavras dos profetas, dos apóstolos e, sobretudo, o Evangelho de Jesus Cristo. Talvez você descubra que aquele lugar, aparentemente simples, é um dos mais importantes da igreja. Porque do ambão não se anunciam opiniões pessoais. Dali ressoa a Palavra de Deus, que atravessa os séculos, fortalece a fé da Igreja e continua chamando cada homem e cada mulher a seguir os passos de Cristo. Assim como o altar nos oferece o Pão da Vida, o ambão nos oferece a Palavra que ilumina o caminho. E quem se alimenta dessas duas mesas encontra força para viver o Evangelho todos os dias.

Liturgia, Missas, Você Sabia?

Por que respondemos “Amém” antes de receber a Sagrada Comunhão?

Amém! É uma palavra curtinha, com apenas quatro letras. No entanto, ela expressa uma das mais profundas profissões de fé de toda a Santa Missa.

Quando o ministro apresenta a hóstia consagrada e diz: “O Corpo de Cristo”, a resposta do fiel é simples: “Amém.”

Mas esse “Amém” está longe de ser uma resposta automática. Ele é uma declaração de fé.

Liturgia, Missas, Você Sabia?

Por que o sacerdote lava as mãos durante a Missa?

Durante a preparação das oferendas, depois de apresentar o pão e o vinho, o sacerdote dirige-se discretamente a um dos lados do altar. Um ministro derrama um pouco de água sobre suas mãos e, em silêncio, ele as lava.

Na liturgia, o lavabo — nome dado a esse rito — é um sinal de purificação interior e de preparação espiritual para o momento mais sagrado da celebração.

Eventos, Notícias

Feijoada da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes será no dia 23 de agosto

A Paróquia Nossa Senhora de Lourdes convida toda a comunidade para participar de mais uma deliciosa Feijoada, que será realizada no próximo dia 23 de agosto (domingo), em parceria com a equipe do Portuga Restaurante. Tradicional e preparada com todo o cuidado, a feijoada é uma excelente oportunidade para reunir a família, encontrar amigos e colaborar com as atividades da paróquia. A porção custa R$ 80,00 e serve duas pessoas. Os convites já estão à venda de forma antecipada e podem ser reservados pelo WhatsApp (11) 94777-1879. No dia do evento, você poderá escolher entre consumir a feijoada no salão paroquial ou retirá-la para levar para casa. O atendimento será das 11h30 às 14h30. As porções estarão sujeitas à disponibilidade. Bebidas e sobremesas serão vendidas separadamente. Informações Convide seus familiares e amigos e participe deste momento de convivência e solidariedade. Além de saborear uma excelente feijoada, você estará contribuindo com as atividades e a missão da nossa comunidade paroquial. Esperamos por você!

Liturgia, Missas, Você Sabia?

Por que ficamos de pé para ouvir o Evangelho?

Em todas as Missas, há um momento em que a assembleia se levanta espontaneamente. Depois da segunda leitura, o canto do Aleluia anuncia que o Evangelho será proclamado e todos permanecem de pé até o seu término. Mas por que fazemos isso? A resposta está na própria tradição da Igreja. Levantar-se é um gesto de respeito, atenção e disponibilidade. É a atitude de quem acolhe uma presença importante. Na liturgia, permanecer de pé durante o Evangelho significa reconhecer que é o próprio Cristo quem fala ao seu povo. Cristo continua falando à sua Igreja Embora seja proclamado por um diácono ou sacerdote, o Evangelho não é apenas a leitura de um texto antigo. A Igreja ensina que, quando as Sagradas Escrituras são proclamadas na liturgia, é o próprio Senhor quem fala à assembleia. Por isso, o Evangelho ocupa um lugar único na Liturgia da Palavra. As demais leituras nos preparam para esse momento, revelando a história da salvação e anunciando a vinda de Cristo. No Evangelho, porém, ouvimos suas palavras, contemplamos seus gestos e somos convidados a segui-lo. Um gesto que vem dos primeiros cristãos Desde os primeiros séculos, os cristãos permanecem de pé durante a proclamação do Evangelho. Na tradição bíblica, essa postura expressa vigilância, prontidão e respeito. É a posição de quem está preparado para ouvir e colocar em prática aquilo que Deus lhe pede. Não se trata apenas de uma mudança de postura, mas de uma atitude interior: levantamo-nos porque desejamos acolher Cristo com o coração aberto. O Aleluia prepara nosso coração Antes do Evangelho, a Igreja canta o Aleluia, palavra de origem hebraica que significa “Louvai o Senhor”. Mais do que um canto de transição, essa aclamação prepara espiritualmente a assembleia para escutar a Boa-Nova. Durante a Quaresma, o Aleluia é substituído por outra aclamação, preservando o caráter penitencial desse tempo litúrgico. Enquanto o canto acontece, o sacerdote ou diácono prepara-se para proclamar o Evangelho, pedindo a Deus a graça de anunciar dignamente sua Palavra. O sinal da cruz na testa, na boca e no peito Logo antes da leitura, fazemos três pequenas cruzes: na testa, nos lábios e no peito. Esse gesto é uma oração silenciosa e muito bonita. Pedimos que a Palavra de Deus ilumine nossos pensamentos, inspire nossas palavras e transforme nosso coração. Em outras palavras, desejamos compreender o Evangelho, anunciá-lo com a vida e guardá-lo no íntimo da nossa existência. Escutar para viver Ao final da proclamação, respondemos: “Glória a vós, Senhor”, antes da leitura, e “Glória a vós, Senhor”? Não. Após o Evangelho, respondemos: “Glória a vós, Senhor”? Também não. A resposta correta é: “Glória a vós, Senhor” antes da leitura e, ao final, “Glória a vós, Senhor”? Na verdade, a aclamação final da assembleia é: “Glória a vós, Senhor” antes do Evangelho (enquanto se faz o sinal da cruz) e “Glória a vós, Senhor”? Não. Depois da proclamação, o diácono ou sacerdote diz: “Palavra da Salvação”, e a assembleia responde: “Glória a vós, Senhor.” Essa resposta não é apenas uma fórmula litúrgica. É uma profissão de fé. Agradecemos porque reconhecemos que Deus continua falando conosco hoje, orientando nossos passos e fortalecendo nossa esperança. Um convite para a próxima Missa Na próxima vez que o Aleluia começar, lembre-se de que levantar-se não é apenas cumprir uma rubrica da celebração. É um gesto de quem deseja acolher Cristo vivo, presente na sua Palavra. Permanecer de pé é dizer, com todo o nosso ser: “Senhor, estou aqui. Quero ouvir a tua voz e deixar que ela transforme a minha vida.” Assim, um gesto simples torna-se uma bela profissão de fé e recorda que a Palavra proclamada na liturgia não pertence ao passado. Ela continua viva, atual e eficaz, conduzindo a Igreja em todos os tempos.

Liturgia, Missas, Você Sabia?

Por que o padre beija o altar no início e no fim da Missa?

Quem participa da Santa Missa certamente já observou esse gesto: ao chegar ao presbitério, o sacerdote faz uma reverência ao altar e, em seguida, o beija. No encerramento da celebração, antes de deixar o altar, ele repete o mesmo gesto. Mas por que isso acontece? Longe de ser um costume ou um gesto de devoção pessoal do celebrante, o beijo no altar faz parte da liturgia da Igreja e possui um significado profundo. O altar representa o próprio Cristo Desde os primeiros séculos do Cristianismo, o altar ocupa o lugar central da igreja. É nele que se celebra o Sacrifício Eucarístico e dele os fiéis recebem o Pão da Vida. Por isso, a Igreja ensina que o altar é sinal do próprio Cristo. Não é apenas uma mesa onde se colocam objetos litúrgicos, mas o lugar onde Cristo continua a oferecer-se ao Pai e a alimentar seu povo com seu Corpo e seu Sangue. Quando o sacerdote beija o altar, não está prestando homenagem a uma peça de pedra ou madeira, mas manifestando amor e veneração a Cristo, que é o verdadeiro centro da celebração. Um gesto que vem da tradição da Igreja O beijo sempre foi um sinal de respeito, afeto e veneração. Na liturgia, ele expressa o amor da Igreja por Cristo. Em muitas igrejas, especialmente as mais antigas, o altar também guarda em seu interior as relíquias de santos. Essa tradição recorda que os mártires e todos os santos uniram suas vidas ao sacrifício de Cristo e hoje participam de sua glória. Assim, ao beijar o altar, o sacerdote também recorda a comunhão entre a Igreja peregrina na terra e a Igreja gloriosa no Céu. Antes de qualquer outra coisa Repare em um detalhe interessante: ao chegar ao presbitério, o sacerdote não vai primeiro à cadeira da presidência nem ao ambão. Seu primeiro gesto é dirigir-se ao altar. Esse detalhe revela algo muito importante: toda a Missa gira em torno de Cristo. O altar não é um simples móvel da igreja, mas o coração da celebração e o ponto para onde convergem todos os olhares. Um gesto que convida toda a assembleia Embora apenas o sacerdote e o diácono beijem o altar durante a celebração, esse gesto fala a toda a comunidade. Cada fiel é convidado a olhar para o altar com profundo respeito, reconhecendo que ali acontecerá o maior dos mistérios: pela ação do Espírito Santo, o pão e o vinho tornar-se-ão o Corpo e o Sangue de Cristo. Por isso, o altar deve ser tratado com dignidade. Não é um apoio para objetos pessoais nem um espaço de circulação comum. Sua nobreza não está no material de que é feito, mas no mistério que nele se celebra. Um beijo que anuncia toda a Missa Talvez, na próxima vez que você participar da Eucaristia, esse gesto tenha um significado novo. O beijo do sacerdote no altar é como uma profissão silenciosa de amor a Cristo. Antes mesmo das primeiras palavras da celebração, a Igreja proclama, por meio desse gesto, quem é o verdadeiro protagonista da Missa. E, ao final da celebração, o sacerdote volta a beijar o altar, encerrando a liturgia da mesma forma como a iniciou: reconhecendo que tudo começou em Cristo, tudo aconteceu por Cristo e tudo nos conduz novamente a Cristo. Assim, um gesto simples, que dura apenas alguns segundos, revela uma das mais belas verdades da nossa fé: no centro da Santa Missa está sempre Jesus Cristo, que continua reunindo seu povo e oferecendo-se por amor à humanidade.

Artigo, Liturgia, Notícias, Você Sabia?

Tempo Comum: quando Deus santifica o nosso cotidiano

  Ao olharmos para o calendário litúrgico da Igreja, é comum encontrarmos a expressão Tempo Comum. Para muitas pessoas, esse nome pode dar a impressão de que se trata de um período sem grandes acontecimentos ou de menor importância. No entanto, acontece justamente o contrário: o Tempo Comum é o período mais longo do Ano Litúrgico e representa um precioso convite para viver a fé nas pequenas e grandes experiências do dia a dia. Depois de celebrarmos o mistério da Páscoa, coroado pela Solenidade de Pentecostes, a Igreja retoma o Tempo Comum. É o tempo em que acompanhamos, passo a passo, a missão pública de Jesus: seus ensinamentos, seus milagres, seus encontros com as pessoas, suas parábolas e o constante chamado à conversão. Esse caminho nos acompanhará por vários meses, até o início do Advento, quando começaremos um novo Ano Litúrgico. O Ano Litúrgico é organizado para que, ao longo dos meses, possamos contemplar todo o mistério da salvação. Vivemos a espera do Salvador durante o Advento; celebramos seu nascimento no Natal; percorremos o caminho da conversão na Quaresma; renovamos nossa esperança na Páscoa; e acolhemos a força do Espírito Santo em Pentecostes. O Tempo Comum, por sua vez, nos convida a colocar tudo isso em prática, tornando o Evangelho presente na vida cotidiana. É importante lembrar que o Tempo Comum não é um “tempo vazio”. Ao contrário, ele é o tempo da maturidade da fé. Se as grandes solenidades celebram momentos marcantes da vida de Cristo, o Tempo Comum nos ajuda a compreender como esses mistérios transformam nossa maneira de viver todos os dias. Durante esse período, a liturgia apresenta uma leitura quase contínua dos Evangelhos. A cada domingo, somos convidados a acompanhar Jesus em sua missão, ouvindo seus ensinamentos, observando seus gestos de misericórdia e aprendendo, pouco a pouco, o que significa ser discípulo. É um verdadeiro itinerário de formação cristã. A cor litúrgica que identifica esse tempo é o verde, símbolo da esperança e do crescimento. Não é por acaso. Assim como uma planta precisa de tempo, cuidado e perseverança para dar frutos, também nossa vida espiritual amadurece aos poucos. A participação na Santa Missa, a escuta da Palavra de Deus, a oração diária, a vivência dos sacramentos e o compromisso com a caridade são os meios pelos quais o Senhor faz crescer nossa fé. O Tempo Comum também nos ensina algo muito precioso: Deus não se manifesta apenas nos grandes acontecimentos. Ele está presente no cotidiano da família, no ambiente de trabalho, na escola, no serviço prestado à comunidade, nas alegrias e também nas dificuldades. Cada dia pode se tornar uma oportunidade de encontro com Cristo. São Paulo nos recorda que tudo deve ser feito para a glória de Deus (cf. 1Cor 10,31). Essa é uma das grandes mensagens do Tempo Comum: aprender a santificar a vida comum. A santidade não é reservada a momentos extraordinários, mas nasce da fidelidade nas pequenas atitudes, da paciência, do perdão, da generosidade, da honestidade e do amor vivido em cada circunstância. Mesmo sendo chamado de “comum”, esse tempo é enriquecido por diversas celebrações importantes. Ao longo dos próximos meses, a Igreja continuará celebrando festas e memórias dos santos, homens e mulheres que souberam viver o Evangelho em diferentes épocas e realidades. Eles nos mostram que a santidade é um caminho possível para todos. Outra característica importante é que cada domingo do Tempo Comum continua sendo o Dia do Senhor. A Igreja nunca deixa de celebrar a Ressurreição de Cristo. Por isso, participar da Eucaristia dominical permanece sendo o centro da vida cristã. É na mesa da Palavra e do Pão que encontramos a força necessária para enfrentar os desafios da semana e testemunhar nossa fé no mundo. Vivemos agora esse longo tempo de caminhada com Cristo. Até o início do Advento, seremos convidados a aprofundar nossa amizade com o Senhor por meio da liturgia, permitindo que sua Palavra transforme nossos pensamentos, nossas escolhas e nossas atitudes. Que cada celebração deste Tempo Comum nos ajude a reconhecer a presença de Deus em nossa rotina. Que aprendamos a enxergar o extraordinário escondido no ordinário da vida. E que, fortalecidos pela Eucaristia e pela Palavra, possamos crescer na fé, na esperança e na caridade, tornando-nos testemunhas do Evangelho onde quer que estejamos. Porque, para quem caminha com Cristo, não existem dias “comuns”: todos os dias são tempo de graça, oportunidade de conversão e ocasião para experimentar o amor de Deus.

Artigo, Notícias, Você Sabia?

Um século de fé na Água Rasa: Paróquia celebra centenário de sua pedra fundamental

Quem caminha hoje entre as agitadas avenidas e o fluxo dinâmico do bairro da Água Rasa, na Zona Leste de São Paulo, costuma erguer os olhos para contemplar a imponente torre sineira da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, na Região Belém. O templo, que hoje funciona como um refúgio de silêncio, oração e forte atuação comunitária, celebra neste 29 de junho um marco histórico: os 100 anos do lançamento de sua pedra fundamental (1926–2026), o ato simbólico que transformou um terreno doado na base de uma das comunidades católicas mais tradicionais da região. Do terreno doado ao altar A história, preservada na memória dos moradores e nos registros da Pastoral da Comunicação (PASCOM), começou de forma humilde na década de 1920. Naquela época, a Água Rasa ainda desenhava seus contornos urbanos quando a comunidade local recebeu a doação de um lote de terra. O gesto de generosidade foi o estopim para que as famílias do bairro se unissem em torno de um objetivo comum: erguer um espaço dedicado à devoção de Nossa Senhora de Lourdes. O lançamento da pedra fundamental fincou ali mais do que concreto e aspirações espirituais; plantou o senso de coletividade. O que começou como uma pequena e modesta capela de bairro rapidamente expandiu-se, impulsionado pelo engajamento dos fiéis. Poucos anos mais tarde, o crescimento expressivo da vizinhança e a efervescência religiosa exigiram que a antiga capela fosse oficialmente alçada à categoria de Paróquia, consolidando-se como o coração do bairro. O simbolismo dessa data ganha ainda mais força por coincidir com a solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada também em 29 de junho. A ligação entre a história da paróquia e os dois grandes apóstolos está eternizada na torre sineira do templo. Dos quatro sinos que compõem o conjunto, dois receberam os nomes de Pedro e Paulo. Os outros homenageiam a padroeira, Nossa Senhora de Lourdes, e Santa Bárbara, tradicionalmente invocada como protetora contra raios e tempestades. Mais do que uma escolha nominal, trata-se de uma expressão da identidade da comunidade. Cada toque do sino Pedro recorda a firmeza da fé, a rocha sobre a qual Cristo edificou sua Igreja. O sino Paulo evoca o ardor missionário daquele que levou o Evangelho além das fronteiras. Juntos, seus sons unem a memória das origens à missão permanente da Igreja, fazendo ecoar, sobre o bairro da Água Rasa, os mesmos valores que inspiraram o lançamento da pedra fundamental há um século. Resiliência e expansão urbana Ao longo do último século, a paróquia testemunhou as profundas transformações de São Paulo. Se nas décadas de 1930 e 1940 a igreja servia como ponto de acolhimento e identidade para operários e famílias que povoavam a Zona Leste, hoje ela responde aos desafios de uma metrópole verticalizada e acelerada. Após operar originalmente com estruturas menores e em locais adaptados (como a antiga casa paroquial na Avenida Regente Feijó), o crescimento da comunidade levou, em meados da década de 1940, à necessidade de um templo maior, o que motivou a transferência definitiva para o atual e amplo endereço na Rua João Soares. A atual edificação erguida se transformou em um verdadeiro monumento arquitetônico e afetivo para a Água Rasa. Os detalhes dessa transição estão eternizados nas páginas do livro do tombo da paróquia. Em detalhada narração, o documento registra, palavra por palavra, que a ideia da construção do novo templo partiu do arcebispo Dom José para o padre Theodoro, pároco anterior. O direcionamento foi dado nas seguintes palavras: “Trate de comprar outro terreno mais próprio, o povo vai ajudar, o seu povo é muito bom e generoso. Faça uma igreja grande, um Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. Eu o abençoo.” O livro do tombo destaca, ainda, que essas foram as últimas palavras de Dom José direcionadas à paróquia. Uma igreja viva e em saída “A história desta paróquia mostra que a igreja não é feita apenas de tijolos, mas da união entre a fé e a educação para o acolhimento”, destaca a comunidade paroquial através de suas comunicações. Sob a atual administração do pároco, Padre Juliano Maroso Gonçalves, a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes mantém vivo o legado dos pioneiros de 1926 através de uma rede ativa de pastorais, movimentos e celebrações dos sacramentos (como batismos, crismas e casamentos). As comemorações centenárias da pedra fundamental jogam luz sobre o passado para projetar o futuro. Mais do que comemorar a solidez de uma construção centenária, os fiéis da Água Rasa celebram a permanência de um espaço que há cem anos cumpre o papel de aproximar pessoas, estender a mão aos mais vulneráveis e abençoar o cotidiano da Zona Leste de São Paulo. Serviço / Programação Atual da Paróquia Para os interessados em visitar o templo histórico ou participar das atividades comunitárias, a Paróquia mantém suas portas abertas na Rua João Soares, 13 – Água Rasa, São Paulo/SP. * com apoio de pesquisas do seminarista Fernando Cruvinel

Artigo, Você Sabia?

Pedro e Paulo: Sinfonia da Missão

A celebração do aniversário da pedra fundamental da Igreja Nossa Senhora de Lourdes da Água Rasa, lançada em 29 de junho, ganha um brilho especial por coincidir com a festa de São Pedro e São Paulo — dois pilares da fé cristã, dois caminhos distintos que se encontram na mesma missão: anunciar o Evangelho com coragem e entrega. No coração da comunidade, essa data não é apenas um marco histórico; é um lembrete vivo de que a fé se constrói com mãos humanas, mas se sustenta pela graça divina. A pedra fundamental representa o início de uma obra que ultrapassa tijolos e argamassa: ela simboliza a união, a esperança e o compromisso de um povo que sonhou e edificou um espaço sagrado para acolher, celebrar e transformar vidas. Para eternizar essa ligação entre a história da paróquia e a solenidade dos apóstolos, dois dos sinos da torre receberam os nomes de Pedro e Paulo ( os outros dois sinos, um recebeu o nome da padroeira – Nossa Senhora de Lourdes e, o outro, dedicado a Santa Bárbara, protetora dos raios). Não é apenas uma homenagem; é um gesto carregado de significado.Quando o sino Pedro ressoa, lembra a firmeza da fé, a rocha sobre a qual Cristo edificou sua Igreja.Quando o sino Paulo ecoa, recorda o ardor missionário, a palavra que atravessa fronteiras e renova corações. Juntos, esses sinos formam um diálogo sonoro entre tradição e missão, entre passado e futuro, entre a comunidade que fomos e a comunidade que continuamos a construir. Que este aniversário reacenda em todos nós o espírito de Pedro e Paulo: a coragem de permanecer firmes e a ousadia de seguir adiante. E que a Igreja Nossa Senhora de Lourdes da Água Rasa continue sendo, como desde sua pedra fundamental, um lar de fé, acolhimento e esperança.

Rolar para cima