Author name: Pastoral de Comunicação

Artigo, Liturgia, Missas, Você Sabia?

O Jejum dos Olhos: O Sentido do Velatio no Tempo da Quaresma

No período da Quaresma, especialmente ao nos aproximarmos da Semana Santa, as igrejas assumem um aspecto mais sóbrio. Uma das tradições mais marcantes deste tempo é o Velatio: o costume de cobrir com panos roxos os crucifixos, estátuas de santos e outras imagens sagradas. Mas o que parece ser apenas uma decoração fúnebre é, na verdade, um profundo recurso teológico. O que é o Velatio na Quaresma? O termo, que vem do latim e significa “velamento”, refere-se à ocultação visual do que é sagrado. Tradicionalmente, nos últimos dias da Quaresma, a Igreja omite a beleza das imagens para que a atenção do fiel se concentre exclusivamente no mistério que será celebrado. Os crucifixos permanecem cobertos até a Sexta-Feira Santa, e as demais imagens até a Vigília Pascal. A Importância do “Velo” Quaresmal A importância desta prática reside na pedagogia da privação. Assim como jejuamos de alimentos para fortalecer o espírito, o velatio propõe um “jejum visual”. O velatio, portanto, não é um desprezo às imagens, mas uma forma de honrá-las pelo silêncio, preparando o coração para o choque de alegria que é a luz do Domingo de Páscoa.

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Devo levantar as mãos durante o “Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”?

Na Santa Missa, cada gesto tem um sentido profundo e não é fruto de costume pessoal, mas expressão da oração da Igreja inteira. Por isso, é importante recordar por que, habitualmente, os fiéis não levantam as mãos durante o Pai-Nosso nem na doxologia que o conclui. O gesto de orar com as mãos elevadas — chamado “orante” — é próprio de quem preside, ou seja, do sacerdote. No rito romano, cabe ao sacerdote, que age em nome de Cristo, rezar o Pai-Nosso com as mãos estendidas. Os fiéis participam plenamente dessa oração respondendo e rezando juntos, mas sem assumir gestos que pertencem à presidência da celebração. Assim, manifesta-se de modo claro a beleza da diversidade de ministérios e a unidade do Corpo de Cristo. O mesmo se aplica à doxologia (“Por Cristo, com Cristo, em Cristo…”).  O novo Missal Romano traz, em alguns casos, convites para o “Pai Nosso”, mas a doxologia “Por Cristo…” permanece, na tradição latina, um momento mais estrito da ação do padre, orientando-se que a assembleia mantenha uma atitude de adoração silenciosa. A liturgia não é espaço para criatividade individual, mas para fidelidade amorosa ao que a Igreja nos entrega. Não se trata de uma “proibição” absoluta, mas uma questão de respeito à ordem da celebração e ao simbolismo de cada gesto na liturgia romana, onde o padre oferece e o povo adora em recolhimento.  Quando todos seguem os mesmos gestos, expressamos visivelmente a comunhão. Nossa participação não se mede pela quantidade de movimentos, mas pela fé, pela atenção e pela união interior com Cristo. Rezar bem, com simplicidade e obediência, é também um testemunho de unidade e de respeito à riqueza da liturgia.

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