Por que o padre beija o altar no início e no fim da Missa?
Quem participa da Santa Missa certamente já observou esse gesto: ao chegar ao presbitério, o sacerdote faz uma reverência ao altar e, em seguida, o beija. No encerramento da celebração, antes de deixar o altar, ele repete o mesmo gesto. Mas por que isso acontece? Longe de ser um costume ou um gesto de devoção pessoal do celebrante, o beijo no altar faz parte da liturgia da Igreja e possui um significado profundo. O altar representa o próprio Cristo Desde os primeiros séculos do Cristianismo, o altar ocupa o lugar central da igreja. É nele que se celebra o Sacrifício Eucarístico e dele os fiéis recebem o Pão da Vida. Por isso, a Igreja ensina que o altar é sinal do próprio Cristo. Não é apenas uma mesa onde se colocam objetos litúrgicos, mas o lugar onde Cristo continua a oferecer-se ao Pai e a alimentar seu povo com seu Corpo e seu Sangue. Quando o sacerdote beija o altar, não está prestando homenagem a uma peça de pedra ou madeira, mas manifestando amor e veneração a Cristo, que é o verdadeiro centro da celebração. Um gesto que vem da tradição da Igreja O beijo sempre foi um sinal de respeito, afeto e veneração. Na liturgia, ele expressa o amor da Igreja por Cristo. Em muitas igrejas, especialmente as mais antigas, o altar também guarda em seu interior as relíquias de santos. Essa tradição recorda que os mártires e todos os santos uniram suas vidas ao sacrifício de Cristo e hoje participam de sua glória. Assim, ao beijar o altar, o sacerdote também recorda a comunhão entre a Igreja peregrina na terra e a Igreja gloriosa no Céu. Antes de qualquer outra coisa Repare em um detalhe interessante: ao chegar ao presbitério, o sacerdote não vai primeiro à cadeira da presidência nem ao ambão. Seu primeiro gesto é dirigir-se ao altar. Esse detalhe revela algo muito importante: toda a Missa gira em torno de Cristo. O altar não é um simples móvel da igreja, mas o coração da celebração e o ponto para onde convergem todos os olhares. Um gesto que convida toda a assembleia Embora apenas o sacerdote e o diácono beijem o altar durante a celebração, esse gesto fala a toda a comunidade. Cada fiel é convidado a olhar para o altar com profundo respeito, reconhecendo que ali acontecerá o maior dos mistérios: pela ação do Espírito Santo, o pão e o vinho tornar-se-ão o Corpo e o Sangue de Cristo. Por isso, o altar deve ser tratado com dignidade. Não é um apoio para objetos pessoais nem um espaço de circulação comum. Sua nobreza não está no material de que é feito, mas no mistério que nele se celebra. Um beijo que anuncia toda a Missa Talvez, na próxima vez que você participar da Eucaristia, esse gesto tenha um significado novo. O beijo do sacerdote no altar é como uma profissão silenciosa de amor a Cristo. Antes mesmo das primeiras palavras da celebração, a Igreja proclama, por meio desse gesto, quem é o verdadeiro protagonista da Missa. E, ao final da celebração, o sacerdote volta a beijar o altar, encerrando a liturgia da mesma forma como a iniciou: reconhecendo que tudo começou em Cristo, tudo aconteceu por Cristo e tudo nos conduz novamente a Cristo. Assim, um gesto simples, que dura apenas alguns segundos, revela uma das mais belas verdades da nossa fé: no centro da Santa Missa está sempre Jesus Cristo, que continua reunindo seu povo e oferecendo-se por amor à humanidade.









