Por que o silêncio dos sinos dá lugar ao som das matracas na Quaresma?
Esse detalhe da liturgia guarda um significado profundo que muitos desconhecem.
Essa prática é ainda mais aprofundada a partir da Quinta-feira Santa, após o canto do Glória, estendendo-se até a Vigília Pascal. Nesse intervalo, os sinos se calam completamente. Esse silêncio não é apenas prático, mas profundamente simbólico: a Igreja entra em atitude de luto diante da Paixão e morte de Cristo.
É nesse contexto que surgem as matracas. Com seu som seco, áspero e repetitivo, elas cumprem a função de convocar os fiéis e marcar momentos litúrgicos, substituindo os sinos. No entanto, fazem isso de maneira intencionalmente diferente. Se os sinos representam alegria, festa e solenidade, as matracas evocam austeridade, dor e expectativa.
Esse contraste ajuda os fiéis a vivenciarem de forma mais intensa o mistério celebrado. O “silêncio” dos sinos cria um vazio que fala ao coração, enquanto o ruído das matracas reforça o caráter penitencial do período. Trata-se de uma linguagem simbólica: a Igreja não apenas anuncia com palavras, mas também com gestos e sons.
Assim, o uso das matracas não é um detalhe folclórico, mas uma tradição carregada de significado espiritual. Ele prepara a comunidade para o momento culminante da fé cristã: a Ressurreição. Quando os sinos finalmente voltam a tocar na noite de Páscoa, seu som festivo rompe o silêncio e proclama, com alegria, a vitória da vida sobre a morte.





