Se você já prestou atenção aos detalhes da Missa, provavelmente percebeu que, sobre o altar, há um livro grande, geralmente com capa trabalhada e colocado em um suporte. É o Missal Romano.
Mas o que exatamente existe dentro desse livro? Por que ele é tão importante? E por que o sacerdote o utiliza durante a celebração?
O Missal Romano é um dos principais livros litúrgicos da Igreja Católica. Nele estão reunidas as orações, os textos e as orientações necessárias para a celebração da Missa. É, portanto, muito mais do que um livro que o sacerdote consulta durante a celebração: ele é um dos instrumentos pelos quais a Igreja, em todo o mundo, celebra a Eucaristia de acordo com a tradição e as normas da liturgia.
Um livro para celebrar a Eucaristia
O Missal contém a estrutura da celebração eucarística e apresenta os textos que são próprios de cada momento da Missa.
Nele encontramos, por exemplo, as orações presidenciais, as Orações Eucarísticas, os prefácios, as orações sobre as oferendas, as orações depois da Comunhão e as bênçãos. Também estão presentes os textos próprios dos diferentes tempos litúrgicos, das solenidades, festas e memórias dos santos.
Assim, o sacerdote não escolhe livremente as orações da Missa conforme sua preferência. O Missal oferece à Igreja os textos que devem ser utilizados em cada celebração, ajudando a preservar a unidade da liturgia.
Isso é importante porque, embora uma Missa seja celebrada em diferentes países e culturas, a Igreja permanece unida na mesma fé e na mesma celebração do mistério de Cristo.
Missal e Bíblia são a mesma coisa?
Não.
A Bíblia é a Sagrada Escritura e contém a Palavra de Deus. O Missal, por sua vez, é um livro litúrgico que reúne as orações e orientações para a celebração da Eucaristia.
Os textos bíblicos proclamados na Missa são encontrados principalmente no Lecionário, enquanto o Evangelho é apresentado de modo solene no Evangeliário.
Por isso, cada livro possui uma função própria. Juntos, eles ajudam a formar a celebração: a Palavra de Deus é proclamada, acolhida e respondida pela oração da Igreja.
O que significam as partes do Missal?
Ao abrir o Missal, encontramos diferentes seções.
Há o Ordinário da Missa, que apresenta as partes que compõem a celebração e que permanecem essencialmente constantes. Depois, encontramos os textos próprios dos diversos tempos litúrgicos, como Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Tempo Comum.
Também existem os formulários próprios das celebrações de Nossa Senhora e dos santos, além de celebrações específicas, como Missas pelos defuntos, pelos diversos sacramentos e por diferentes necessidades da Igreja e do mundo.
O Missal também contém diversas Orações Eucarísticas, que são o centro da celebração eucarística. Nelas, a Igreja dá graças ao Pai, recorda a obra da salvação realizada por Cristo e invoca o Espírito Santo sobre os dons e sobre a assembleia.
Um livro que pertence à Igreja
É importante perceber que o Missal não é propriedade particular do sacerdote. Ele é um livro litúrgico da Igreja.
Por isso, suas orientações ajudam a evitar que a celebração seja transformada em uma criação individual. A liturgia pertence a toda a comunidade e à Igreja universal. O sacerdote preside a celebração em nome de Cristo e da Igreja, seguindo aquilo que foi estabelecido para que a Eucaristia seja celebrada com dignidade, unidade e fidelidade.
No Brasil, atualmente utilizamos a terceira edição típica do Missal Romano, cuja tradução brasileira foi confirmada pela Santa Sé em 2023, depois de um trabalho de tradução, revisão e aprovação que levou cerca de 19 anos. A nova edição passou a ser utilizada oficialmente em todo o país a partir do primeiro domingo do Advento de 2023.
Um livro que nos ensina a rezar
Conhecer o Missal Romano é também uma maneira de compreender melhor a própria Missa.
Quando o sacerdote se volta para o altar e abre o Missal, não está simplesmente procurando um texto para ler. Ele está utilizando o livro que contém as orações com as quais a Igreja celebra o maior mistério de sua fé: a morte e a Ressurreição de Jesus Cristo, tornadas presentes sacramentalmente na Eucaristia.
Por isso, o Missal nos recorda algo muito importante: a Missa não é uma invenção de cada comunidade ou de cada sacerdote. É a oração da Igreja.
E quando participamos dela com atenção e fé, descobrimos que aquelas palavras que ouvimos tantas vezes são muito mais do que fórmulas. São a voz de uma Igreja que, geração após geração, continua reunida ao redor do altar para dar graças a Deus e celebrar a presença viva de Cristo.





