Em algumas Missas, especialmente nas solenidades e grandes festas da Igreja, um perfume suave toma conta do ambiente. O sacerdote ou o diácono balança um turíbulo de onde sobe uma fumaça perfumada, envolvendo o altar, o Evangelho, as oferendas e, em alguns momentos, também a assembleia.
Esse é o uso do incenso, um dos sinais mais antigos e belos da liturgia cristã.
Mas por que a Igreja o utiliza?
Um símbolo que vem da Bíblia
O uso do incenso acompanha o povo de Deus desde o Antigo Testamento.
No Templo de Jerusalém, ele era oferecido em honra ao Senhor como sinal de adoração. Já no Novo Testamento, o livro do Apocalipse apresenta uma imagem muito bonita: a fumaça do incenso sobe até Deus juntamente com as orações dos santos.
Por isso, desde os primeiros séculos, a Igreja conservou esse gesto em suas celebrações mais solenes.
A oração que sobe até Deus
Talvez este seja o significado mais conhecido do incenso.
Assim como sua fumaça sobe suavemente, também nossas preces são elevadas ao Senhor.
Cada vez que vemos o incenso durante a Missa, somos convidados a recordar que Deus acolhe a oração do seu povo e escuta aqueles que o procuram com fé.
Um sinal de honra e veneração
Na liturgia, o incenso também expressa respeito e reverência.
Por isso, ele é utilizado para incensar o altar, que representa Cristo; o Evangeliário, porque contém a Palavra de Deus; as oferendas de pão e vinho, que serão consagradas; a cruz; o sacerdote, que preside a celebração em nome de Cristo; e também toda a assembleia.
Esse último gesto é muito significativo.
Ao incensar o povo, a Igreja recorda que, pelo Batismo, todos os fiéis foram consagrados e participam do sacerdócio comum dos cristãos. Cada batizado é chamado a oferecer sua vida como um sacrifício agradável a Deus.
O perfume da presença de Deus
O perfume do incenso também desperta nossos sentidos.
A liturgia não fala apenas por meio das palavras. Ela utiliza sinais que podem ser vistos, ouvidos e até percebidos pelo olfato.
O aroma do incenso ajuda a criar um ambiente de recolhimento e solenidade, recordando que estamos participando de algo muito maior do que um simples encontro humano: celebramos o mistério da presença de Deus entre nós.
Por que nem todas as Missas têm incenso?
O uso do incenso é facultativo.
A Igreja recomenda seu emprego sobretudo nas solenidades, festas, procissões e outras celebrações particularmente solenes.
Sua ausência não torna a Missa menos válida nem menos importante. O incenso não acrescenta valor ao sacramento; ele torna mais expressiva e solene a celebração dos santos mistérios.
Um convite para olhar além da fumaça
Na próxima vez que participar de uma Missa com incenso, observe esse gesto com um novo olhar.
Quando a fumaça subir, recorde que suas orações também podem subir até Deus.
Quando sentir seu perfume, lembre-se de que Cristo deseja perfumar nossa vida com o Evangelho.
E quando vir o altar, o Evangeliário, as oferendas e a assembleia serem incensados, reconheça que tudo aquilo foi separado para o culto divino e merece nossa reverência.
Assim, um gesto que poderia parecer apenas uma antiga tradição revela uma profunda verdade da fé: toda a nossa vida é chamada a tornar-se uma oferta agradável ao Senhor, como o incenso que sobe silenciosamente em sua direção.
Porque a liturgia nos ensina que até a fumaça que se eleva pode transformar-se em oração, louvor e adoração diante de Deus.





