Depois da oração final, o sacerdote concede a bênção e despede a assembleia com palavras que todos conhecemos:
“Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.”
A comunidade responde:
“Graças a Deus.”
À primeira vista, esse parece ser apenas o encerramento da celebração. No entanto, a liturgia nos ensina que esse é um dos momentos mais importantes da Missa.
Não somos simplesmente dispensados. Somos enviados.
A origem da palavra “Missa”
A palavra “Missa” tem origem na expressão latina Ite, missa est, pronunciada ao final da celebração desde os primeiros séculos da Igreja.
Embora essa expressão tenha recebido diferentes explicações ao longo da história, ela passou a ser compreendida como um verdadeiro envio dos fiéis em missão. Depois de escutar a Palavra de Deus e participar da Eucaristia, a comunidade não permanece reunida apenas para si mesma: ela é enviada ao mundo para testemunhar Cristo.
Assim, a Missa nunca termina apenas com uma despedida. Ela continua na vida de cada cristão.
Alimentados para a missão
Durante a celebração, fomos alimentados por duas grandes mesas.
Na Liturgia da Palavra, Deus falou ao nosso coração.
Na Liturgia Eucarística, Cristo entregou-se como alimento.
Seria incoerente guardar tudo isso apenas para nós.
Quem encontrou Cristo é chamado a levá-Lo aos outros por meio da caridade, do perdão, da esperança, da justiça e do amor.
A bênção é um compromisso
Quando o sacerdote traça o sinal da cruz sobre a assembleia, não está apenas desejando um bom retorno para casa.
A bênção fortalece os fiéis para viverem sua vocação cristã no mundo.
Ela recorda que Deus caminha conosco em todos os ambientes: na família, no trabalho, na escola, na universidade, no trânsito e em cada encontro do cotidiano.
A verdadeira continuação da Missa
Costuma-se dizer que a Missa termina quando saímos da igreja.
Na realidade, ela continua na maneira como vivemos.
A Eucaristia produz frutos quando inspira nossas escolhas, nossas palavras e nossas atitudes.
A paciência diante das dificuldades, o cuidado com quem sofre, a honestidade no trabalho, o perdão oferecido a quem nos ofendeu e a solidariedade para com os mais necessitados também são formas de prolongar aquilo que celebramos no altar.
“Graças a Deus”
A resposta da assembleia ao envio também merece atenção.
Ao responder “Graças a Deus”, não estamos apenas agradecendo pelo fim da celebração.
Estamos acolhendo com alegria a missão que recebemos.
É como dizer:
“Obrigado, Senhor. Vou procurar viver aquilo que celebrei.”
A Missa continua…
Cada celebração termina para que uma nova missão comece.
Cristo nos reúne para nos fortalecer, nos ensinar e nos alimentar. Depois, envia cada um de nós para ser sinal da sua presença no mundo.
Por isso, o verdadeiro fruto da Eucaristia não se mede apenas pela participação na igreja, mas pela transformação que ela produz em nossa vida.
A família que se reconcilia.
O doente que recebe uma visita.
O pobre que encontra ajuda.
O colega que recebe uma palavra de esperança.
O cristão que escolhe agir com honestidade e misericórdia.
Tudo isso também é fruto da Missa.
Uma pergunta para levar para casa
Na próxima vez que ouvir o sacerdote dizer: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, lembre-se de que essas palavras não encerram apenas uma celebração.
Elas inauguram uma missão.
Ao atravessar a porta da igreja, pergunte-se:
Como posso tornar Cristo mais presente na vida das pessoas nesta semana?
Talvez essa seja a melhor forma de agradecer pelo dom da Eucaristia: permitir que a Missa continue em cada gesto de amor, de serviço e de esperança.
Porque a celebração termina no altar, mas o Evangelho começa novamente no caminho de volta para casa.





