A Segunda-feira Santa nos conduz à casa de Betânia, onde Jesus é acolhido em meio a amigos. O Evangelho (cf. Jo 12,1-11) apresenta o gesto de Maria, que derrama um perfume precioso aos pés do Senhor e os enxuga com os cabelos. A casa se enche de fragrância. Trata-se de um gesto gratuito, abundante, aparentemente exagerado — mas profundamente profético.
Na proximidade da Paixão, esse perfume antecipa a entrega total de Cristo. Enquanto alguns calculam o valor material do nardo, Maria reconhece o valor incomparável da presença de Jesus. Seu gesto revela que o amor verdadeiro não mede custos, não faz contas, não busca aplausos. Ama porque reconhece quem está diante de si.
A crítica de Judas, que questiona o desperdício, ecoa ainda hoje quando reduzimos a fé à lógica da utilidade. A liturgia nos ensina que há algo que jamais é desperdício: tudo aquilo que é oferecido a Deus com sinceridade de coração. O culto, a oração, o serviço escondido, o tempo dedicado — quando brotam do amor — tornam-se perfume que sobe aos céus.
Neste dia, a Igreja nos convida a examinar nossas motivações. Aproximamo-nos de Jesus com gratuidade ou com reservas? Somos capazes de gestos concretos de entrega, especialmente em favor dos mais necessitados, nos quais o próprio Cristo se identifica?
Ao iniciar os dias centrais da Semana Santa, aprendemos com Maria de Betânia que o discipulado nasce da intimidade. Quem reconhece o Senhor não hesita em se ajoelhar. Que também nossa vida se torne perfume derramado — sinal de amor fiel que permanece mesmo diante da cruz.






