O homem é, por natureza, um ser social. Desde o nascimento dependemos de nossos pais para sobreviver; e nossos pais, por sua vez, dependem da comunidade, das instituições e da cidade ao redor para garantir segurança, sustento e estabilidade. Deus nos criou assim: necessitados uns dos outros para crescer e amadurecer.
Ao nos entregarmos a Cristo, essa realidade não desaparece, ela se aprofunda. Ter uma vida voltada para Deus é necessariamente viver em comunidade. No entanto, vivemos tempos marcados pelo isolamento. O conforto individual, as conquistas pessoais e o contato superficial das redes sociais alimentam a ilusão de autossuficiência. Aos poucos, escolhe-se o isolamento e isso nos afasta do nosso propósito como cristãos.
São Paulo, o grande missionário da Igreja nascente, compreendia profundamente essa verdade. Em sua carta aos Colossenses, escrita enquanto estava preso, aguardando julgamento, ele exorta a comunidade à vida em amor e fraternidade:
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente. (…) Acima de tudo, porém, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.” (Cl 3,12-14)
Mesmo em meio às perseguições, São Paulo semeava comunidades. Através de sua missionariedade em diversas regiões da Europa e da Ásia, o espírito de comunhão e o amor a Cristo se multiplicaram. A fé crescia porque era vivida em corpo, não em isolamento.
Quando contemplo a arquitetura da nossa Igreja, tão bela e imponente, não consigo deixar de pensar em quantas mãos a tornaram possível. Cada parede erguida, cada detalhe trabalhado, cada oferta silenciosa carrega a marca de uma fé que não era privada: era comunitária.
Aqueles que vieram antes de nós não construíram apenas um edifício. Construíram um lugar de encontro com Deus e de comunhão entre irmãos. Trabalharam, contribuíram, sacrificaram-se não para si mesmos, mas para gerações que talvez jamais conheceriam. Havia neles a consciência do bem comum.
Hoje, porém, a fé corre o risco de se tornar algo intimista demais, quase isolado. Perdemos, em parte, esse espírito de pertencimento. Consumimos a fé, mas nem sempre a edificamos. Frequentamos, mas nem sempre sustentamos. Recebemos, mas nem sempre colaboramos.
A igreja física que admiramos é um lembrete visível de que a fé cristã sempre foi construída em conjunto. Se hoje desfrutamos dos frutos, é porque alguém antes plantou.
Além disso, Paulo recorda que há diversidade de dons: “Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo… A cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum” (1Cor 12). Somos diferentes, mas quando nos voltamos para Cristo, os frutos convergem para a mesma fonte: o Espírito Santo, que age sempre para o bem comum.
A vida cristã não é solitária. É comunhão. É corpo. É amor vivido em comunidade.
*Lucas Gentile Forti é catequista de crisma em nossa comunidade






