"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."

"Monsenhor, ma non troppo". Você se lembra do quarto episódio da célebre saga de Don Camillo ePeppone, que narrava a história do vulcânico pároco de Brescello, interpretado por Fernandel, e do prefeito comunista, interpretado por Gino Cervi? Ambos já velhos, estavam prestes a obter uma ansiada promoção, o primeiro ao título de monsenhor, enquanto o segundo estava prestes a se tornar senador. O filme que, na época, alcançou um grande sucesso, hoje, dadas as novas disposições do Papa Francisco, soa um pouco anacrônico.

 

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 12-09-2013. A tradução é deMoisés Sbardelotto.

 

Don Camillo, na Igreja de Bergoglio, nunca alcançaria a honraria tão desejada, porque o título de monsenhor foi congelado. Há meses, a Secretaria de Estado, por ordens superiores, não autoriza mais esses títulos. A decisão estabelecida ainda no primeiro período do pontificado durou até hoje e, provavelmente, permanecerá bloqueada sabe-se por quanto tempo.

Alguns dizem que se trata de uma medida temporária, e não uma revogação tout court, provavelmente à espera do entendimento de como reformar a Cúria e os seus escritórios, segundo critérios de sobriedade e simplicidade, varrendo privilégios e títulos que parecem ser altissonantes aBergoglio e um pouco fora do tempo.

A Igreja do futuro, repetiu Francisco várias vezes, deve ser povoada por padres não clericalizados, párocos não carreiristas, pastores atentos às periferias existenciais e aos que se afastaram. Uma das expressões mais coloridas usadas por Francisco para dizer que os párocos devem voltar ao essencial, ao testemunho, é que eles devem evitar "colocar bobes nas ovelhas". Nessa perspectiva eclesial, é difícil não rever também os títulos honoríficos dos monsenhores que antigamente eram atribuídos na França ao Delfim e aos herdeiros do trono e que, depois, passaram para a corte pontifícia durante a estadia em Avignon, no início do século XIV. Em suma, monsenhor ma non troppo.

Esse título, antes de 1968, também era concedido a todos os prelados pertencentes à Capela e à Família pontifícias, e, depois da reorganização geral da Casa Pontifícia desejada por Paulo VI com o motu proprio Pontificalis domus, têm direito de se chamar assim os protonotários apostólicos, os prelados de honra de Sua Santidade e os capelães de Sua Santidade.

Teoricamente, qualquer eclesiástico pode obter o título, basta apenas que o bispo diocesano promova a prática emRoma, explicando os méritos do pároco.

Revisão

A prática chega a um escritório da Secretaria de Estado encarregada do setor. Se as cartas forem aprovadas, elas passam para a assinatura do papa. Outro caminho, mais curto, para se tornar monsenhor, é ser nomeado diretamente pelo pontífice, sem passar pelo bispo.

Todos os anos, o Vaticano "produz" diversas centenas de monsenhores. Atualmente, o congelamento estendido a todas as dioceses não vale, porém, aos membros do corpo diplomático, os únicos que foram agraciados pelas novas disposições, que continuam se tornando monsenhores entre as queixas gerais por causa da disparidade, embora se trate de números contidos. O título é bastante ambicionado, dado que permite usar a veste filetada durante as cerimônias. É chique.

Um dos primeiros bispos que se adequou ao novo curso foi o patriarca de Veneza, Moraglia, que avisou os seus padres que reservaria o título de "monsenhor" somente aos sacerdotes que receberam uma honraria diretamente do papa. Todos os outros terão que se contentar com o "padre". Moraglia explicou que se trata de "uma rigorosa revisão" que se encaixa no espírito de Francisco.

Fonte: www.ihu.unisinos.br/noticias de 15/09/2013

Publicado em Palavra Viva

"A Igreja muitas vezes fechou-se em pequenas coisas, em pequenos preceitos. A coisa mais importante, ao invés, é o primeiro anúncio: 'Jesus Cristo o salvou'." Essa é uma das passagens da longa entrevista ao Papa Francisco, publicada nesta quinta-feira pela prestigiosa revista "La Civiltà Cattolica" e, ao mesmo tempo, por outras dezesseis revistas da Companhia de Jesus.

No longo colóquio de cerca de trinta páginas com o diretor da "La Civiltà Cattolica", Pe. Antonio Spadaro, o Papa traça um retrato falado de si mesmo, explica qual é a sua ideia da Companhia de Jesus, analisa o papel da Igreja hoje, indica as prioridades da ação pastoral e aborda questões sobre o anúncio do Evangelho. 

"Um pecador para quem Deus olhou": assim se define o Papa Francisco na longa entrevista concedida em seu estúdio privado na Casa Santa Marta, no Vaticano, durante três encontros, realizados dias 19, 23 e 29 de agosto. Trinta páginas para contar a sua história de jesuíta, bem como o seu pensamento sobre a missão da Igreja.

"A capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, de estar perto, a proximidade... E precisa começar de baixo": com essas palavras, o Papa explica aquilo de que a Igreja mais precisa. 

"Eu vejo a Igreja como um hospital de campo após uma batalha. É inútil – diz – perguntar a um ferido grave se tem colesterol e glicose altos! É preciso curar as feridas. Depois se poderá falar de todo o restante."

"A Igreja – prossegue – por vezes se fechou em pequenas coisas, pequenos preceitos. A coisa mais importante, ao invés, é o primeiro anúncio: 'Jesus o salvou!'. Portanto, os ministros da Igreja, em primeiro lugar, devem ser ministros de misericórdia" e "as reformas organizativas e estruturais são secundárias, ou seja, vêm depois", porque "a primeira reforma deve ser a da atitude". 

De fato, para o Papa Francisco "os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar com elas na noite, de saber dialogar e também entrar na noite delas, na escuridão delas sem perder-se. O povo de Deus – diz - quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado".

Quanto à pastoral missionária, o Papa explica que não se deve ter "obsessão pela transmissão desarticulada de um amontoado de doutrina a ser imposta com insistência". O anúncio missionário se concentra "no essencial" que é também aquilo que mais atrai, "aquilo que faz arder o coração". 

Portanto, é preciso "encontrar um novo equilíbrio", do contrário – observa –, "também o edifício moral da Igreja corre o risco de desmoronar como um castelo de areia", de "perder o perfume do Evangelho". Assim sendo, a proposta evangélica deve ser "mais simples" e "é dessa proposta que depois vêm as conseqüências morais".

Em seguida, na entrevista o Papa Francisco relê a sua história de jesuíta, inclusive em relação a alguns momentos difíceis: "o meu modo autoritário e rápido de tomar decisões – afirma – levou-me a ter sérios problemas e a ser acusado de ser ultraconservador". 

Uma experiência difícil que hoje produz fruto: recordando o seu ministério episcopal na Argentina, diz ter entendido como a "consulta" é importante: "Os Consistórios, os Sínodos, por exemplo, são lugares importantes para tornar esta consulta verdadeira e ativa", mas devem ser "menos rígidos na forma". "Quero consultas reais, não formais", diz.

O Papa fala, ainda, sobre a sua formação jesuíta, sobre o discernimento e sobre reformas. É sempre necessário "tempo para colocar as bases de uma mudança verdadeira". "E este é o tempo do discernimento", afirma, embora "por vezes o discernimento, ao invés, impulsione a fazer logo aquilo que, na realidade, inicialmente se pensa fazer depois. E foi o que aconteceu também comigo nestes meses. 

No longo colóquio com o diretor da "La Civiltà Cattolica", Pe. Spadaro, também se faz referência à Companhia de Jesus, que para o Papa Francisco "é em si mesma descentralizada": o seu centro é Cristo e a Igreja, dois pontos de referência fundamentais para poder viver "na periferia", enquanto se colocar a si mesma no centro "como estrutura bem sólida", "corre o perigo de sentir-se segura e suficiente".

A imagem da Igreja evocada na entrevista é a expressa no Concílio Vaticano II na Lumen Gentium "do santo povo fiel de Deus", e "sentir com a Igreja" para Francisco é "estar neste povo". 

Uma Igreja que não quer reduzir-se a conter "apenas um grupinho de pessoas selecionadas", mas deve ser uma "Igreja Mãe e Pastora". A Igreja é fecunda, deve sê-lo", diz o Papa contando que quando se dá conta de "comportamentos negativos de ministros da Igreja" ou consagradas, a primeira coisa que lhe vem em mente é: "'eis um solteirão' ou 'eis uma solteirona'". "Não são nem pais, nem mães. Não foram capazes de dar vida", diz.

Entre outras questões, o diretor da referida revista jesuíta volta também a temas complexos como divorciados em segunda união, pessoas homossexuais e pergunta qual pastoral fazer nesses casos. 

"É preciso considerar sempre a pessoa – diz o Pontífice. Aí entramos no mistério do homem. Na vida Deus acompanha as pessoas, e nós devemos acompanhá-las a partir da condição delas. É preciso acompanhar com misericórdia."

Também se faz presente o tema da mulher e o Papa Francisco evidencia que "o desafio" é "refletir sobre o lugar específico da mulher também justamente onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja". 

No final, a conversação chega um aspecto que está muito a peito para o Papa Francisco, ou seja, que "Deus o encontramos caminhando". "Deus é sempre uma surpresa – diz – e, portanto, jamais se sabe onde e como encontrá-lo, não é você quem fixa o tempo nem os lugares do encontro com Ele."

Para o Pontífice, portanto, é preciso "discernir o encontro": se o cristão "quer tudo preto no branco", então não encontra nada. A tradição e a memória do passado devem levar a "abrir novos espaços a Deus". 

Com uma visão estática e de involução, se buscam sempre "soluções disciplinares" ou o passado perdido, "a fé torna-se uma ideologia entre tantas outras".

"Tenho uma certeza dogmática: Deus está na vida de toda pessoa", diz o Papa Francisco ressaltando que "mesmo se a vida de uma pessoa é um terreno repleto de espinhos e ervas daninhas, há sempre um espaço em que a semente boa pode crescer." Daí, o seu encorajamento: "É preciso confiar em Deus". (RL)

Fonte: Rádio Vaticano-19/09/2013

Publicado em Palavra Viva

“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Estas palavras de Jesus não podem ser esquecidas nestes momentos por aqueles que se sentem seus seguidores, pois contém uma advertência mais séria que Jesus deixou à Humanidade. O Dinheiro, convertido em ídolo absoluto, é o grande inimigo para construir um mundo mais justo e fraterno, querido por Deus.

Desgraçadamente, a Riqueza se transformou em nosso mundo globalizado em um ídolo de imenso poder que, para subsistir, exige cada vez mais vítimas e desumaniza e empobrece cada vez mais a história humana. Nestes momentos nos encontramos presos por uma crise gerada em grande parte pela ânsia de acumular.

Praticamente, tudo se organiza se move e dinamiza a partir dessa lógica: buscar mais produtividade, mais consumo, mais bem estar, mais energia, mais poder sobre os demais... Esta lógica é imperialista. Se não a detivermos, podemos por em perigo o ser humano e mesmo o Planeta.

Talvez, em primeiro lugar temos que tomar consciência do que está acontecendo. Esta não é somente uma crise econômica. É uma crise social e humana. Nestes momentos temos já dados suficientes ao nosso redor e no horizonte do mundo para perceber o drama humano em que vivemos imersos.

Cada vez mais fica mais claro que um sistema que conduz a uma minoria de ricos que acumula cada vez mais poder, abandonando em fome e miséria a milhões de seres humanos, em uma insensatez insuportável. Inútil olhar para outro lado.

Neste momento, nem as sociedades mais progressistas são capazes de assegurar um trabalho digno a milhões de cidadãos. Que progresso é este que, jogando todos a um bem estar, deixa tantas famílias sem recursos para viver com dignidade?

A crise está arruinando o sistema democrático. Pressionado pelas exigências do Dinheiro, os governantes não podem atender as verdadeiras necessidades de seus povos. Que política é esta se já não está a serviço do bem comum?

As diminuições dos gastos sociais nos diversos campos e a privatização interessada e indigna dos serviços públicos como a saúde seguirão golpeando aos mais indefesos, gerando cada vez mais exclusão, desigualdade vergonhosa e quebra social. Os seguidores de Jesus não podem viver fechados em uma religião isolada deste drama humano. As comunidades cristãs podem ser nestes momentos um espaço de conscientização, discernimento e compromisso. Nós temos que ajudar a viver com lucidez e responsabilidade. A crise pode nos fazer mais humanos e mais cristãos.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Quarta, 18 Setembro 2013 08:20

Dois senhores (25° Dom TC)

Vivemos numa sociedade globalizada, em que o dinheiro parece mandar em tudo e é procurado a qualquer custo. Para muita gente, ter dinheiro significa poder e prestígio... Qual deve ser a atitude cristã diante das riquezas?

Na 1a Leitura, Amós denuncia os ricos comerciantes do seu tempo, que exploravam nas mercadorias e nos preços os pobres camponeses. Nem respeitavam os "dias santos" para celebrar e descansar. O Profeta os adverte que Deus não ficará impassível diante disso: "Não esquecerei nenhum de vossos atos..." (Am 8, 4-7)

* Essa exploração descrita por Amós não é um fato apenas do passado.

É uma realidade que os pobres conhecem muito bem ainda hoje. A exploração e o lucro desmedido não fazem parte do projeto de Deus...

Na 2ª Leitura, Paulo convida a elevar ao céu "mãos puras", numa oração universal, em favor de todos os homens. A oração só tem sentido se for expressão de uma vida de comunhão, com Deus e com os irmãos. (1Tm 2,1-8)

No Evangelho, Cristo convida a conseguir a verdadeira liberdade, servindo a Deus e não ao dinheiro. (Lc 16,1-13) Ilustra com a Parábola do ADMINISTRADOR infiel, que ao ser despedido, reduz o valor da dívida dos devedores para garantir futuros amigos.

À primeira vista, poderia dar a impressão de que Jesus elogia a desonestidade e a corrupção do administrador. Para compreender o ensinamento do Mestre, devemos nos situar no tempo. Naquela época, os administradores deviam entregar ao empresário uma determinada quantia; o que conseguissem a mais ficava com eles. O que fez o administrador? Renunciou ao que lhe cabia nos negócios. Ele entendeu que, no futuro, mais do que dinheiro, precisava de amigos. Por isso, renunciou ao dinheiro, para conquistar amigos.

*A "esperteza" do administrador revela a criatividade, que falta aos "filhos da luz". Devemos também usar essa "esperteza" para tornar sempre atual a mensagem de Cristo.

A Busca desenfreada pelo dinheiro continua... O dinheiro é o deus de muita gente, que está disposta a tudo desde que faça crescer a conta bancária.

- Para ganhar mais dinheiro, há quem trabalha doze ou quinze horas por dia, num ritmo de escravo, e esquece de Deus, da família, dos amigos e até própria de saúde;

- por dinheiro, há quem vende a sua dignidade, a sua consciência e renuncia a princípios em que acredita;

- por dinheiro, há quem não tem escrúpulos em sacrificar a vida ou o nome dos seus irmãos;

- por dinheiro, há quem é injusto, explora os operários, se recusa a pagar um salário justo...

Talvez nunca cheguemos a estes casos extremos; mas, até onde seríamos capazes de ir, por causa do dinheiro?

A adoração ao "deus dinheiro" não é o caminho mais seguro para construir valores duradouros, geradores de vida e de felicidade.

* Jesus não quer dizer que o dinheiro seja uma coisa desprezível e imoral, do qual devamos fugir a todo o custo.

O dinheiro é necessário para uma vida com qualidade e dignidade… Mas ele não pode se tornar uma obsessão, uma escravidão, pois não nos assegura (e muitas vezes até perturba) a conquista dos valores duradouros e da vida plena.

O Dinheiro é um "ídolo tirano", que nos escraviza e nos torna insensíveis a Deus e às necessidades dos outros.

+ Jesus conclui com sentenças sobre o bom uso das riquezas:

- "Ninguém pode servir a DOIS SENHORES... a Deus e ao Dinheiro..."

* Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios...

Os discípulos são convidados a fazer a sua escolha entre o Mundo do DINHEIRO (de egoísmo, interesses, exploração, injustiça) e o Mundo do AMOR (da doação, da partilha, da fraternidade).

- As riquezas não devem ser obstáculo à Salvação, mas um meio para fazer amigos "nas moradas eternas."

Um instrumento de Comunhão entre as pessoas, de amizade, de igualdade... Não servir ao dinheiro, mas nos servir do dinheiro para servir a Deus e aos irmãos...

- Honestidade tanto nos grandes como pequenos negócios, porque quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, quem é infiel no pouco, também é infiel no muito. Quem não é fiel nas riquezas terrenas (no pouco), também não é fiel nas riquezas eternas (no muito). Qual é a nossa atitude diante dos bens terrenos?

Só Deus é o dono de tudo o que existe... Nós somos apenas administradores... A qualquer momento, Cristo poderá também nos dizer: "Presta conta da tua administração!"

- Como estamos administrando? Já garantimos a nossa morada eterna?

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 22.09.2013

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 13 Setembro 2013 09:55

"Somos todos vigiados"

Nós já temíamos (1). Tanto a literatura de (1984, de George Orwell), como o cinema (Minority Report, de Steven Spielberg) haviam avisado: com o progresso da tecnologia da comunicação, todos acabaríamos sendo vigiados. Presumimos que essa violação de nossa privacidade seria exercida por um Estado neototalitário. Aí nos equivocamos. Porque as revelações inéditas do ex-agente Edward Snowden sobre a vigilância orwelliana acusam diretamente os Estados Unidos, país considerado como “pátria da liberdade”. Aparentemente, desde a promulgação, em 2001, da lei Patriot Act (2), isso ficou no passado. O próprio presidente Barack Obama acaba de admitir: “Não se pode ter 100% de segurança e 100% de privacidade”. Bem-vindos, portanto a era do “Grande Irmão”… 

O que revelou Snowden? Este antigo assistente técnico da CIA, de 29 anos, que trabalhava para uma empresa privada – a  Booz Allen Hamilton (3) – subcontratada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sua sigla em inglês), vazou para os jornais The Guardian e Washington Post, a existência de programas secretos que tornam o governo dos Estados Unidos capaz de vigiar a comunicação de milhões de cidadãos.

Um primeiro programa entrou em operação em 2006. Consiste em espiar todas as chamadas telefônicas feitas pela companhia Verizon, dentro dos Estados Unidos, e as que se fazem de lá ao exterior. Outro programa, chamado PRISM, foi posto em marcha em 2008. Coleta todos os dados enviados, pela internet (e-mails, fotos, vídeos, chats, redes sociais, cartões de crédito), por (a princípio…), estrangeiros que moram fora do território norte-americano. Ambos os programas foram aprovados em segredo pelo Congresso norte-americano, que teria sido, segundo Barack Obama, “constantemente informado” sobre seu desenvolvimento.

Sobre a dimensão da incrível violação dos nossos direitos civis e nossas comunicações, a imprensa deu detalhes escabrosos. Em 5 de junho, por exemplo, o Guardian publicou a ordem emitida pela Tribunal de Supervisão de Inteligencia Externa, que exigia à companhia telefônica Verizon entregar à NSA os registros de milhões de chamada de seus clientes. O mandato não autoriza, aparentemente, saber o conteúdo das comunicações, nem os titulares dos números de telefone, mas permite o controle da duração e destino dessas chamadas. No dia seguinte, o Guardian e o Washington Post revelaram a realidade do programa secreto de vigilância PRISM, que autoriza a NSA e o FBI a acessar os servidores das nove principais empresas da internet (com a notável exceção do Twitter): Microsoft, Yahoo, Gogle, Facebook (4), PalTalk, AOL, Skype, YouTube e Apple.

Por meio dessa violação, o governo estadunidense pode acessar arquivos, áudios, vídeos, e-mails e fotografias de usuários dessas plataformas. O PRISM converteu-se, desse modo, na ferramenta mais útil da NSA para fornecer relatórios diários aos presidente Obama. Em 7 de junho, os mesmo jornais publicaram um diretiva da Casa Branca que ordenava, a suas agencias (NSA, CIA, FBI), estabelecer uma lista de possíveis países suscetíveis de serem “ciberatacados” por Washigton. E em 8 de junho, o Guardian revelou a existência de outro programa, que permite à NSA classificar os dados recolhidos na rede. Esta prática, orientada a ciber-espionagem no exterior, permitiu compilar  – só em março – cerca de 3 bilhões de dados de computador nos Estados Unidos…

Nas últimas semanas, ambos os jornais conseguiram revelar, sempre graças a vazamentos de Edward Snowden, novos programas de ciberespionagem e vigilância da comunicação em países no resto do mundo. Edward Snowden explica “A NSA construiu uma infra-estrutura que lhe permite interceptar praticamente qualquer tipo de comunicação. Com esta técnica, a maioria das comunicações humanas são armazenadas para servir em algum momento a um objetivo determinado”.

A Agência de Segurança Nacional (NSA), cujo quartel-general fica em Fort Meade (Maryland), é a mais importante e mais desconhecida agência de inteligência norte-americana. É tão secreta que a maioria dos norte-americanos ignora sua existência. Controla a maior parte do orçamento destinado aos serviços de inteligência, e produz mais de cinquenta toneladas de material por dia… É ela – e não a CIA – a proprietária e operadora da maior parte do sistema de coleta de dados da inteligência secreta dos EUA. Desde uma rede mundial de satélites até as dezenas de postos de escuta, milhares de computadores e as florestas de antenas localizadas nas colinas de West Virginia. Uma de suas especialidades é espiar os espiões — ou seja, os serviços secretos de inteligência de todas as potências, amigas e inimigas. Durante a guerra das Malvinas (1982), por exemplo, a NSA decifrou o código secreto dos serviços de inteligencia argentinos, o que lhe possibilitou transmitir, aos britânicos, informações cruciais sobre as forças argentinas.

O vasto sistema de interceptação da NSA pode captar discretamente qualquer e-mail, qualquer consulta de internet ou telefonema internacional. O conjunto total da comunicação interceptada e decifrada pela NSA, constitui a principal fonte de informação clandestina do governo estadounidense.

A NSA colabora estreitamente com o misterioso sistema Echelon. Criado em segredo, depois da Segunda Guerra Mundial, por cinco potências anglo-saxônicas — Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia (os “cinco olhos”). o Echelon é um sistema orwelliano de vigilância global, que se estende por todo o mundo, monitora os satélites usados para transmitir a maioria dos telefonemas, comunicação na internet, e-mails, redes sociais etc. O Echelon é capaz de capturar até dois milhões de conversas por minuto. Sua missão clandestina é a espionagem de governos, partidos políticos, organizações e empresas. Seis bases espalhadas pelo mundo recolhem informações e interceptam de forma indiscriminada enormes quantidades de comunicação. Em seguida, os super-computadores da NSA classificam este material, por meio da introdução de palavras-chaves em vários idiomas.

Em torno do Echelon, os serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido estabeleceram uma larga colaboração secreta. E agora sabemos, graças às novas revelações de Edward Snowden, que a espionagem britânica também grampeia clandestinamente cabos de fibra ótica, o que lhe permitiu espionar as comunicações das delegações presentes na reunião de cúpula do G-20, em Londres, em abril de 2009. Sem distinguir entre amigos e inimigos (5).

Por meio do programa Tempora, os serviços britânicos não hesitam em armazenar enormes quantidades de informação obtidas ilegalmente. Por exemplo, em 2012, manejaram cerca de 600 milhões de “conexões telefônicas” por dia e grampearam, em perfeita ilegalidade, mais de 200 cabos… Cada cabo transporta 10 gigabites (6) por segundo. Em teoria, poderia processar 21 petabytes (7) por dia; equivalente a toda a informação da Biblioteca Britânica, enviada 192 vezes ao dia.

O serviços de inteligência constatam que a internet já tem mais de 2 bilhões de usuários no mundo e que quase 1 bilhão utiliza o Facebook de forma habitual. Por isso, fixaram como objetivo, transgredindo leis e princípios éticos, controlar tudo que circula na internet. E estão conseguindo: “Estamos começando a dominar a internet”, confessou um espião inglês, “e nossa capacidade atual é bastante impressionante”. Para melhorar ainda mais esse conhecimento sobre a internet, o Quartel-Geral de Comunicações do Governo [Government Communications Headquarters, ou GCHQ, a agência de espionagem britânica] lançou recentemente novos programas: Mastering The Internet (MTI) sobre como dominar a Internet, e Programa de Modernização da Interceptação [Interception Modernisation Programme] para uma exploração orwelliana das telecomunicações globais. Segundo Edward Snowden, Londres e Washington já acumulam, diariamente, uma quantidade astronômica de dados, interceptados clandestinamente através das redes mundiais de fibra ótica. Ambos países dispõem de um total de 550 especialistas para analisar essa titânica informação.

Com a ajuda da NSA, a GCHQ aproveita-se de que grande parte dos cabos de fibra ótica por onde trafegam as telecomunicações planetárias passam pelo Reino Unido. Este fluxo é interceptado com programas sofisticados de informática. Em síntese, milhões de telefonemas, mensagens eletrônicas e dados sobre visitas na internet são armazenados sem que os cidadãos saibam, a pretexto de reforçar a segurança e combater o terrorismo e o crime organizado.

Washington e Londres colocaram em marcha o plano orwelliano do “Grande Irmão”, com capacidade de saber tudo que fazemos e dizemos em nossas comunicações. E quando o presidente Obama menciona a suposta “legitimidade” de tais práticas de violação de privacidade, está defendendo o injustificável. Além disso, há de se lembrar que, por interceptarem informação sobre perigosos grupos terroristas com base na Flórida – ou seja, uma missão que, segundo a lógica do presidente Obama seria “perfeitamente legitima” — cinco cubanos foram detidos em 1998 e condenados (8) pela justiça dos EUA a largas e imerecidas penas de prisão (9).

O presidente Barack Obama esta abusando de seu poder e diminuindo a liberdade de todos os cidadãos do mundo. “Eu não quero viver numa sociedade que permite este tipo de ação”, protestou Edward Snowden, quando decidiu fazer suas impactantes revelações. Divulgou os fatos, e não por acaso, exatamente quando começou o julgamento do soldado Bradley Manning, acusado de vazar segredos Wikileaks, organização internacional que divulga informações secretas de fontes anônimas. Enquanto isso, o ciber-ativista Julian Assange está refugiado há um ano na Embaixada do Equador em Londres… Snowden, Manning e Assange, são defensores da liberdade de expressão, lutam em favor da democracia e dos interesses de todos os cidadãos do planeta. Hoje são assediados e perseguidos pelo “Grande Irmão” norte-americano (10).

Por que os três heróis de nosso tempo assumiram correr semelhante riscos, que podem custar sua própria vida? Edward Snowden, obrigado a pedir asilo político no Equador e em vinte países, responde “Quando se dá conta de que o mundo que ajudou a criar será pior para as próximas gerações, e que os poderes desta arquitetura de opressão se estendem, você entende que é preciso aceitar qualquer risco. Sem se preocupar com as consequências”.

(1) Ver, de Ignacio Ramonet, “Vigilancia absoluta”, na Biblioteca Diplô, agosto de 2003.

(2) Proposta pelo presidente George W. Bush e adotada no contexto emocional que se seguiu aos ataques de 11 de setembro de 2001, a lei “Patriot Act” autoriza controles que interferem com a vida privada, suprimem o sigilo da correspondência e liberdade de informação. Não requer a permissão para escutas telefônicas. E os investigadores podem acessar informações pessoais dos cidadãos sem mandado.

(3) Em 2012, a empresa faturou 1,3 bilhão para “missões de assistência de inteligência.”

(4) Recentemente, soube-se que Max Kelly, chefe de segurança no Facebook, encarregado de proteger as informações pessoais dos usuários da rede social contra ataques externos, deixou a empresa em 2010 e foi contratado… pela NSA.

(5) Espiar diplomatas estrangeiros é legal no Reino Unido: protegido por uma lei aprovada pelos conservadores britânicos, em 1994, que coloca o interesse econômico nacional acima da diplomacia.

(6) O byte é uma unidade de informação em computação. Um gigabyte é uma unidade de armazenamento cujo símbolo é GB, igual ou a bilhão de bytes, o equivalentes a uma van repleta de páginas de texto.

(7) Um petabyte (PT) é igual a um quatrilhão de bytes — ou um milhão de gigabyte.

(8) A missão dos cinco Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González, era infiltrar-se e observar o processo de grupos de exilados cubanos para evitar atos de terrorismo contra Cuba. Porém o juiz condenou eles à prisão perpétua, disse a Anistia Internacional em um comunicado que “durante o julgamento não mostrou qualquer prova de que os acusados ​​tinham informações classificadas realmente tratado ou transmitida.”

(9) Ler de Fernando Morais, Os últimos soldados da guerra fria, Companhia das Letras

(10 )Edward Snowden corre o risco de ser condenado a trinta anos de prisão após ter sido formalmente acusado pelo governo dos EUA de “espionagem”, “roubo” e “uso ilegal de propriedade do governo.”

Por Ignacio Ramonet

Diretor do Le Monde

Fonte: www.outraspalavras.net

(Tradução Cauê Ameni)


Publicado em Palavra Viva
Sexta, 13 Setembro 2013 09:11

O gesto mais escandaloso (24° Dom TC)

O gesto mais provocativo e escandaloso de Jesus foi, sem dúvida, sua forma de acolher com simpatia especial a pecadoras e pecadores, excluídos pelos dirigentes religiosos e marcados socialmente por sua conduta a margem da Lei. O que mais os irritava era seu costume ao comer amigavelmente com eles.

Normalmente, esquecemos que Jesus criou uma situação surpreendente na sociedade de seu tempo. Os pecadores não fogem dele. Ao contrário, sentem-se atraídos por sua pessoa e sua mensagem.

Lucas nos diz que “os pecadores e publicanos acostumavam a aproximar-se de Jesus para escutá-lo”. Encontram nele uma acolhida e compreensão que não encontram em nenhuma outra parte.  Entretanto, tanto os setores farisaicos como os doutores da Lei, os homens de maior prestígio moral e religioso diante do povo, só sabem criticar escandalizados o comportamento de Jesus: “Esse acolhe os pecadores e come com eles”. Como pode um homem de Deus comer na mesma mesa com aquela gente pecadora e indesejável?

Jesus nunca fez caso de suas críticas. Sabia que Deus não é um Juiz severo e rigoroso que falam com tanta segurança aqueles mestres que ocupavam os primeiros lugares nas sinagogas. Ele conhece bem o coração do Pai. Deus entende aos pecadores; oferece seu perdão a todos; não exclui ninguém; perdoa tudo. Ninguém pode ocultar ou desfigurar seu perdão insondável e gratuito.

Por isso, Jesus lhes oferece sua compreensão e sua amizade. Aquelas prostitutas e arrecadadores de impostos devem se sentir acolhidos por Deus. São os primeiros. Nada devem temer. Podem sentar-se a sua mesa, podem beber o vinho e cantar cânticos junto a Jesus. Sua acolhida vai lhes curando por dentro. Ele os liberta de sua vergonha e humilhação. Devolve-lhes a alegria de viver.

Jesus os acolhe como são sem exigir-lhes previamente nada. Ele vai lhes contagiando com sua paz e sua confiança em Deus, sem estar seguro de que responderão mudando de conduta. Faz simplesmente confiando totalmente na misericórdia de Deus que já os espera com os braços abertos, com um Pai Bom que corre ao encontro do filho perdido.

A primeira tarefa de uma Igreja fiel a Jesus não é condenar aos pecadores, mas compreendê-los e acolhe-los amigavelmente. Em Roma, pude comprovar ha alguns meses que, sempre que o Papa Francisco em que Deus perdoa sempre, perdoa tudo, perdoa a todos.... As pessoas aplaudiam com entusiasmo. Seguramente é o que muita gente de fé pequena e vacilante necessita escutar hoje com claridade da Igreja.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 13 Setembro 2013 08:23

Por que os maus sempre sobreviveram?

Eles detêm novas armas e tecnologias a serviço da mentira e do horror!

Impressionante, Brecht é sempre uma fonte inesgotável de falas que se mantém atuais, sempre dominando o tempo. Ele responde à pergunta cima: “Porque as forças do mal são mais fortes. As novas invenções caem sempre nas mãos deles e eles vão utilizá-las sempre das maneiras mais destrutivas”. E, agora, seja nos novos meios de comunicação, seja na internet, seja no Facebook.

Quando o ex-presidente estadunidense George Bush levantou o problema da existência de armas de destruição em massa no Iraque, esse não foi na verdade o argumento que ele usou para justificar a invasão do território iraquiano. Sabendo que não existia esse perigo, inexistência confirmada por El-Baradei, daí é que Bush teve a certeza que podia invadir o Iraque sem riscos, iniciando a guerra sem receios, destruindo cidades antiqüíssimas, causando a matança de milhares, levando a população inocente a uma destruição que já dura uma década e que dia a dia tem novas vítimas, sem parar.

E isso feito em nome da “maior democracia do mundo” já virou uma grotesca piada.

Assumindo como potencia mundial o papel de defender a democracia em todos os países do planeta, espalhando esquadrilhas de aviões com bombas nucleares em todo o mundo, vigiando com olhos de condor os países onde há divisões internas, utilizando essas divisões para abrir brechas para a intervenção de suas tropas ou de mercenários, ultimamente passaram a usar grupos anônimos, provocando instabilidades até derrubar as verdadeiras democracias.

João Goulart não foi eleito democraticamente? Allende não foi eleito democraticamente? Trocados por generais sanguinários no Brasil em 1º de abril de 1964 e no Chile em 11 de setembro de 1973, plantando um horror como Pinochet. E um ultimo golpe, provocado por Washington no Egito – não foi um golpe brutal? Será que Mursi não foi o primeiro presidente eleito no Egito depois da Primavera Árabe? Será que ele não foi derrubado por um golpe? Será que o mais de 1 bilhão de dólares que os EUA enviam anualmente ao exército egípcio não foi dominante nessa situação?

O Grande Irmão domina a cada segundo seus vassalos, seja a Grã-Bretanha, Espanha, Portugal ou Itália, dando a ordem de não deixar voar sobre seus territórios o avião do presidente boliviano Evo Morales, quebrando da maneira mais brutal leis internacionais, utilizando os tribunais contra crimes internacionais em Haia, estabelecidos contra os inimigos das potencias mundiais. O presidente da antiga Iugoslávia, Milosevic, tinha todos os direitos morais e jurídicos de defender a Iugoslávia unida contra as provocações de minorias separatistas, mas o Ocidente deu a esses separatistas armas e no fim invadiu a Iugoslávia militarmente, no inicio com bombardeios, depois com exércitos da OTAN e dos Estados Unidos. Haia não teve possibilidade de provar as acusações porque Milosevic morreu na prisão.

Alguém fez a conta de quantas vitimas inocentes Washington causou nos últimos dez ou onze anos no Oriente Médio? E os EUA e seus cúmplices já foram condenados? Alguém levou esses criminosos de guerra ao banco dos réus em Haia? Foi estabelecido que os EUA vão sustentar Haia, mas Haia não pode julgar cidadãos americanos. O maior teatro de absurdo, que dá para assustar todo o mundo, é essa ultima notícia de que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode ser espionada pelos Estados Unidos. Essa noticia é que devia levar às ruas multidões enormes contra os Estados Unidos.

Passaram 49 anos desde que assistimos a um filme desses aqui no Brasil. Foi então que começou a intervenção da CIA, o primeiro passo que levou à Operação Condor. Quem são agora esses anônimos que estão intervindo de fora? De novo vamos estar despreparados para um evento desses? Contra quem a gente protesta nas ruas? Essa divisão interna não vai ser aproveitada pelos EUA de novo? Os países da America do Sul continuam sendo um quintal do Grande Irmão?

Os Estados Unidos não tem interesse em democracia. Quando entregaram o Iraque nas mãos dos xiitas, as mulheres que já tinham conquistado sob Saddam Hussein o direito de estudar e de exercer profissões, sendo iraquiana uma das maiores arquitetas do mundo, passaram a ser tolhidas. E ainda os xiitas iraquianos são os maiores aliados dos seus confrades iranianos. E nem interessa aos Estados Unidos o desenvolvimento das reformas agrárias no Brasil, e daí tem cúmplices no País, contra a reforma agrária e o Bolsa Família. Essas divisões internas que são criadas são ligadas a interesses de fora e são financiadas de fora; o vandalismo tem ligação com gente de fora. Continuaremos sendo ingênuos?

Gershon Knispel

Artista plástico

(Fonte: Revista Caros Amigos nº 197 Agosto de 2013 pg. 33)

Publicado em Palavra Viva
Quarta, 11 Setembro 2013 12:38

De braços abertos (24° Dom TC)

A Mensagem bíblica da Liturgia de hoje nos fala da grande MISERICÓRDIA de Deus, que está sempre de braços abertos para acolher os pecadores arrependidos.

A 1ª Leitura mostra a MISERICÓRDIA de Deus para com o Povo infiel. Após ter recebido inúmeros favores de Deus na Libertação do Egito, o Povo rompe com a Aliança e adora um bezerro de ouro. Moisés intercede. Deus perdoa e desiste de castigar. (Ex 32,7-11.13-14)

* O BEZERRO DE OURO não pretende ser um novo deus, mas uma "imagem" de Javé, o que era proibido, para salvar a transcendência de Javé e evitar os símbolos e imagens dos cultos pagãos...

Na 2ª Leitura: PAULO fala da MISERICÓRDIA de Deus para com ele: Recorda o seu passado de perseguidor violento da Igreja. Mas, pela graça e misericórdia de Deus, tornou-se um Apóstolo... E hoje manifesta toda a sua alegria e gratidão pelo que a graça e a misericórdia de Deus fez nele... (1Tm, 1,12-17)

No Evangelho: Jesus fala da MISERICÓRDIA de Deus para com os Pecadores: (Lc 15,1-32)

- Na Introdução, os fariseus criticam Cristo porque "acolhe gente de má fama e come com eles..."

- Essa crítica provoca a Resposta de Jesus com as TRÊS PARÁBOLAS DA MISERICÓRDIA que ilustram a atitude misericordiosa de Deus para com os pecadores:

- A Ovelha perdida - A Moeda perdida - O Filho pródigo (perdido)

+ Elas manifestam a Alegria de encontrar o que estava perdido;

A alegria é tão grande, que precisa ser partilhada com os outros;

É preciso festejar, tamanha é a felicidade.

 

+ Elas nos apresentam também Três Realidades:

1. A Existência do PECADO: Apesar da tendência generalizada que nega qualquer forma de pecado,

devemos sustentar a existência do Pecado:

Nas leituras de hoje, encontramos vários exemplos:

- A IDOLATRIA dos judeus...

- A PERSEGUIÇÃO de Paulo

- A Atitude de INJUSTIÇA do Filho pródigo para com o Pai e a vida desordenada com meretrizes...

- A negativa de PERDÃO do irmão mais velho...

- O PURITANISMO dos fariseus e escribas, que murmuravam...

 

2. A MISERICÓRDIA de Deus:

- O Pai respeita a liberdade do filho, mesmo quando busca a felicidade por caminhos errados... Continua a amar e a esperar o seu regresso. E quando volta...

- Corre ao encontro, mesmo antes do filho pedir perdão...

- O Beijo revela o perdão, a acolhida, a alegria...

- A veste: manifesta que devolve a dignidade... uma vida nova

- O anel: simboliza o poder... é recebido "como filho", não como empregado...

- As sandálias: são próprias do homem livre, não do escravo...

- Festeja com a alegria o retorno.

* É a atitude de Deus para com os filhos afastados...

O Filho desprezou sua dignidade de filho, o Pai nunca abandonou seu amor de Pai.

- Por que será que o filho mais novo quis ir embora?

Porque desejava uma vida liberdade, longe dos olhos e controle do pai, ou porque o comportamento do seu irmão tornava a vida pesada e insuportável naquela casa?

 

3. A CONVERSÃO do pecador.

O Pecado existe, é uma ação humana que se opõe a Deus.

Todo pecado é uma ofensa a Deus... Mas a misericórdia de Deus é maior do que todos os nossos pecados... Contudo supõe uma atitude de retorno: CONVERSÃO.

Assim entenderemos a preferência de CRISTO pelos pecadores, que humildemente reconheciam suas culpas e procuravam sinceramente uma conversão. E compreenderemos também as censuras de Jesus aos fariseus, representados na Parábola pelo filho mais velho, que não aceita perdoar...Todos nós somos pecadores... quem mais e quem menos.. A Igreja não é feita de santos, mas de pecadores perdoados...

- A Liturgia afirma: "Somos povo santo e pecador..."

- S. Paulo: "Jesus veio salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles". (1Tm 1,15)

+ As Parábolas da misericórdia nos revelam um Deus que ama todos.

As transgressões dos filhos não anulam o Amor do Pai. Se essa é a atitude de Deus, qual deve ser a nossa para com aqueles que se afastaram de Deus e da Comunidade?

A Atitude de Cristo ou a dos fariseus? Do Pai ou do Filho mais velho?

Como viver a misericórdia em nossa Vida, em nossa Família?

Renovemos a nossa fé em Deus, Pai de bondade e misericórdia, e fiquemos de BRAÇOS ABERTOS também para nossos irmãos.

 

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 15.09.2013

Publicado em Roteiro Homilético
Quinta, 05 Setembro 2013 06:29

De qualquer maneira, não! (23° Dom TC)

Jesus está a caminho de Jerusalém. O Evangelista nos diz que “muita gente o acompanha”. Porem, Jesus não se ilude. Não se deixa enganar pelo entusiasmo das pessoas. Hoje, algumas pessoas se preocupam como diminuem o numero de cristãos. Para Jesus o que lhe interessava era a qualidade de seus seguidores e não a quantidade.

Logo “se volta” e começa a falar para aquela multidão das exigências concretas para aqueles que querem acompanhá-lo de maneira lúcida e responsável. Não quer que as pessoas o sigam de qualquer maneira. Ser discípulo de Jesus é uma decisão que deve marcar a pessoa pela vida inteira.

Jesus lhes fala em primeiro lugar da família. Aquelas pessoas tem sua própria família: pais, mães, mulheres e filhos, irmãos e irmãs. São seus entes mais queridos e cativantes. Mas, se não deixam de lado os interesses familiares para colaborar com Ele em promover uma família mais humana, não apenas baseada em laços de sangue, mas construída a partir da justiça e da solidariedade fraterna, não poderão ser seus discípulos.

Jesus não está pensando em desfazer os lares eliminando o carinho e a convivência familiar. Mas, se alguém põe acima de tudo a honra de sua família, a herança ou o bem estar familiar, não poderá ser seu discípulo nem trabalhar com Ele no Projeto de um mundo mais humano.

Além disso. Se alguém pensa só em si mesmo e em suas coisas, se vive só para desfrutar de seu bem estar, se se preocupa unicamente em seus interesses, que não se engane, não pode ser discípulo de Jesus. Falta-lhe a liberdade interior, coerência e responsabilidade para levar a serio o trabalho.

Jesus continua falando com dureza: “Quem não carrega sua cruz para me seguir, não pode ser meu discípulo”. Se alguém vive evitando problemas e conflitos, se não sabe assumir riscos e penalidades, se não está disposto a suportar sofrimentos pelo Reino de Deus e sua Justiça, não pode ser discípulo de Jesus.

Não se pode ser cristão de qualquer maneira. Não podemos confundir a vida cristã com maneiras de viver que desfiguram e esvaziam de conteúdo ao seguimento humilde, mas responsável de Jesus.

“É surpreendente a liberdade do Papa Francisco ao denunciar estilos de cristãos que pouco tem que ver com os discípulos de Jesus: “cristãos de boas maneiras, mas de maus costumes”, “crentes de museus”, hipócritas de casuística”, “cristãos incapazes de viver contra a corrente”, cristãos “corruptos” que só pensam em si mesmos, “cristãos educados” que não anunciam o Evangelho...

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

 

Publicado em Roteiro Homilético
Quinta, 05 Setembro 2013 09:26

O seguimento de Jesus (23° Dom TC)

Estamos no Mês da BIBLIA. Ela é sempre uma luz em nossa caminhada cristã. Hoje ela nos fala do Seguimento de Jesus e suas EXIGÊNCIAS: Não é um caminho de facilidade, mas sim de renúncia...

A 1ª Leitura lembra que só em DEUS é possível encontrar a verdadeira felicidade e o sentido da vida. (Sb 9,13-19)

Na 2ª Leitura, Paulo aplica as conseqüências do seguimento de Jesus: intercede em favor de um escravo fugitivo (Onésimo), junto a seu "dono" (Filêmon). (Fm 9b-10.12.17)

O Evangelho aponta o "Caminho do Discípulo". (Lc 14,25-33)

- Jesus estava a caminho de Jerusalém... onde iria ser morto numa Cruz...

- O Povo o seguia numeroso, entusiasmado pela sua pessoa.

- Mas Cristo não era um demagogo, que fazia promessas fáceis, para atrair multidões a qualquer preço. Ele sabia que entre eles havia:

* Bons, desejosos da boa palavra... que buscavam sinceramente o Messias...

* Curiosos: em satisfazer o desejo de novidade...

* Interesseiros: na esperança de participar da glória e da fama...

* Inimigos: à espreita de uma ocasião para acusá-lo e condená-lo.

 

+ Sem medo de perder alguns simpatizantes, Jesus aponta TRÊS CONDIÇÕES para segui-lo:

1. DESAPEGO afetivo: aos familiares... até à própria vida: "Quem não 'odeia' o seu pai, sua mãe... até a própria vida, não pode ser meu discípulo..."

* ODIAR aqui não significa rejeitar os sagrados laços familiares, mas priorizar os valores do Reino.

2. DISPONIBILIDADE em carregar a Cruz: "Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo..."

* A CRUZ é a imagem que melhor sintetiza toda a vida de Cristo.

O "Discípulo" é convidado a imitar o Mestre...

3. RENÚNCIA aos bens materiais: "Quem não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo..."

* Vivendo em função deles, não sobra espaço para Deus, nem relações de partilha e solidariedade com os irmãos...

+ Seguir o Mestre, não deve ser uma atitude passageira, nascida num momento de entusiasmo, mas sim, uma decisão ponderada, amadurecida e coerente até o fim.

+ Duas pequenas PARÁBOLAS, a TORRE a construir e a GUERRA a conduzir, ilustram a necessidade de planejar, empenhando-se cada dia na vivência cristã.

*O Povo não podia se deixar levar pelo entusiasmo momentâneo, pelo contrário, devia calcular bem, se está em condições de perseverar...

*O seguimento de Cristo é...

- um caminho fácil, onde cabe tudo?  ou

- um caminho exigente, onde só cabem os que aceitam a radicalidade de Jesus?

A nossa Pastoral deve facilitar tudo, ou ir pelo caminho da exigência?

- A grande maioria no nosso povo se diz "cristão"... seguidor de Cristo... Recebe os Sacramentos de Iniciação... Reconhece os valores de Deus e da Fé... mas a vivência cristã deixa a desejar...

- Muitas vezes, ficamos felizes, quando vemos a igreja lotada...

Mas qual é o verdadeiro motivo que leva muitas pessoas à igreja?

Todos os que participam com entusiasmo das cerimônias solenes, das procissões, das romarias... estão realmente conscientes dos compromissos que a fé cristã envolve?

- O que nos diria a respeito, o Evangelho de hoje?

Será que Cristo está mais interessado no número, ou na qualidade?

+ Há dois tipos de Religião:

- As REVELADAS: como a nossa... em que a Bíblia é a fonte de inspiração... É Deus que se revela e nós aceitamos o que essa revelação nos propõe...

- As CRIADAS: que foram inventadas pelos homens, segundo o modelo que mais satisfaz seu modo de pensar e de agir... Qual nos dá mais segurança de realizar o Plano de Deus?

Uma religião mais fácil pode até ser mais atraente... mas certamente não será a mais fiel à proposta de Cristo...

à Estamos nós dispostos a ser verdadeiros Discípulos de Cristo, pelo caminho duro e exigente, que o evangelho de hoje nos propõe?

Peçamos a Deus nessa celebração muita LUZ para compreender essa verdade... e muita FORÇA para sermos fiéis à escolha feita...

Procuremos nesse mês dedicado à Bíblia, valorizar ainda mais a Palavra de Deus dedicando-lhe um tempo especial dentro do nosso dia, para uma atenciosa LEITURA ORANTE DA BÍLIA.

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 08.09.2013

Publicado em Roteiro Homilético