"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Terça, 30 Julho 2013 13:24

Papa Francisco não é juiz dos gays

O que o papa disse na entrevista aos jornalistas a  bordo do avião que o transportava a Roma, a respeito dos gays, parece ser uma continuação da sua mensagem durante uma semana  aos jovens da JMJ-Rio.

O carinho com que ele foi cercado por todos não se deve unicamente ao seu charme, mas ao fato de que ele manifestou a todos a misericórdia de Deus em Jesus Cristo. Sua mensagem foi sempre a do Evangelho, uma mensagem libertadora, que requer justiça, solidariedade, amor, alegria e paz.

Assim como Jesus Cristo, o papa não veio para julgar nem condenar. Mas ele sabe que o Evangelho não é uma superestrutura, ele supõe um lastro humano sobre o qual ele trabalha, para levar o ser humano à perfeição. Se quiséssemos usar uma expressão provocativa poderíamos – inspirados no Concílio do Vaticano II – dizer que “Jesus Cristo veio revelar o homem ao homem” (Cf. Gaudium et Spes, 22). Sob este aspecto, o importante não é ser cristão, é ser homem, pois na visão antropológica da Igreja, cristão é o verdadeiro homem, disposto a crescer até alcançar “a estatura de Cristo” (Ef 4,13).

Houve um tempo, na verdade ele ainda não acabou, em que os gays foram estigmatizados, e para isso até mesmo a Igreja, equivocadamente, colaborou. A sociedade os enquadrava num catálogo de doenças. Há religiões que tratam os gays como criminosos. Ainda hoje tomamos conhecimento de países onde a legislação civil e religiosa é tão retrógrada que leva gays à prisão e à morte, tal como fazem com mulheres consideradas adúlteras. Ora, nem a sociedade civil, nem a religiosa podem admitir tais situações.

O que o papa disse é a doutrina da Igreja. Todos os seres humanos têm uma dignidade que lhes vem do Criador. Cabe a cada ser humano reconhecer e aceitar a sua identidade, inclusive sexual. A diferença e a complementaridade  físicas, morais e espirituais estão orientadas para os bens do casamento e para o desabrochar da vida familiar. Esse é o caminho dado a todos, razão pela qual o casamento, na visão da Igreja, sempre será a união estável entre um homem e uma mulher para seu mútuo enriquecimento humano e santificação, mediante a doação de seus corpos, abertos para a geração e educação de filhos. Se a história nos revelar outras modalidades de união, desde que mantida a qualidade verdadeiramente humana – isto é, livres e respeitando as consciências – entre seres humanos, quem poderá se arvorar com o direito de desrespeitá-las ou julgá-las?

Ora, tudo na vida deve estar aberto ao aperfeiçoamento, razão pela qual não é desejável que se façam lobbies para impor visões e pragmáticas que ferem a sensibilidade dos simples, ou dos que ainda não se desvincularam de uma leitura fundamentalista de textos bíblicos (que fomenta a culpabilidade e discriminação de qualquer tipo de diferença existencial). A solução está (e o papa insistiu bastante sobre este aspecto) no diálogo. O universo da afetividade, com suas expressões na sexualidade, é fenômeno demasiadamente complexo e polivalente, que envolve enraizamentos biológicos, culturais e psíquicos das pessoas, com desdobramentos em outras forças nem sempre conhecidas pelas nossas pretensas sabedorias. O papa nos falou da cultura do encontro, mas ainda estamos longe de sequer nos aproximarmos, quanto mais compreendermos o mundo dos gays e de tantos outros que a nossa sociedade se compraz em ofender e humilhar.

Respeitar os homossexuais, achar que eles também podem aspirar à perfeição moral, renunciando às práticas que contrariam a exigente ética do Sermão da Montanha, é ser revolucionário, é ir contra a corrente. Assim como muitos não esperavam que “algo de bom pudesse vir de Nazaré” (Jo 1,46), assim também nos surpreenderíamos se Deus comunicasse a sua Palavra, através de quem nós menos esperaríamos?

Domingos Zamagna

Teólogo e biblista brasileiro

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Rio de Janeiro (RV) – O Papa Francisco despediu-se do Brasil. Após encontrar-se com os voluntários no Rio Centro, o Papa Francisco seguiu com sua comitiva rumo ao Aeroporto do Galeão, para embarcar no avião que o levaria a Roma. A recepcioná-lo estava o Vice-Presidente, Michel Temer.

No seu discurso, dirigindo-se ao Vice-Presidente e às autoridades civis e religiosas presentes, o Papa disse que já começava a sentir saudades, “saudades do Brasil, deste povo tão grande e de grande coração; este povo tão amoroso. Saudades do sorriso aberto e sincero que vi em tantas pessoas, saudades do entusiasmo dos voluntários. Saudades da esperança no olhar dos jovens no Hospital São Francisco. Saudades da fé e da alegria em meio à adversidade dos moradores de Varginha. Tenho a certeza de que Cristo vive e está realmente presente no agir de tantos e tantos jovens e demais pessoas que encontrei nesta inesquecível semana. Obrigado pelo acolhimento e o calor da amizade que me foram demonstrados. Também disso começo a sentir saudades”.

Após, Francisco agradeceu a todos que fizeram com que estes dias se transformassem numa "celebração estupenda da nossa fé fecunda e jubilosa em Jesus Cristo”, recordando também “tantas pessoas que, no silêncio e na simplicidade, rezaram para que esta Jornada Mundial da Juventude fosse uma verdadeira experiência de crescimento na fé. Que Deus recompense a todos, como só Ele sabe fazer”.

Neste clima de gratidão e saudades, o Santo Padre pensou aos jovens, “protagonistas desse grande encontro”:

“A partir do testemunho de alegria e de serviço de vocês, façam florescer a civilização do amor. Mostrem com a vida que vale a pena gastar-se por grandes ideais, valorizar a dignidade de cada ser humano, e apostar em Cristo e no seu Evangelho. Foi Ele que viemos buscar nestes dias, porque Ele nos buscou primeiro, Ele nos faz arder o coração para anunciar a Boa Nova nas grandes metrópoles e nos pequenos povoados, no campo e em todos os locais deste nosso vasto mundo. Continuarei a nutrir uma esperança imensa nos jovens do Brasil e do mundo inteiro: através deles, Cristo está preparando uma nova primavera em todo o mundo. Eu vi os primeiros resultados desta sementeira; outros rejubilarão com a rica colheita”!

O Papa dirigiu um pensamento final - sua “última expressão das saudades” - a Nossa Senhora Aparecida: “Naquele amado Santuário, ajoelhei-me em prece pela humanidade inteira e, de modo especial, por todos os brasileiros. Pedi a Maria que robusteça em vocês a fé cristã, que é parte da nobre alma do Brasil, como também de muitos outros países, tesouro de sua cultura, alento e força para construírem uma nova humanidade na concórdia e na solidariedade”.

“O Papa vai embora e lhes diz “até breve”, um “até breve” com saudades, e lhes pede, por favor, que não se esqueçam de rezar por ele. Este Papa precisa da oração de todos vocês. Um abraço para todos. Que Deus lhes abençoe!”. 

Às 19h35min o avião de Alitália decolou do Aeroporto do Galeão, levando Francisco! (JE)

Fonte: Radio Vaticano 29/07/2013

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Rio de Janeiro (RV) - O Santo Padre realizou no final da manhã desta quinta-feira um de seus compromissos mais aguardados desta sua primeira viagem apostólica internacional: a visita, em Manguinhos, à comunidade de Varginha, uma favela hoje pacificada.

A visita deu-se logo após o primeiro compromisso público do Santo Padre neste seu quarto dia em terras brasileiras, ou seja, o recebimento das "Chaves da Cidade" do Rio de Janeiro e a bênção das bandeiras dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. O ato, dividido em dois momentos, foi realizado no Palácio da Cidade, sede da prefeitura. 

Ao chegar à comunidade de Varginha, Francisco recebeu mais uma calorosa demonstração de carinho e afeto do povo que, entusiasta, acolheu o ilustre visitante.

Acolhido pelo pároco da comunidade, pelo vigário episcopal e pela Superiora das Irmãs da Caridade, o Papa dirigiu-se à pequena igreja dedicada a São Jerônimo Emiliani – fruto da missão dos Padres Somascos e das Irmãs Missionárias da Caridade –, onde se encontravam alguns membros da comunidade paroquial. Após um momento de oração, Francisco abençoou um novo altar e ofereceu um cálice de presente à paróquia. 

Depois deste primeiro momento, o Santo Padre seguiu a pé até o campo de futebol onde a comunidade se encontrava reunida. No caminho pôde parar algumas vezes para saudar os presentes, abençoar a todos, sobretudo, as crianças, fazer-lhes uma carícia, um gesto de carinho.

Antes de chegar ao campo teve lugar um momento particularmente significativo. O Papa entrou na residência de uma família: numa casa pequena encontravam-se presentes mais de 20 pessoas, entre crianças e anciãos. O Papa deteve-se com cada um deles, tomou uma criança nos braços, abençoou-a e posou para uma foto-recordação com cada um. No final, todos juntos, rezaram o Pai-Nosso e a Ave-Maria. 

Somente depois chegou então ao campo de futebol sendo acolhido com visível comoção e entusiasmo pela multidão. Ali um casal dirigiu-lhe uma breve saudação de boas-vindas, chamando-o de Pai Francisco:

Inicialmente afirmando que muitos se perguntavam sobre o motivo da escolha da visita àquela comunidade, sendo uma comunidade igual a tantas outras, concluíram dizendo ter encontrado a resposta: 

"Talvez somente agora, Pai, é possível encontrar a resposta porque esta comunidade está recebendo a sua visita. Porque somos pequenos, pobres, esquecidos, e mesmo diante dos aplausos e holofotes, permanecemos fiéis a Deus, simples, humildes e unidos. Esta comunidade, como todas as demais comunidades do Rio de Janeiro e, ousamos dizer, do mundo, hoje se sente visitada e recordada por aquele que é o “Doce Cristo na Terra”. Todas as periferias olham e se identificam com o ministério que o senhor, Pai Francisco, continua a exercer indo ao encontro daqueles que são “invisíveis” a sociedade. Obrigado, pelo testemunho e amor!"

O Papa iniciou o seu discurso com uma exclamação: 

"Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um "cafezinho", não um copo de cachaça, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil."

Após frisar como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade, alegria, e por isso agradecer a todos, ressaltou a generosidade da qual os pobres são particularmente prodigiosos, lançando em seguida um apelo: 

"E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão."

Além disso, o Santo Padre lembrou que a "medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza". 

Afirmando que a Igreja, advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas "que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem", o Papa disse:

"Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano." 

Ademais, antes de concluir Francisco quis deixar mais uma veemente exortação:

"Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10)." 

O Pontífice concluiu reiterando que eles não estão sozinhos, que a Igreja está com eles, o Papa está com eles, afirmando levar cada um em seu coração, confiando-os todos à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com carinho concedeu-lhes a sua Bênção. (RL)

Texto: Radio Vaticano 25/07/2013

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Aparecida (RV) - O Santo Padre presidiu nesta quarta-feira, no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Aparecida, SP, a santa missa, ato central desta sua visita à Padroeira do Brasil. A seguir, propomos, na íntegra, a homilia do Papa Francisco:
Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio, Queridos irmãos e irmãs!

Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério de Sucessor de Pedro. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano. 

Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.

Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.

1. Conservar a esperança. A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo - que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.

2. A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Parnaíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.

3. A terceira postura: Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007]: Insegnamenti III/1 [2007], 861).

Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.

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"Vinho novo em odres novos", foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada, na manhã deste sábado, na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, a última missa com a presença de grupos antes da pausa de verão. A celebração contou com a presença, dentre outros, de um grupo de recrutas da Guarda Suíça Pontifícia. 

"A doutrina da lei é enriquecida com Jesus, é renovada, e Jesus faz novas todas as coisas", disse ainda o pontífice. Jesus renova verdadeiramente a lei, a mesma lei, porém mais amadurecida e renovada.

O Papa sublinhou que as "as exigências de Jesus eram maiores do que as da lei." A lei permite odiar o inimigo, em vez disso, Jesus diz para rezar por ele. Este é o Reino de Deus que Jesus pregou. A renovação deve acontecer primeiramente em nossos corações. "Nós pensamos que ser cristão significa fazer isso ou aquilo, mas não é assim", disse o Santo Padre acrescentando: 

"Ser cristão significa deixar-se renovar por Jesus nesta nova vida. Eu sou um bom cristão, todos os domingos, de 11h ao meio-dia, vou à missa e faço isso como se fosse uma coleção. A vida cristã não é uma colagem de coisas. É uma totalidade harmoniosa, feita pelo Espírito Santo que renova tudo: renova o nosso coração, a nossa vida e nos faz viver num estilo diferente, num estilo que envolve toda a existência. Não se pode ser cristão pela metade, a tempo parcial. O cristão a tempo parcial não funciona! Tudo, totalidade a tempo integral. Esta renovação é o Espírito quem nos faz. Ser cristão não significa fazer coisas, mas deixar-se renovar pelo Espírito Santo ou para usar as palavras de Jesus, tornar-se vinho novo."

A novidade do Evangelho é uma novidade, mas na mesma lei que vem na história da salvação. Esta novidade vai além de nós mesmos, nos renova e renova as estruturas. Por isso, Jesus disse que para o vinho novo são necessários odres novos: 

"Na vida cristã e também na vida da Igreja existem estruturas antigas, estruturas superadas. É necessário renová-las! E a Igreja sempre esteve atenta a isso, com o diálogo com as culturas. Sempre se deixa renovar, segundo os lugares, tempos e pessoas. Este trabalho sempre foi feito pela Igreja! Desde o primeiro momento, lembramos a primeira batalha teológica: para tornar-se cristão é necessário cumprir toda a prática judaica ou não? Não! Eles disseram não! Os gentios podem entrar como como são: gentios. Entrar na Igreja e receber o Batismo. Primeira renovação da estrutura. E assim a Igreja sempre foi adiante, deixando que o Espírito Santo renove estas estruturas, estruturas da Igreja. Não tenha medo da novidade do Evangelho. Não tenha medo da novidade que o Espírito Santo faz em nós! Não tenha medo da renovação das estruturas."

"A Igreja é livre. É guiada pelo Espírito Santo. O Evangelho nos ensina a liberdade de encontrar sempre a novidade do Evangelho em nós, em nossas vidas e também nas estruturas", frisou ainda o pontífice. O Santo Padre reiterou a importância da "liberdade de escolher os odres novos", acrescentando que "o cristão é um homem livre", com a liberdade que Jesus nos dá. "O cristão não é escravo de hábitos e estruturas, mas é conduzido pelo Espírito Santo." O Papa recordou também que no dia de Pentecostes junto com os discípulos estava também Nossa Senhora: 

"Onde está a mãe, os filhos estão seguros! Peçamos a graça de não ter medo da novidade do Evangelho, de não ter medo da renovação que o Espírito Santo nos faz, de não ter medo de derrubar as estruturas superadas que nos aprisionam. Se temos medo, sabemos que a nossa Mãe está conosco. Como crianças com um pouco de medo, vamos até ela que nos protege com o seu manto e com sua proteção de mãe." (MJ)

Fonte: HTTP://pt.radiovaticana.va/news

 

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Quinta, 27 Junho 2013 22:36

Aparições de Nossa Senhora de Lourdes

«Abriu-se o Templo de Deus no céu» (Ap. 11, 19); o véu da fé rasgou-se e deixou-nos passar, a fim de vermos o céu, o que se passa lá em cima, a sua glória e perene juventude, a sua força e o seu poder. Isto é Lourdes: a porta do céu que se entreabre. Quando a ciência médica e cirúrgica pensava ter atingido o zênite de progresso, a Virgem Santíssima valia àqueles que os médicos desenganavam. Quando a ciência racionalista se ria do sobrenatural e tinha como infantis os Vaticanistas que aceitavam a palavra infalível do «ultrapassado» Pontífice, que a 8 de dezembro de 1854 definira solenemente a Imaculada Conceição, a muralha do sobrenatural deu passagem a Maria e ela apareceu no Sul da França a uma menina do campo, e disse-lhe também:

«Sou a Imaculada Conceição».


De 11 de fevereiro a 10 de julho, a bem-aventurada Virgem Imaculada dignou-se transmitir uma missão durante 18 aparições:

 

1ª aparição - 11 de fevereiro.

Na manhã dessa quinta-feira, as duas irmãs Bernadette e Antonieta, e uma amiga Joana Abadie, procuravam lenha junto à gruta de Massabielle, nas margens do rio Gave. As duas pequenas saltam sem dificuldade um regato. Bernadette descalça-se para meter os pés na água e passar ao outro lado. Entretanto - escreve ela - «vi numa cavidade do rochedo uma moita, uma só, que se agitava como se houvesse muito vento. Quase ao mesmo tempo saiu do interior da gruta uma nuvem dourada, e logo a seguir uma Senhora nova e bela, bela mais que todas as criaturas, como eu nunca tinha visto nenhuma. Veio pôr-se à entrada da concavidade, por cima do tufo de mato.

 Logo olhou para mim, sorriu-me e fez-me sinal para que me aproximasse, como o faria minha mãe. Tinha-me passado o medo, mas parecia-me que não sabia onde estava. Esfreguei os olhos, fechei-os, tornei-os a abrir; mas a Senhora estava lá sempre, continuando a sorrir e fazendo-me compreender que eu não estava enganada.

Sem saber o que fazia, tomei o terço e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um sinal de cabeça e passou para os seus dedos um rosário que trazia no braço direito. Quando quis começar a rezar e erguer a mão à testa, o meu braço ficou imóvel, como que paralisado. Só depois de a Senhora fazer o sinal da cruz é que eu o pude fazer também. A Senhora deixava me rezar sozinha. Ela apenas passava as contas pelos dedos, sem falar. Só no fim de cada mistério dizia comigo: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Quando acabou a reza, a Senhora voltou a entrar do interior do rochedo e a nuvem de ouro desapareceu com Ela».

A quem lhe perguntava como era a Senhora, Bernadette fazia esta descrição: «Tem as feições duma donzela de 16 ou 17 anos. Um vestido branco cingido com faixa azul até aos pés. Traz na cabeça véu igualmente branco, que mal deixa ver os cabelos, caindo-lhe pelas costas. Vem descalça, mas as últimas dobras do vestido encobrem-lhe um pouco os pés. Na ponta de cada um sobressai uma rosa dourada. Do braço direito pende um rosário de contas brancas encadeadas em ouro, brilhante como as duas rosas dos pés».

 

2ª aparição - 14 de fevereiro.

Tudo, mais ou menos, como na primeira. Temendo que fosse alguma alma do outro mundo, como lhe tinham dito, Bernadette asperge o penedo com água benta.

«Ela não se zanga» diz a pequena com satisfação. «Pelo contrário, sorri para todos nós». Nestas duas primeiras aparições, Nossa Senhora nada disse, além de rezar os Glórias dos mistérios.

 

3ª aparição - 18 de fevereiro.

A celestial aparição pergunta delicadamente à menina:

«Queres fazer-me o favor de vir aqui durante 15 dias?»

 - «Assim o prometo» - respondi.

«Também eu prometo fazer-te feliz, não neste, mas no outro mundo».

 

4ª aparição - 19 de fevereiro.

Enquanto a vidente rezava, uma multidão de vozes sinistras, que pareciam sair das cavernas da terra, cruzaram-se e entrechocaram-se, como os clamores duma multidão em desordem. Uma dessas vozes, que dominava as outras, gritava em tom estridente, raivoso, para a pastorinha: Foge! Foge daqui!

Nossa Senhora ergueu a cabeça, franziu ligeiramente a fronte e logo aquelas vozes fugiram em debandada.

 

5ª aparição - 20 de fevereiro.

Nossa Senhora ensinou pacientemente, palavra por palavra, uma oração só para Bernadette, que ela devia repetir todos os dias.

 

6ª aparição - 21 de fevereiro.

«A Senhora - escreve a vidente - desviou durante um instante de mim o seu olhar, que alongou por cima da minha cabeça. Quando voltou a fixá-lo em mim, perguntei-lhe o que é que a entristecia e Ela respondeu-me:

«Reza pelos pecadores, pelo mundo tão revolto.»

 

7ª aparição - 23 de fevereiro.

A Vidente, caminhando de joelhos e beijando o chão, vai do lugar onde se encontrava até à gruta. Nossa Senhora comunica-lhe um segredo que a ninguém podia revelar.

 

8ª aparição - 24 de fevereiro.

A Santíssima Virgem disse estas palavras:

«Reza a Deus pelos pecadores!

Penitência! Penitência! Penitência!

Beija a terra em penitência pela conversão dos pecadores!»

 

9ª aparição - 25 de fevereiro

 «A Senhora disse-me:

«Vai beber à fonte e lavar-te nela.»

Não vendo ali fonte alguma, eu ia ao rio Gave beber. Ela disse-me que não era ali. Fez-me sinal com o dedo mostrando-me o sítio da fonte. Para lá me dirigi. Vi apenas um pouco de lama. Meti a mão e não pude apanhar água. Escavei e saiu água mais suja. Tirei-a três vezes. À quarta já pude beber».

Era a água milagrosa que tantos prodígios tem realizado. Nossa Senhora mandou-lhe ainda fazer esta penitência pelos pecadores:

«Come daquela erva que ali está!»

Quando troçavam da pequena por tão estranha ordem, respondia: - «Mas vocês também não comem salada!?»

 

10ª e 11ª aparições - 27 e 28 de fevereiro.

Na primeira destas visitas, a Virgem Imaculada tornou a mandar beijar o chão em penitência pelos pecadores; na segunda sorriu e não respondeu quando a Vidente lhe perguntou o nome.

 

12ª aparição - 1º de março.

A Aparição manda a Bernadette rezar o terço pelas suas contas e não pelas duma companheira, Paulina Sans, que lhe tinha pedido para usar as suas.

 

13ª aparição - 2 de março.

A Virgem pede:

«Vai dizer aos sacerdotes que tragam o povo aqui em procissão e que me construam uma capela.»

 

14ª aparição - 3 de março.

A Senhora não aparece à hora habitual, mas sim ao entradecer e deu explicação.

«Não me viste esta manhã porque havia pessoas que desejavam examinar o que fazias enquanto eu estava presente. Mas elas eram indignas. Tinham passado a noite na gruta, profanando-a.»

 

15ª aparição - 4 de março.

No segundo mistério do primeiro terço, Bernadette começa a ver Nossa Senhora. Acabou esse terço e rezou outros dois, refletindo ora alegria, ora tristeza. Durante esta quinzena, Nossa Senhora comunicou à menina três segredos e uma oração com esta ordem:

«Proíbo-te de dizer isto, seja a quem for.»

 

16ª aparição - 25 de março.

Na manhã da festa da Anunciação dirigiu-se para a gruta a privilegiada menina. «Peguei no terço - escreve ela - Enquanto rezava, assaltava-me teimosamente o desejo de lhe pedir que dissesse o seu nome. Receava, porém, ser importuna com uma pergunta que já tinha ficado sem resposta mais de uma vez...

Num impulso, que não me foi possível conter, as palavras saíram me boca...

- Senhora, quereis ter a bondade de me dizer quem sois?

A única resposta foi uma saudação de cabeça, acompanhada dum sorriso. Nova tentativa, seguida de idêntica resposta. A terceira vez que lhe perguntei, tomou um ar grave e humilde. Em seguida, juntou as mãos, ergueu-as... olhou para o céu... depois separando lentamente as mãos e inclinando-as para mim, deixando tremer um pouco voz, disse-me:

«Eu sou a Imaculada Conceição.»

 

17ª aparição - 7 de abril.

Nossa Senhora nada disse, mas verificou-se nesta aparição o chamado milagre da vela. A vela benta, que Bernadette segurava, escorregou-lhe pela mão atingindo-lhe os dedos.

- Meu Deus, ela queima-se! - gritam várias pessoas.

- Deixem-na estar! ordena o Dr. Dozous.

Bernadette não se queimou.


18ª aparição - 16 de julho.

Como é festa de Nossa Senhora do Carmo, a Vidente assiste à missa e comunga na igreja. À tarde sente que Deus a chama para a gruta, mas não pode aproximar-se devido à sebe, e aos soldados que, por malvada ordem do governo, cercam o recinto. A menina contempla a Senhora, de além do rio e da sebe.

«Não via o rio, nem as tábuas - explicará ela mais tarde. Parecia-me que entre mim e a Senhora, não havia mais distância que nas outras vezes. Só a via a Ela. Nunca a vi tão bela»

Foi o último adeus da Senhora até ao céu. Desde 1858 até hoje, contínuas multidões se têm reunido em Lourdes, às vezes presididas por papas ou seus legados, e muito mais freqüentemente por bispos e cardeais. Os milagres de curas são estudados com todo o rigor e só reconhecidos quando de todo certos. Mais numerosas são as curas de almas, embora mais difíceis de contar. Como vimos, Nossa Senhora pediu a Bernadette que se dirigisse aos sacerdotes e lhes dissesse que levantassem uma capela no lugar das aparições.

- «Uma capela!», comentou um sacerdote a quem foi comunicado o pedido. «Tens tu dinheiro para erguê-la?»

 - «Não tenho», disse com muita naturalidade a Vidente. - "Pois nós também não. Diz a essa Senhora que to dê".

Maria Imaculada deu mais que dinheiro. Abriu-se o céu, choveram e continuam a chover ainda agora os seus tesouros. «O dedo de Deus» está em Lourdes há mais de cem anos.

Quanto ao caráter sobrenatural das Aparições, indicamos alguns pensamentos que deveriam ser cotejados com os fatos decorridos:

Bernadette estava de perfeita boa fé ao relatar as manifestações recebidas, e, sendo a menos nervosa das meninas, não foi vítima de exaltação entusiasta. O caráter sobrenatural deduz-se da atitude que prudentemente assumiu a hierarquia da Igreja: o pároco, o bispo e tantos outros prelados e mesmo os vários Papas. E tenha-se presente que o estudo dos pretenso milagres se faz em Lourdes por uma comissão médica que trabalha com máxima seriedade.

Qual é a mensagem que se depreende das 18 aparições de Lourdes? 

«O elemento principal - responde Laurentin, grande teólogo da Virgem - é a manifestação de Maria na sua Imaculada Conceição... O resto é função deste primeiro elemento e pode também resumir-se numa palavra: em contraste com a Virgem sem mancha, o pecado... Mas, inimiga do pecado, Ela é também amiga dos pecadores, não enquanto estão ligados às suas faltas ou se gloriam delas, mas enquanto se vêem esmagados pelo sofrimentos físicos e morais, conseqüência do pecado. Reduzida à sua expressão mais simples, poderíamos sintetizar desta forma a mensagem de Lourdes: A Virgem sem pecado, que vem socorrer os pecadores. E para

isso propõe três meios: a fonte de águas vivas, oração, a penitência».

Texto extraído e adaptado de:

Leite, José (Org.). Santos de cada dia. 3.ed. Vol. I. Braga: Editorial A.O., 1993. p.206-210.

(Fonte: www.santissimavirgemmaria.com.br/Aparicao_Lourdes.pdf)

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O Papa Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira, 21, os cerca de 150 Núncios Apostólicos em todo o mundo. 

O encontro realiza-se no âmbito do Ano da Fé e já havia sido convocado por Bento XVI e anunciado em 17 de outubro passado como um momento de reflexão.

De fato, ao se dirigir aos Núncios, Francisco fez questão de salientar que suas palavras constituem somente alguns pensamentos que “vêm do coração”. 

O primeiro deles é sobre a condição de “nômades” ao desempenharem este serviço à Igreja. A cada quatro anos ou mais, os Núncios mudam de lugar, de um continente a outro, sempre com a mala pronta. “Qual o sentido espiritual desta vida?” – questionou o Pontífice. Antes de tudo, a mortificação, o sacrifício de deixar os amigos, os laços e começar sempre novamente. “Isso não é fácil, é viver no provisório, saindo de si mesmos sem ter um lugar onde colocar raízes, uma comunidade estável”, disse.

Todavia, se trata de uma vida intensa se vivida com a consciência de levar Cristo sempre consigo. “A familiaridade com Jesus Cristo deve ser o alimento cotidiano do Representante Pontifício. Familiaridade com Jesus Cristo na oração, na celebração eucarística e no serviço da caridade.” 

O Papa advertiu para o perigo de ceder ao que ele chama de “espírito do mundo”, retomando a expressão “mundaneidade espiritual” de De Lubac, que conduz a agir para a própria realização e não para a glória de Deus.

“Ceder ao espírito mundano expõe sobretudo nós pastores ao ridículo. (...) Somos Pastores! Jamais nos esqueçamos disso! Vocês, queridos Representantes Pontifícios, sejam presença de Cristo, sejam presença sacerdotal, de Pastores. (...) Façam tudo sempre com muito amor.” 

A seguir, Francisco falou de outra função típica dos núncios: a colaboração nas nomeações episcopais. O critério fundamental de quem governa é a prudência, recordou o Papa, indicando algumas características que os candidatos ao episcopado devem ter:

Em primeiro lugar, que sejam próximos ao povo, pacientes e misericordiosos. Que amem a pobreza interior, entendida como liberdade para o Senhor, e exterior, feita de simplicidade e austeridade de vida. Que não ambicionem o episcopado nem tenham uma psicologia de “príncipes”. Enfim, que sejam capazes de conduzir, guiar e cuidar do seu rebanho. 

Ao agradecer aos núncios por seu trabalho, o Pontífice concluiu: “Trata-se de uma vida difícil, em lugares às vezes de conflito, uma peregrinação contínua sem a possibilidade de se estabelecer num lugar, numa cultura, numa específica realidade eclesial. Uma vida em caminho, mas sempre com Jesus Cristo que os conduz. Nós sabemos que a nossa estabilidade não está nas coisas, nos próprios projetos ou nas ambições, mas em ser verdadeiros Pastores que mantêm fixo o olhar em Cristo”.

Esta noite, o Papa Francisco janta com os representantes pontifícios na “Casina Pio IV”, no Vaticano.

(Fonte: Radio Vaticano - 21/06/2013)



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Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre celebrou, nesta quinta-feira, na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, a sua Missa matinal, da qual participaram o Cardeal Zenon Grocholewski, além de um grupo de funcionários da Congregação para a Educação Católica e do Museu Vaticano.

O centro da sua reflexão de hoje foi a oração do “Pai Nosso”. Para rezar esta oração, disse o Papa, nosso coração deve estar em paz com os nossos irmãos. Deus Pai não é um Deus anônimo, um Deus cósmico, mas bem próximo a nós. Por isso, para rezarmos esta oração, que Jesus nos ensinou, devemos confiar ao abraço do Pai

Mas, lembrou o Santo Padre, a oração não é uma magia. Não devemos gastar palavras à toa, quando rezamos. Jesus sabe o que queremos e o que precisamos. Eis porque devemos dirigir-nos a ele com humildade e simplicidade de coração. E concluiu:

“Temos um Pai, que está bem perto de nós e nos abraça. Todas as nossas lidas e preocupações devem ser confiadas a Ele. Mas, quem é este Pai? Ele é meu ou de quem? Ele é nosso. É o Pai Nosso! Não somos filhos únicos. Ele é Pai de todos e, por isso, somos todos irmãos”. 

Jesus, disse por fim o Santo Padre, é aquele que nos ensina a dirigir-nos ao Pai e pedir-lhe, com coração contrito, o que necessitamos, não obstante ele saiba que somos indigentes e pecadores. Peçamos ao Espírito Santo que nos ensine a pronunciar o santo nome de Deus Pai, estando em paz conosco mesmos e com nossos inimigos.

(Fonte: Radio Vaticano)

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Sábado, 01 Junho 2013 00:10

Chá-Bingo Beneficente

A comunidade se faz com união de pessoas em busca de objetivos que atendam aos anseios de todos os seus participantes, assim construímos e nos organizamos em uma "comum+unidade".

Devemos sempre nos esmerar em produzir àquilo que é bom, não somente a nós, mas principalmente a todos que fazem parte de nossas vidas, desde os mais próximos e conhecidos até os anônimos, necessitados, humildes e que nunca chegaremos a conhecer.

Fazer o bem sem olhar a quem, ou melhor, fazer o bem e reconhecer ao próximo que isso foi bom, justo, digno e necessário.

Assim são nossas vidas, formadas por infinitos momentos, que ao vivenciá-los nos fortalecem para construirmos um mundo de justiça, fé e esperança.

Somente a partir de momentos felizes e de comunhão entre irmãos, é que nossa caminhada gera frutos de paz, harmonia e amor.

Portanto, convidamos você para uma tarde agradável, em nosso salão de festa, onde teremos uma excelente oportunidade para fortificar nossos laços de carinho e amizade.

Venham participar conosco!


Chá-Bingo Beneficente

Dia 08 de junho de 2013

A partir das 14hs

Rodadas de Bingo com prêmios especiais

Valor do convite = R$ 20,00 (o convite dá direito a uma cartela para concorrer ao Prêmio de uma TV de LED Super Slim de 32”)

No salão de Festas da Igreja Nossa Senhora de Lourdes

Rua João Soares, 13   Água Rasa - São Paulo

 

 

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Quinta, 16 Maio 2013 09:21

Resposta ao padre Marcelo Rossi

Lendo a "Entrevista Padre Marcelo Rossi” (Folha de S. Paulo, 29/04/13, p. A14), fiquei abismado com a superficialidade com a qual o entrevistado trata das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Demonstra claramente que não tem nenhuma experiência pessoal de CEBs e nenhum conhecimento teológico a respeito das mesmas.

Antes de tudo, Pe. Marcelo, comprometer-se socialmente e fazer "a opção pelos pobres” não é só -como você diz- "ter trabalhos com recuperação de drogados e arrecadação de alimentos”. Os pobres não são objetos da nossa ação assistencial e/ou caritativa, mas sujeitos e protagonistas de sua própria história.

As obras de misericórdia, principalmente em determinadas situações sociais de emergência, são necessárias, mas é preciso ter sempre presente sua ambiguidade. Vale o alerta: "A misericórdia sempre será necessária, mas não deve contribuir para criar círculos viciosos que sejam funcionais para um sistema econômico iníquo. Requer-se que as obras de misericórdia sejam acompanhadas pela busca de verdadeira justiça social (...)” (DA, 385).

Comprometer-se socialmente e fazer "a opção pelos pobres”, significa, sobretudo, ser uma Igreja pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres; uma Igreja despojada, sem poder, sem ostentação, sem luxo, sem triunfalismo e sem clericalismo; uma Igreja solidária com os pobres e que assume a sua causa, que é a causa de um Mundo Novo, ou, à luz da fé, do Reino de Deus, acontecendo na história humana e cósmica. "Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres"! (Francisco, bispo de Roma,16 de março de 2013).

É lamentável, Pe. Marcelo, que você critique o incentivo da CNBB às CEBs. Elas -apesar das limitações inerentes à condição humana- devem ser incentivadas não por uma questão de proselitismo, mas pela sua fidelidade ao Evangelho. As CEBs, Pe. Marcelo, não "esquecem a oração e não ficam só na política”. Reconhecem que tudo é político, mas que a política não é tudo.

O perigo, Pe. Marcelo, não é as CEBs "se tornarem mais políticas do que sociais”; não é as pessoas terem nas CEBs "a tentação à política” (a política não é uma tentação, mas uma vocação) ou "caírem na política” (se politizarem), "combinando princípios cristãos a uma visão social de esquerda”.

O perigo é os cristãos/ãs serem alienados e omissos diante das injustiças e violações dos direitos humanos; não denunciarem -muitas vezes por covardia e conivência- as "situações de pecado" (DA, 95) ou as "estruturas de pecado” (DA, 92), que são "estruturas de morte" (DA, 112).

O perigo é os cristãos/ãs serem irresponsáveis frente aos desafios do mundo, fechando-se num "egoísmo religioso”, que nada tem a ver com o Evangelho.

Ao contrário do que você, Pe. Marcelo, afirma, o povo hoje, mais do que de "grandes espaços”, precisa de "pequenos espaços”, para deixar de ser massa, viver a irmandade e ser comunidade.

As CEBs, Pe. Marcelo, são sal, luz e fermento em todas as dimensões da vida humana, inclusive na dimensão política e político-partidária. Elas -a exemplo de Jesus- se encarnam no mundo e estão sempre presentes na vida do povo. Iluminadas pelo Espírito Santo, sabem discernir o que Deus quer nas diversas situações humanas

As CEBs vivem a utopia de um Mundo Novo, que, à luz da fé, é a utopia do Reino de Deus, numa sociedade pluralista e, sem perder sua identidade, respeitam e valorizam o diferente.

É lamentável, também, Pe. Marcelo, que você -indo contra todos os ensinamentos da Igreja- tenha aconselhado várias vezes um cristão (não importa agora o nome) a não entrar na política, dizendo: "não faça isso”. Felizmente, o cristão aconselhado demonstrou mais consciência social do que você e não aceitou a sua orientação.

No Brasil, as CEBs (à luz da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano de Medellín -Colômbia- 1968) são, sem dúvida, a expressão mais significativa do modelo de Igreja do Vaticano II.

Como irmão, Pe. Marcelo, permito-me dar uma sugestão: antes de falar das CEBs, faça nelas uma experiência de vida e estude um pouco de Eclesiologia cristã pós-conciliar.

Goiânia, 14 de maio de 2013.

Fr. Marcos Sassatelli

Frade Dominicano. Doutor em Filosofia e em Teologia Moral. Prof. na Pós-Graduação em DD.HH. (Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil/PUC-GO). Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arq. de Goiânia. Admin. Paroq. da Paróquia N. Sra. da Terra

 

 

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