"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sábado, 12 Abril 2014 12:35

Carta ao papa Francisco

Querido irmão Francisco:

Desde que foste eleito para ser a humilde ‘Rocha’ sobre a qual Jesus quer continuar construindo hoje sua Igreja, acompanhei com atenção tuas palavras. Agora, acabo de chegar de Roma, onde pude te ver abraçando crianças, bendizendo enfermos e inválidos e saudando a multidão.

Dizem que és vizinho, simples, humilde, simpático... E não sei quantas coisas mais. Penso que há em você alguma coisa mais, muito mais. Pude ver a Praça de São Pedro e a Via dela Conciliazione cheias de gente entusiasmada. Não creio que essa multidão se sinta atraída somente por tua simplicidade e simpatia. Em poucos meses você se converteu em uma ‘boa notícia’ para a Igreja e, também, para além da Igreja. Por quê?

Quase sem dar-nos conta, você está introduzindo no mundo a Boa Notícia de Jesus Cristo. Você está criando na Igreja um clima novo, mais evangélico e mais humano. Você está nos oferecendo o Espírito de Jesus Cristo. Pessoas afastadas da fé cristã me dizem que as ajudas a confiar mais na vida e na bondade do ser humano. Alguns que vivem sem um caminho para Deus me confessam que acordou em seu interior uma pequena luz que os convida a revisar sua atitude frente ao mistério último da existência.

Eu sei que na Igreja precisamos de reformas muito profundas para corrigir desvios alimentados durante muitos séculos, porém, nestes últimos anos, foi crescendo dentro de mim uma convicção. Para que se possam realizar estas reformas, precisamos, previamente, de uma conversão num nível mais profundo e radical. Precisamos, sinceramente, voltar a Jesus, colocar as raízes de nosso cristianismo com mais verdade e mais fidelidade em sua pessoa, sua mensagem e seu projeto do Reino de Deus. Por isso, quero exprimir-te que é isso o que mais me atrai de seu serviço como Bispo de Roma neste começo de tua tarefa.

Eu te agradeço que abraces as crianças e as apertes ao teu peito. Estás nos ajudando a recuperar aquele gesto profético de Jesus, tão esquecido na Igreja, porém tão importante para entender o que esperava de seus seguidores. Segundo relatam os Evangelhos, Jesus chamou os doze, pôs uma criança no meio deles, o apertou entre seus braços e lhes disse: "O que acolhe a uma criança como esta em meu nome, está acolhendo a mim.”

Tínhamos esquecido que no centro da Igreja, atraindo a atenção de todos, devem estar sempre os pequenos, os mais frágeis e vulneráveis. É importante que estejas entre nós como ‘Rocha’ sobre a qual Jesus constrói sua Igreja, porém é tão importante ou mais que estejas em nosso meio abraçando os pequenos e bendizendo aos enfermos e os que não têm valor, para nos lembrar como acolher a Jesus. Este gesto me parece decisivo nestes momentos em que o mundo corre o risco de se desumanizar criando incompreensão com os últimos.

Eu te agradeço que nos chames de forma tão repetida a sair da Igreja para entrar na vida onde sofremos e nos alegramos, lutamos e trabalhamos: esse mundo onde Deus quer construir uma convivência mais humana, justa e solidária. Creio que a heresia mais grave e sutil que penetrou no cristianismo é de ter feito da Igreja o centro de tudo, afastando do horizonte o projeto do Reino de Deus.

João Paulo II nos lembrou que a igreja não é um fim em si mesma, mas somente ‘semente, sinal e instrumento do Reino de Deus’, porém suas palavras se perderam no meio de muitos outros discursos. Agora desperta em mim uma alegria grande quando nos chamas a sair da ‘autorreferência’ para caminhar em direção às ‘periferias existenciais’.

Aproveito sublinhando tuas palavras: "Devemos construir pontes, não muros para defender a fé”; precisamos de "uma igreja de portas abertas, não de controladores da fé”; "a igreja não cresce com o proselitismo, mas com a atração, o testemunho e a pregação”. Parece-me escutar a voz de Jesus que, do Vaticano, nos empurra: "Ide anunciar que o Reino de Deus está perto”, "ide e curai os enfermos”, "o que há recebido de graça, devolva-o de graça”.

Também te agradeço pelos teus apelos contínuos a converter-nos ao Evangelho. Como bem conhece à Igreja. Surpreende-me tua liberdade em dar nomes aos nossos pecados. Não o fazes com linguagem de moralista, mas com a força do Evangelho: as invejas, a ansiedade de fazer carreira e o desejo do dinheiro; "a desinformação, a difamação e a calúnia”; a arrogância e a hipocrisia clerical; "a espiritualidade mundana” e a "burguesia do espírito”; os "cristãos de salão”, os ‘crentes de museu’, os cristãos com ‘cara de funeral’. Preocupa-te muito ‘um sal sem sabor’, ‘um sal que não sabe de nada’, e nos chamas a sermos discípulos que aprendem a viver com o estilo de Jesus.

Não nos chamas só a uma conversão individual. Empurra-nos a uma renovação eclesial, estrutural. Não estamos acostumados a escutar essa linguagem. Surdos ao chamado renovador do Vaticano II, esquecemos que Jesus convidava seus seguidores a ‘por o vinho novo em odres novos’. Por isso, me enche de esperança tua homilia da festa de Pentecostes: "A novidade nos da sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós os que constroem, programamos e planificamos nossa vida segundo nossos esquemas, seguranças e gostos... Temos medo que Deus nos leve por caminhos novos, nos tire de nossos horizontes, muitas vezes bem limitados, fechados, egoístas, para abrir-nos aos seus”.

Por isso nos pedes que nos perguntemos sinceramente: "Estamos abertos às surpresas de Deus ou nos fechamos com medo às novidades do Espírito Santo? Estamos decididos a percorrer os novos caminhos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de dar respostas?” Tua mensagem e teu espírito estão anunciando um futuro novo para a Igreja.

Quero terminar estas linhas expressando-te humildemente um desejo. Talvez não poderás fazer grandes reformas, porém podes dar um impulso à renovação evangélica em toda a Igreja. Com certeza podes tomar as medidas oportunas para que os futuros bispos das dioceses do mundo inteiro tenham um perfil e um estilo pastoral capaz de promover esta conversão a Jesus que tu queres encorajar desde Roma.

Francisco, és um presente de Deus. Obrigado!

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

Fonte: Adital - 12/04/2014

(José Antônio Pagola é padre e teólogo)

Publicado em Palavra Viva
Sexta, 11 Abril 2014 13:13

Nada o pode deter (Domingo de Ramos)

A execução de João Batista não foi algo casual. Segundo uma ideia muito comum no povo judeu, o destino que espera um profeta é a incompreensão, o repúdio e, em muitos casos, a morte.

Provavelmente, Jesus contou desde o princípio com a possibilidade de um final violento.

Jesus não foi um suicida nem buscava o martírio. Nunca quis o sofrimento nem para ele nem para ninguém. Dedicou sua vida a combater as enfermidades, as injustiças, a marginalização e a falta de esperança.

Viveu focado em “buscar o Reino de Deus e sua Justiça”: um mundo mais digno e feliz para todos como sonha seu Pai.

Se aceita a perseguição e o martírio é por fidelidade a esse projeto de Deus que não quer ver sofrer seus filhos e filhas. Por isso, não corre atrás da morte, mas também não foge dela Não recua diante das ameaças, tampouco suaviza sua mensagem.

Para ele, teria sido fácil evitar a execução. Bastaria que se calasse e não insistisse naquilo que poderia irritar o Templo ou o palácio do governo romano. Não fez isso. Seguiu seu caminho. Preferiu ser executado a trair sua consciência e ser infiel ao projeto de Deus, sei Pai.

Aprendeu a viver em um clima de insegurança, conflitos e acusações. Dia a dia se foi reafirmando em sua missão e seguiu anunciando com clareza sua mensagem. Atreveu-se a difundir não só nas aldeias retiradas da Galileia, mas nas redondezas perigosas do Templo. Nada o deteve.

Morrerá fiel a Deus em quem confiou sempre.  Continuará acolhendo a todos, inclusive aos pecadores e indesejáveis. Se continuam repudiando-o, morrerá como um “excluído” mas com sua morte confirmará o que tinha sido sua vida inteira: confiança total em um Deus que não exclui  ninguém de seu perdão.

Continuará buscando o Reino de Deus e sua Justiça, identificando-se com os mais pobres e desprezados. Se um dia o executam no martírio da cruz, reservado para escravos, morrerá como o mais pobre e desprezado, mas com sua morte confirmará para sempre sua fé em um Deus que quer a salvação do ser humano de tudo que o escraviza.

Os seguidores de Jesus devem descobrir o Mistério ultimo da realidade, encarnado em seu amor e entrega total ao ser humano. No amor desse crucificado está Deus mesmo, identificado com todos os que sofrem, gritando contra todas as injustiças e perdoando aos carrascos de todos os tempos. Neste Deus se pode crer ou não crer, mas não é possível escapar-se dele. N’Ele, nós cristãos confiamos. Nada o impedirá em seu empenho de salvar seus filhos.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

 

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 11 Abril 2014 13:10

Quem é este homem? (Domingo de Ramos)

“Quem é este homem? Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia”. Veja a cena à distância. Jesus, montado num jumentinho, desce o monte das Oliveiras, atravessa o vale e sobe em direção às portas da cidade santa de Jerusalém. Com ele vão amigos e seguidores. Entram na cidade aclamados. Jesus é o filho de Davi, portanto rei de Israel. Ele se comporta como quem tem uma missão a cumprir e sabe o que está fazendo. Vai ao Templo e tirá de lá os que transformam a Casa de Deus em casa de comércio. É muita coragem para um simples cidadão. Israel conhecia líderes fortes, que juntavam povo e apareciam com a missão de libertar a nação do jugo romano. Jesus seria mais um? O evangelista São Mateus sublinha que tudo o que acontece com Jesus é realização das profecias feitas ao povo de Israel e o que Jesus realiza é sempre a vontade de Deus: “Não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres. Seja feita a tua vontade”. Jesus sabe que seu “tempo está próximo” e sabe quem vai traí-lo. É claro que as autoridades não estão tranquilas. Romanos e as autoridades do Templo se perturbam diante do que era conhecido como “sedição” e punido com a crucifixão. Jesus é um rebelde que veio tirar o pecado do mundo. Querer ser rei e messias era atentar contra a autoridade de dominação estrangeira e a autoridade dos sacerdotes do Templo. Jesus foi crucificado pelos romanos porque estava se tornando uma ameaça à ocupação da Palestina e seu zelo messiânico colocava em perigo as autoridades do Templo. A visão do homem de fé vai além da visão do historiador e do jornalista. Quem é este homem? É Jesus de Nazaré, o homem que se rebela contra o pecado do mundo. É alguém em tudo igual a todos porque quis assumir essa condição, sem considerar a sua condição divina uma realidade a ser mantida distante. Ele se aproxima e sente em sua carne o pecado do mundo, o peso da maldade que é preciso tirar dos ombros dos filhos de Deus. A ação do líder forte e revolucionário se identifica com a ação de Deus que rejeita o pecado mas acolhe o pecador. As barbas arrancadas, os bofetões e as cusparadas são outras tantas expressões pecaminosas que tornam o ser humano abatido. O que é o pecado, e o que é o pecado do mundo? Sequestrar a criança e impor trabalho escravo é pecado, pecado que deve ser tirado do mundo, o que não acontece se não aparecer um Jesus rebelde, que aceita morrer na cruz para que tudo seja diferente. “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados”.

Iniciamos a Semana Santa com a entrada de Jesus em Jerusalém e sua morte na cruz. Na próxima semana celebraremos a Páscoa do Senhor. Esta semana é toda ela voltada para o que chamamos de Mistério pascal de Cristo. Viva hoje a paixão e morte do Senhor para depois ressuscitar com ele. Se puder, participe durante a semana das celebrações do Tríduo Sacro, sobretudo da Vigília Pascal e cante aleluia, a vitória da vida sobre a morte. Semana Santa não é uma semana de férias. Viva-a como cristão. Medite, reze, celebre, e ressuscite. Não deixe por menos!

Cônego Celso Pedro da Silva

Publicado em Roteiro Homilético

Jesus nunca escondeu seu carinho pelos três irmãos que viviam em Betania. Certamente são os que lhe acolhem em sua casa sempre que sobe à Jerusalém. Um dia Jesus recebe um recado: nosso irmão Lázaro, “teu amigo”, está doente. Em pouco tempo, Jesus se encaminha até a pequena aldeia.

Quando chega, Lázaro já está morto. Ao vê-lo chegar, Maria, a irmã mais nova, se põe a chorar. Ninguém pode lhe consolar. Ao ver sua amiga chorar e também os judeus que a acompanham, Jesus não consegue conter-se. Também ele “se põe a chorar” junto deles. As pessoas comentam: “Como o queria bem!”

Jesus não chora só pela morte do amigo muito querido. Sua alma se abre diante da impotência de todos diante da morte. Todos nós levamos no mais intimo de nosso ser um desejo insaciável de viver. Por que temos que morrer? Por que a vida não é mais feliz, mais comprida, mais segura, mais vida?

O homem de hoje, como em todas as épocas, traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e mais difícil de responder: Que vai ser de todos e de cada um de nós? É inútil tratar de nos enganarmos. Que podemos fazer? Revoltarmo-nos? Deprimirmo-nos?

Sem dúvida, a reação mais generalizada é esqueceremos e “seguir caminhando”. Mas, como está o ser humano, chamado a viver sua vida e a viver a si mesmo com lucidez e responsabilidade? Somente ao final de nossas vidas devemos nos cercar de forma inconsciente e irresponsável, sem, durante a vida, tomarmos postura alguma?

Diante do mistério ultimo de nosso destino não é possível apelar para dogmas científicos nem religiosos. Não nos podem levar mais além desta vida. Mais honrada parece ser a postura do escultor Eduardo Chillida que, em certa ocasião, o escutei dizer: “Da morte, a razão me diz que é definitiva. Da razão, a razão me diz que é limitada”.

Nós cristãos, não sabemos da outra vida mais que os outros. Também nós temos que nos posicionar com humildade ao lado escuro de nossa morte. Mas o fazemos com uma confiança radical na Bondade do Mistério de Deus que vislumbramos em Jesus. Esse Jesus que, sem o tê-lo visto, amamos e, mesmo sem vê-lo, lhe damos nossa confiança.

Esta confiança não pode ser entendida a partir de fora. Só pode ser vivida por quem a responde, com uma fé simples, as palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Crês nisto?” Recentemente, Hans Küng, o teólogo católico mais critico do século vinte, chegando já a seu final, diz que para ele, morrer é “descansar no mistério da misericórdia de Deus.”

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 04 Abril 2014 11:20

Vida Nova (5° Dom Quaresma)

A liturgia desse domingo continua a Catequese Batismal da Quaresma.

Depois de apresentar:

- Cristo, ÁGUA para a nossa sede (Samaritana);

- Cristo, LUZ para as nossas trevas (Cura do cego);

Hoje nos fala de:

- Cristo, Ressurreição para a VIDA (Lázaro).

A Liturgia responde à pergunta: "Como chegar a ser cristão?" Começamos com a recepção do dom de Deus, na água viva da graça, com uma iluminação e com uma ressurreição à vida verdadeira.

Na 1a leitura, Ezequiel anuncia VIDA NOVA. (Ez 37,12-14) O Povo, exilado na Babilônia, desesperado e sem futuro, vivia uma situação de Morte. O profeta Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir a certeza de que Deus não os abandonou. O texto apresenta a famosa visão dos ossos ressequidos, que saem dos "túmulos". O Espírito do Senhor sopra sobre eles e eles ganham vida. Deus vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em libertação.

Com essa imagem, o profeta anuncia a libertação aos exilados, que estavam sem esperança como ossos secos na sepultura.

* Hoje ainda há morte na família, quando os casais não se perdoam...

Há morte quando os jovens se deixam levar pelas drogas e corrupção...

Há morte quando nossas comunidades se digladiam entre si com invejas...

Na 2ª Leitura, Paulo lembra que o Espírito de Deus ressuscitou Cristo e o introduziu na glória do Pai. A Ressurreição de Cristo é a garantia e a promessa de nossa Ressurreição. No Batismo, nós recebemos o mesmo Espírito, que dá vida. (Rm 8,8-11)

No Evangelho, Jesus se apresenta como o SENHOR DA VIDA. (Jo 11,1-45)

- O Fato: Mandam dizer: "Lázaro está doente..."

- Jesus: aparentemente não se preocupa... Os apóstolos até estranham...

- Jesus tranqüiliza: "Essa doença é para a glória de Deus...

Ele está dormindo" e fica com eles mais dois dias...

- No Encontro com Marta, Jesus se comove e chora...

Não é choro ruidoso, desesperado... mas de afeto e solidariedade...

O povo até comenta: "Vede como ele o amava".

- O Diálogo: - Jesus afirma: "Eu sou a ressurreição e a Vida. Aquele que crer, ainda que estiver morto viverá... "Você crê nisso?"

- Marta professa sua fé: "Sim, eu creio", que tu és o Cristo..."

- No Sepulcro... "Tirai a pedra..." (que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos...)

- A Oração: "Pai, eu te dou graças, porque me ouvistes..."

- A Ordem: "Lázaro, vem para fora... Desatai-o... e deixai-o andar".

E Lázaro recupera a Vida.

Duas formas de SOLIDARIEDADE diante da Morte:

- Os amigos e vizinhos vão à casa de Marta e Maria, para dar os pêsames e fazer lamentações em altos brados: Símbolo do desespero.

- Jesus nem entra na casa, nesse ambiente dominado pelo desespero.

Ele fica fora e chama para fora... Os dois choram... mas muito diferente...

+ A Família de Betânia representa a Comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs, não tem pais... Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus e acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família faz a experiência da morte. Mas os amigos de Jesus sabem que Ele é a Ressurreição e a Vida, e que dá a vida plena aos seus. A morte é apenas a passagem para a vida plena.

+ Ressurreição de Lázaro é um SINAL: (7º e último antes da Paixão)

- A Ressurreição de Lázaro é uma prefiguração da Ressurreição de Cristo. O Batismo é um morrer e ressuscitar com Cristo.

- O "Sinal" de Betânia é também um convite a crer na Vida e a lutar por ela em todas as expressões.

- O discípulo de Jesus, renascido à Vida no Batismo, carrega em si o germe da verdadeira Vida.

+ O Prefácio resume o sentido do fato: "Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro; Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo; hoje estende a toda a humanidade a sua misericórdia e com os seus sacramentos nos faz passar da morte à Vida" A liturgia da Palavra nesta Quaresma é uma retomada de nossa "iniciação batismal", que certamente precisa ser aprofundada:

- Um ENCONTRO com Cristo,

- um DIÁLOGO

- e uma PROFISSÃO DE FÉ, a exemplo da Samaritana, do Cego e de Marta.

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 06.04.2014

Publicado em Roteiro Homilético

Jesus entra em nossa história “em situação de vulnerabilidade” e imediatamente revela à humanidade a dignidade do ser humano. Cerca-se de adoradores livres em espírito e verdade, próximos de todos, de olhos abertos para que ninguém vire escravo. As forças da morte agem com esperteza, mas já não são vencedoras. Matam, mas matam mal e aqui estamos todos ressuscitando, cantando como a cigarra depois de um ano debaixo da terra. Somos mártires da paciência, sempre esperando, com a certeza de que alguém nos resgatará e iremos cantando, salvos do naufrágio, das noites de desespero, anulados e desaparecidos, saindo vivos do próprio enterro. “Tantas vezes me mataram, tantas vezes eu morri, no entanto aqui estou ressuscitando”. Foi assim com Lázaro, o amigo de Jesus. A morte o pegou, levou-o para sua casa e trancou a porta. Jesus abriu a porta e trouxe Lázaro para fora. Foi então que a morte pegou Jesus. Onde está, ó morte, tua vitória? Lázaro voltou, saiu, mas Cristo foi adiante, ressuscitou. A morte ficou para trás. Junto dela, seus ministros, seus agentes, seus servidores. As sepulturas foram abertas e recebemos o Espírito do Senhor. Num corpo ferido de morte por causa do pecado entrou a vida. Estamos cheios de vida, graças à justiça.

Corre risco de vida quem enfrenta a morte. Jesus pagou com a própria vida a libertação de seu amigo das mãos da morte. O mesmo se dá conosco. As forças da morte se organizam, e se organizam bem. Quadrilhas se formam e se estruturam. Romper o elo das correntes que aprisionam supõe também muita força, mas de outro quilate. Violência e dominação não se desarmam com violência e dominação. Jesus não ensinou a repetir coisas velhas já conhecidas e sim a introduzir algo novo, de forma gratuita, que rompe as cadeias. Nossa força não está nas armas nem na astúcia. Está primeiramente na fé na vida. Mas “se foi somente para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão (1Co 15,19). Cremos no Ressuscitado, cremos na ressurreição, cremos naquele que “livrou nossa vida da corrupção e converteu a nossa escravidão em liberdade”. Quem vê a vida além da morte não teme a morte nesta vida, por isso luta, enfrenta, dedica-se, é incansável. Não fique na teoria, nos belos discursos, nos bons propósitos. Descubra pessoas que agem. Veja ao longo da história quem ajudou quem. Irene Sendler retirou duas mil e quinhentas crianças judias do gueto de Varsóvia debaixo dos fuzis dos nazistas. Era católica, tinha princípios claros, tranqüilidade e presença de espírito e sobretudo “firmeza permanente”. Alguém poderia dizer que é cansativo ajudar os outros, é perigoso e arriscado. E como! Mas de que terei medo se vejo a luz no fim do túnel, a luz do Ressuscitado. Não é só o medo que nos paralisa. A preguiça também. Salvar pessoas das mãos do tráfico é arriscado e cansativo. E o que você faz quando vê “gente que, ao buscar nova alvorada sai pela estrada a procurar libertação” e descobre que “ao fim da caminhada, foi levada a trabalhar na escravidão”?

Cônego Celso Pedro da Silva

Publicado em Roteiro Homilético
Sábado, 29 Março 2014 05:54

Para os excluídos (4° Dom Quaresma)

É cego de nascimento. Nem ele, nem seus pais têm culpa alguma, mas seu destino ficará marcado para sempre. As pessoas o olham como um pecador castigado por Deus. Os discípulos de Jesus lhes perguntam se o pecado é do cego ou de seus pais.

Jesus o olha de maneira diferente.  A partir do momento que o tinha visto, só pensa em tirá-lo daquela vida desgraçada de mendigo, desprezado por todos como um pecador. Ele se sente chamado por  Deus a defender, acolher e curar precisamente aos que vivem excluídos e humilhados.

Depois de uma cura trabalhosa em que ele também precisou colaborar com Jesus, o cego descobre pela primeira vez a luz. O encontro com Jesus mudou sua vida. Enfim poderá desfrutar de uma vida digna, sem medo de envergonhar-se diante de ninguém.

Se engana. Os dirigentes religiosos se sentem obrigados a controlar a pureza da religião. Eles sabem quem não é pecador e quem está em pecado. Eles decidirão se ele pode ser aceito ou não na comunidade religiosa.

O mendigo curado confessa abertamente que foi Jesus que o acolheu e o curou, mas os fariseus não aceitam irritados. “Nós sabemos que esse homem é um pecador”. O homem insiste em defender Jesus: Ele é um profeta, vem de Deus. Os fariseus não aguentam. “Nasceste pecador dos pés à cabeça e, agora nos quer dar lições?

O evangelista diz que, “quando Jesus olhou que o haviam expulsado, foi se encontrar com ele”. A conversa é breve. Quando Jesus lhe pergunta se crê no Messias,  o mendigo diz: “E, quem é, Senhor, para que eu creia nele”? Jesus lhe responde comovido: Não está longe de ti. “Já o estás vendo; o que fala com você, esse é o Messias”. O mendigo diz: “Creio, Senhor”.

Assim é Jesus. Ele vem sempre ao encontro daqueles que não são acolhidos oficialmente  pela religião. Não abandona a quem o busca e ama ainda que sejam excluídos pelas comunidades e instituições religiosas. Os que não tem lugar em nossas igrejas, tem um lugar privilegiado em seu coração.

Quem levará hoje esta mensagem de Jesus até as comunidades que, em qualquer momento, ouvem condenações públicas injustas de dirigentes religiosos cegos; que chegam as celebrações religiosas com medo de serem reconhecidos; que não podem comungar em paz em nossas eucaristias; que se veem obrigados a viver sua fé em Jesus no silencio de seu coração, quase de maneira secreta e clandestina? Amigos e amigas desconhecidos, não nos esqueçamos: quando nós, cristãos, os excluímos, Jesus  está lhes acolhendo.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético

Antes, vivíamos nas trevas, agora vivemos como filhos da luz, e sabemos que somos de verdade luz no Senhor quando somos acompanhados pela bondade, pela justiça, pela verdade. Elas nos levam a abrir os olhos de quem não vê que está se tornando escravo. Os cristãos de Éfeso foram estimulados a não se associaram às obras das trevas, mas a desmascará-las. Não apoiar aqueles que se justam em quadrilhas para corromperem a existência humana, e são agentes do poder demoníaco que diminui e anula a dignidade do ser humano. Eles sabem agir em segredo. Quando lemos na carta aos efésios: “O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo”, pense no tráfico de pessoas, de homens escravizados, de mulheres exploradas, de crianças vendidas. Que a luz ponha às claras as maquinações feitas em segredo. “Desperta, tu que dormes” para prevenir, reprimir e punir o tráfico de pessoas. Isto é tarefa de quem pastoreia.

O Padre Antônio Vieira, no Sermão da Epifania, em 1662, defendendo a ação missionária nas novas terras, dizia: “E porque algum político, mau gramático e pior cristão, não cuide que a obrigação do pastor é somente apascentar, como parece o que significa a derivação do nome, saiba que só quem apascenta e defende é pastor, e quem não defende, ainda que apascente, não”. Quem não defende as ovelhas não é pastor bom nem mau. Simplesmente não é pastor. “Querem que tragamos os gentios à fé, e que os entreguemos à cobiça; querem que tragamos as ovelhas ao rebanho e que as entreguemos ao cutelo, querem que tragamos os Magos a Cristo e que os entreguemos a Herodes”. Vieira está dizendo que não podemos nos interessar pela “alma” dos irmãos e nos esquecer de seus “corpos”, não podemos dar a alguém o nome de cristão e descurar a sua dignidade. É missão da Igreja cuidar do homem todo e de todos os homens e mulheres. Somos todos “pescadores de gente” e trabalhamos em favor de gente viva. Abrir os olhos das vítimas é grande obra de caridade, e não menor é abrir os olhos dos algozes.

Jesus abre os olhos do cego de nascença. No entanto, em todo o relato da cura desse cego se percebe que o verdadeiro cego não é ele e sim os fariseus que o acusam e acusam Jesus. Fariseu aqui representa todos aqueles que vêem os outros a partir do pecado que neles permanece. Seu olhar não é de bondade, nem de justiça nem de verdade. É corrupto. O Espírito do Senhor se apoderou de Davi quando foi ungido para ser rei e guiar o povo de Deus. Davi, porém, nem sempre foi correto, mas soube dizer “Pequei, Senhor, misericórdia”. Da sua descendência nascerá Jesus, o que salva do pecado. Seres livres e inteligentes podem se encaminhar para o bem ou para o mal. Seres livres e inteligentes podem rever suas ações, mudar o rumo, converter-se.

Os pais do cego mostram ser gente simples, que se atrapalham com tantas perguntas sobre a cura de seu filho. Eles têm medo de serem expulsos da sua religião. Também eles precisam ter os olhos abertos para não se deixarem enganar. Continua sendo necessário “lutar contra as regras do jogo, de um jogo sem regras”, para manter abertos os olhos de milhões de seres humanos.

Cônego Celso Pedro da Silva

Publicado em Roteiro Homilético

A passagem é cativadora. Cansado do caminho, Jesus senta junto ao poço de Jacob. Logo chega uma mulher para tirar agua. Pertence a um povo semi-pagão, desprezado por todos os judeus. Com toda espontaneidade, Jesus inicia um diálogo. Não sabe olhar ninguém com desprezo, e sim com grande ternura. “Mulher, dá-me de beber”.

A mulher fica surpresa. Como se atreve a entrar em contato com uma samaritana? Como se rebaixa a falar com uma mulher desconhecida? As palavras de Jesus a surpreenderam ainda mais: “Se soubesse o dom de Deus e quem é que te pede de beber, você pediria, e ele te daria a agua da vida”.

São muitas as pessoas que ao longo da vida, se vão afastando de Deus, sem apenas advertir o que realmente estava ocorrendo em seu interior. Hoje, Deus passa a ser um “estranho”. Tudo o que está relacionado com ele, lhes parece vazio e sem sentido: um mundo infantil, cada vez mais distante.

Eu os entendo. Sei o que podem sentir. Também eu me afastei um pouco daquele “Deus de minha infância” que despertava dentro de mim tantos medos e mal estar. Provavelmente, sem Jesus nunca me encontraria com um Deus que hoje, é para mim um Mistério de bondade: uma presença amigável e acolhedora em quem posso confiar sempre.

Nunca me atraiu a ideia de verificar minha fé com provas científicas: creio que é um erro tratar o mistério de Deus como se fosse um objeto de laboratório. Também os dogmas religiosos não me ajudaram ao encontro com esse Deus. Simplesmente me deixei conduzir por uma confiança em Jesus que foi crescendo com o passar dos anos.

Não saberia dizer exatamente como se sustenta hoje minha fé em meio a uma crise religiosa que me incomoda também, como incomoda a todos. Só diria que Jesus me trouxe a viver uma fé em Deus de maneira simples desde o fundo de meu ser. Se eu escuto, Deus não se cala. Se eu me abro, Ele não se fecha. Se eu me confio, Ele me acolhe. Se eu me entrego, Ele me carrega. Se eu caio, Ele me levanta.

Creio que a primeira e mais importante experiência é encontrarmos gostoso com Deus porque o percebemos como uma “presença salvadora”. Quando uma pessoa sabe o que é viver gostoso com Deus mesmo com nossa mediocridade, nossos erros e nossos egoísmos, Ele nos acolhe tal como somos, e nos impulsiona a enfrentarmos a vida em paz, dificilmente abandonará a fé. Muitas pessoas estão hoje abandonando a Deus antes de o terem conhecido.  Se conhecessem a experiência de Deus que Jesus espalha, o buscariam.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

 

Publicado em Roteiro Homilético
Quinta, 20 Março 2014 06:20

Dá-me dessa Água (3° Dom Quaresma)

A Quaresma, na Igreja primitiva, além de ser um tempo de penitência e de conversão, era um tempo de preparação para os batizados, que aconteciam no sábado santo, na Vigília Pascal.

Por isso, nesses três domingos, que antecedem a semana santa, aparece o tema batismal com os símbolos:

- da Água, no diálogo com a Samaritana,

- da Luz, na cura do cego;

- da Vida, na ressurreição de Lázaro.

Hoje nos apresenta o símbolo mais importante, a ÁGUA, que exprime o milagre renovado da VIDA.

Na 1a Leitura, o povo pede ÁGUA.(Ex 17,3-7) No deserto, o povo reclama revoltado contra Moisés, pedindo água, para manter-se vivo: "Dá-nos água para beber..."

E Deus intervém, fazendo brotar milagrosamente água da rocha de Horeb.

* Moisés dá de beber a seu povo. É imagem de Cristo, que no futuro dará a água da vida, que é o Espírito Santo.

Na 2ª Leitura, Paulo resume a fé da Igreja no dom da água viva presente na vida de cada discípulo de Cristo. Todos podemos saciar a nossa sede em Deus. (Rm 5,1-2.5-8)

No Evangelho, Jesus pede e oferece ÁGUA à Samaritana. (Jo 4,5-42)

- Jesus cansado... sedento... senta-se ao lado do poço de Jacó... Uma mulher anônima... balde vazio... coração vazio... busca água...

- JESUS quebra preconceitos de raça, de sexo, de religião... e toma a iniciativa: "Dá-me de beber".

- A Mulher estranha... (os apóstolos também): falar com samaritana e mulher...

- Do diálogo nasce a mútua compreensão.

A mulher descobre em si mesma uma sede mais profunda de amor, pois apesar dos 5 maridos que já tivera, vivia um grande vazio... E Jesus se revela como água viva, capaz de saciar qualquer sede humana...

- Inicialmente ela fica confusa... no final ela pede "dessa água".

Reconhece Jesus como "Salvador do Mundo", o Templo onde Deus "deve ser adorado em espírito e verdade". Abandona o "Velho balde" e corre para a cidade, para anunciar ao povo a verdade que tinha encontrado.

+ O Caminho da Samaritana: Esse Diálogo mostra a grande pedagogia de Jesus,que se revela aos poucos, até chegar à manifestação plena.

- No começo, a mulher só pensa na água material (seus desejos, os maridos...)

- Aos poucos começa a compreender e aceitar a proposta de Jesus: Inicialmente, ela vê nele apenas um judeu viajante; depois, o chama de "Senhor"; em seguida, reconhece que é um Profeta; No final, descobre nele o Messias esperado pelo povo.

- Abandona então o balde que dá acesso às suas propostas limitadas de felicidade, e corre até a cidade para anunciar a sua descoberta.

Essa mulher desprezada, após escutá-lo como DISCÍPULA, torna-se MISSIONÁRIA de Cristo, antes mesmo dos apóstolos...

+ A água do poço é símbolo de todas as satisfações humanas, na esperança de encontrar nelas a nossa felicidade, mas que no fim deixam sempre muito vazio e muitas desilusões...

= Essa água não satisfaz plenamente, todos os dias precisamos voltar ao poço...

+ A água de Jesus é o espírito de Deus, o amor que enche os corações. Só Cristo mata definitivamente a sede de vida e felicidade do homem. Essa água nos faz pensar também no BATISMO, que foi o nosso primeiro encontro com Jesus.

+ O Prefácio resume em poucas palavras o episódio: Ao pedir à Samaritana que lhe desse de beber, Jesus lhe dava o dom de crer. E, saciada sua sede de fé, lhe acrescentou o fogo do amor".

+ O nosso caminho...

- No passado, o POÇO sempre foi um lugar de ENCONTRO.

- Os homens continuam ainda hoje procurando um Poço, para saciar sua sede profunda de vida. Buscam cada vez mais "coisas" para saciá-la e nada os satisfaz.

- Cristo continua vindo ao nosso encontro. Senta perto do nosso poço e nos convida a revisar a fundo a nossa vida e o sentido de nossa fé cristã para sermos autênticos adoradores do Pai em espírito e verdade.

- Antes de nos encontrar com Cristo, também nós estávamos preocupados com nossos problemas, desejos, ambições, e o nosso coração estava sempre repleto de tristeza e insatisfação.

Precisávamos todos os dias voltar ao poço e encher o nosso balde...

- Um belo dia, o encontro com Cristo aconteceu...

A conversa com esse "Jesus" despertou em nós uma curiosidade, que nos levou a conhecer melhor a pessoa de Cristo e sua mensagem.

- No final da caminhada, encontramos essa água viva, prometida por Jesus.

Abandonamos então o "velho Balde" e sentimos a necessidade de correr para anunciar a todos, como Missionários, a nossa descoberta e a nossa felicidade...

Façamos nosso o pedido da Samaritana: "Senhor, dá-nos sempre dessa água!"

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 23.03.2014

Publicado em Roteiro Homilético

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