"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sábado, 24 Novembro 2012 20:42

Introduzir verdade

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

O julgamento contra Jesus teve lugar provavelmente no palácio em que morava Pilatos quando governava Jerusalém. Ali se encontram, em uma manhã de abril do ano trinta um, réu indefeso chamado Jesus e o representante do poderoso sistema imperial romano.

O Evangelho de João relata o diálogo entre ambos. Na realidade, mais que um interrogatório, parece um discurso de Jesus para esclarecer alguns temas que interessam muito ao evangelista. Em um determinado momento Jesus faz esta solene declaração: “Para isto eu vim ao mundo: para ser testemunha da verdade. Todo aquele que é da verdade, escuta minha voz”.

Esta afirmação recorre a um trecho básico da trajetória profética de Jesus: sua vontade de viver a verdade de Deus. Jesus não só disse a verdade, mas busca a verdade e somente a verdade de um Deus que quer um mundo mais humano para todos os seus filhos e filhas.

Por isso, Jesus fala com autoridade, mas sem falsos autoritarismos. Fala com sinceridade, mas sem dogmatismos. Não fala como os fanáticos que tentam impor sua verdade. Nem como os funcionários que a defendem por obrigação ainda que não creiam nela. Não se sente nunca guardião da verdade sem seu testemunho.

Jesus não converte a verdade de Deus em propaganda. Não a utiliza em proveito próprio, mas sim em defesa dos pobres. Não tolera a mentira ou o encobrimento das injustiças. Não suporta manipulações. Jesus se converte assim em “voz dos sem voz, e voz contra os que detém o poder da voz”.

Esta voz é mais necessária numa sociedade atolada em grave crise econômica. A ocultação da verdade é um dos mais firmes pressupostos da atuação dos grandes poderes financeiros e da gestão política submetida a suas exigências.  Querem que vivamos a crise na mentira.

Se faz todo o possível para ocultar a responsabilidade dos principais causadores da crise e se ignora de maneira perversa o sofrimento das vítimas mais fracas e indefesas. É urgente humanizar a crise pondo no centro de atenção a verdade dos que sofrem e a atenção prioritária a sua situação que é cada vez mais grave.

É a primeira verdade exigida a todos, senão quisermos ser desumanos. Não ,podemos nos acostumar com a exclusão social e a desesperança em que estão caindo os mais fracos. Se quisermos seguir Jesus temos que escutar sua voz e sair urgentemente em sua defesa e sua ajuda. Quem é da verdade, escuta a sua voz.

(Tradução livre de Dervile Alonço)

 

Publicado em Roteiro Homilético
Terça, 13 Novembro 2012 13:30

Ninguém sabe o dia

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

Um melhor conhecimento da linguagem apocalíptica, construída de imagens e recursos simbólicos para falar do fim do mundo, nos permite hoje escutar a mensagem esperançosa de Jesus, sem cair na tentação de semear angustia e medo nas consciências.

Um dia a historia apaixonante do ser humano sobre a terra chegará ao seu final. Esta aé a convicção firme de Jesus. Esta é também a previsão da ciência atual. O mundo não é eterno. Esta vida terminará. O que será de nossas lutas e trabalhos, de nossos esforços e aspirações?

Jesus fala com sobriedade. Não quer alimentar nenhuma curiosidade mórbida. Corta pela raiz qualquer intenção de especular com cálculos, datas e prazos. “Ninguém sabe o dia e a hora... só o Pai”. Nada de medos diante do final. O mundo está em boas mãos. Não caminhamos em direção ao caos. Podemos confiar em Deus, nosso Criador e Pai.

Com esta confiança total, Jesus expõe sua esperança: a criação atual terminará, maas será para deixar lugar para uma nova criação, que terá por centro o Cristo ressuscitado.  É possível crer em algo tão grandioso? Podemos falar assim antes que nada tenha acontecido?

Jesus recorre a imagens que todos podem entender. Um dia o sol e a lua que hoje iluminam a terra e fazem possível a vida, se apagarão. O mundo ficará às escuras. A história da humanidade também se apagará? Terminarão assim nossas esperanças?

Segundo a versão de Marcos, no meio dessa noite se poderá ver o “Filho do Homem”, quer dizer, o Cristo ressuscitado que virá “com grande poder e glória”. Sua luz salvadora iluminará tudo. Ele será o centro de um mundo novo, o princípio de uma humanidade renovada para sempre.

Jesus sabe que não é fácil crer em suas palavras. Como pode provar que tudo acontecerá assim? Com uma simplicidade surpreendente, convida a viver esta vida como uma primavera. Todos conhecem a experiência: a vida que parecia morta durante o inverno começa a despertar; no ramo da figueira brotam novas e pequenas folhas. Todos sabem que o verão está chegando.

Esta vida que agora conhecemos é como a primavera. Mas não é possível colher. Não podemos obter lucros definitivos. Mas há pequenos sinais de que a vida está em gestação. Nossos esforços por um mundo melhor não se perderão. Ninguém sabe o dia, mas Jesus virá. Com sua vinda se revelará o ultimo mistério da realidade que nós que cremos, chamamos Deus.

Fonte: http://iglesiadesopelana3m.blogspot.com.br

(Tradução livre de Dervile Alonço)

 

Publicado em Roteiro Homilético
Terça, 13 Novembro 2012 00:16

Um novo dia

Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico.

A Liturgia nos fala do fim do mundo e da sua história.

É um convite à ESPERANÇA:

O Deus Libertador vai mudar a noite do mundo numa aurora de vida sem fim.

As Leituras bíblicas, numa linguagem apocalíptica, nos estimulam a descobrir, os sinais desse mundo novo, que está nascendo das cinzas do reino do mal.

A Linguagem apocalíptica é um modo alternativo de falar, bem compreendido pelo povo de então.

·         Usa imagens fortes e misteriosas, cheias de elementos simbólicos.

Mas o importante não são as imagens, mas o conteúdo que querem revelar.

·         Não pretende adivinhar o futuro, mas falar da realidade atual do povo.

Não pretende assustar, mas animar o povo em momentos difíceis.

 

Na 1ª leitura, encontramos o Apocalipse de Daniel. (Dn 12,1-3)

O Povo judeu se encontrava oprimido sob a dominação dos gregos. Muitos judeus, apavorados pela perseguição, abandonavam até a fé…

Deus enviou o seu anjo Miguel como defensor dos que se mantiveram fiéis no caminho de Deus.

*O objetivo desse livro era animar o povo a resistir diante dos opressores e lembrar que a vitória final será dos justos que perseverarem fiéis...

É a primeira profissão de fé na RESSURREIÇÃO, que se encontra na Bíblia.

Esse texto está em conexão com o evangelho de hoje, que nos fala da 2a  vinda de Cristo e prefigura a vinda de Cristo libertador.

 

A 2ª Leitura apresenta a oferta perfeita de Cristo, que nos libertou do pecado e nos inseriu numa dinâmica de vida eterna. É o caminho do mundo novo e da vida definitiva. (Hb 10,11-14.18)

 

No Evangelho, temos o Apocalipse de Marcos.  (Mc 13, 24-32)

Na época em que Marcos escreveu o seu evangelho, as comunidades cristãs estavam agitadas e assustadas por causa de guerras e calamidades, como a destruição do templo, no ano 70 dC.

* Para tranqüilizar os cristãos, o autor usa uma linguagem apocalíptica, descrevendo a catástrofe do sol e das estrelas e o aparecimento do Filho do homem sobre as nuvens para julgar os bons e os maus.

Esse "Discurso escatológico" de Cristo é o último antes da Paixão. Jesus anuncia a destruição de Jerusalém e o começo de uma nova era, com a sua vinda gloriosa após a ressurreição.

·         Não é uma reportagem, mas uma CATEQUESE sobre o fim dos tempos. 

A Intenção não era assustar, mas conduzir a comunidade a discernir os fatos catastróficos e o futuro da comunidade cristã dentro da História. Não deviam ver como o fim do mundo, mas o início de um mundo novo.

Portanto, não deviam dar ouvidos a pessoas que anunciavam o fim do mundo. Pelo contrário, deviam ver nos sofrimentos sinais de vida:

como dores de parto, que prenunciavam o nascimento de uma nova vida…

 

Quando vai acontecer isso?

A resposta é dada através da imagem da figueira:

Quando começa a brotar, o agricultor sabe que está chegando o verão… e se alegra porque se aproxima a época da colheita.

- Quanto ao dia e hora, só o Pai sabe... mais ninguém...

Para nós o mais importante não é saber quando isso irá acontecer, mas sim estar vigilantes e preparados para ele.

 

E as sombras que vemos no Mundo de hoje?

O desabamento de tantas certezas, que julgávamos indestrutíveis...

O desaparecimento de pessoas que julgávamos insubstituíveis.

O abandono de certas práticas religiosas que pareciam indispensáveis...

O esquecimento de tantos valores éticos e morais que tanto apreciamos...

O abandono da fé de tantas pessoas, que julgávamos fervorosas...

A violência, a corrupção, a opressão andam soltas...

Como devemos ver tudo isso? Será o fim do mundo?

A Palavra de Deus reafirma, que Deus não abandona a humanidade e está determinado a transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens. A humanidade não caminha para a destruição, para o nada; caminha ao encontro da vida plena, ao encontro de um  mundo novo.

Nós cristãos devemos ver a vida presente em estado de gestação, como germe de uma vida, cuja plenitude final alcançaremos só em Deus. Esse mundo sonhado por Deus é uma realidade escatológica.

Mas desde já um novo dia está surgindo...

Por isso, devemos ser para os nossos contemporâneos sinais de esperança dessa realidade:

Gente de fé com uma visão otimista da vida e da história, que caminha, alegre e confiante, ao encontro desse mundo novo, que Deus nos prometeu.

Deus que não nos abandona em nossa caminhada, Ele vem sempre ao nosso encontro para nos indicar o caminho. Da nossa parte, devemos estar atentos aos sinais de Deus, confiantes nas palavras de Cristo, que nos garante:

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão".


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 18.11.2012

 

Publicado em Roteiro Homilético
Quarta, 07 Novembro 2012 07:27

O melhor da Igreja

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

O contraste entre as duas cenas não podem ser mais forte. Na primeira, Jesus põe as pessoas em prontidão frente aos dirigentes religiosos: “ Cuidado com os doutores!” seu comportamento pode fazer muito mal. Na segunda, chama seus discípulos para que notem o gesto da viúva pobre: as pessoas simples lhes poderão ensinar a viver o Evangelho.

É surpreendente a linguagem dura e certeira que Jesus usa para desmascarar a falsa religiosidade dos escribas. Não podem deixar de lado sua vaidade e sua busca de ostentação. Se vestem de modo especial e gostam de ser cumprimentados com reverencia para se sobressair sobre os outros, imponência e dominação.

A religião para eles serve para alimentar seu ego. Fazem grandes orações para impressionar. Não criam comunidade, pois se colocam acima dos outros. No fundo, só pensam em si mesmos. Vivem se aproveitando de pessoas simples que os devem servir. Marcos não recorre a palavras de Jesus para condenar os escribas que estavam no Templo de Jerusalém antes de sua destruição, mas para colocar em prontidão as comunidades cristãs para as quais escreve. Os dirigentes religiosos devem ser os servidores das comunidades. Nada mais. Se esquecerem disso, serão um perigo para todos. Tem que reagir para que não façam mal a ninguém.

Na segunda cena, Jesus está sentado a frente da urna das ofertas. Muitos ricos vão colocando quantidades  altas: são os que sustentam o Templo.  Logo chega uma mulher. Jesus observa que ela coloca pequenas moedas de cobre. É uma viúva pobre, maltratada pela vida, sozinha e sem recursos.  Provavelmente vivia mendigando junto ao Templo.

Comovido, Jesus chama rapidamente seus discípulos. Não esqueçam o gesto dessa mulher, pois ainda que esteja passando necessidades, “ colocou tudo o que tinha para viver”.  Enquanto os doutores da lei vivem aproveitando-se da religião para aparecer, esta mulher  se despoja de tudo pelos outros, confiando totalmente em Deus.

Seu gesto questiona nosso coração para a verdadeira religião: confiança grande em Deus, gratuidade surpreendente, generosidade e amor solidário, simplicidade e verdade. Não conhecemos o nome desta mulher, nem, seu rosto. Só sabemos que Jesus viu nela um modelo para os futuros dirigentes da Igreja.

Também hoje, tantas mulheres e homens de fé simples e coração generoso são o que temos de melhor na Igreja. Não escrevem livros nem fazem sermões, mas são os que mantêm vivo entre nós o Evangelho de Jesus. Deles temos que aprender, nós os padres e bispos.

Fonte: http://iglesiadesopelana3m.blogspot.com.br

(Tradução livre de Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Terça, 06 Novembro 2012 00:47

Dar de coração

DAR SEM MEDIDA

A Liturgia desse domingo nos fala do espírito com que devemos fazer as nossas OFERTAS. Dá muito quem dá tudo, mesmo que esse tudo seja pouco. Duas viúvas são protagonistas dessas leituras. Na 1ª Leitura, temos o Exemplo da viúva de Sarepta. (1 Rs 17,10-16)

O povo vivia numa época difícil de seca e fome.

O Profeta Elias chega à cidade de Sarepta, morto de fome e sede...

Encontra uma viúva a quem lhe pede água e pão.

- Ela dispunha apenas de um punhado de farinha e um pouco de azeite...

Ela oferece tudo o que tem e Deus abençoa a sua generosidade: proporciona alimento, para ela e para o filho, durante todo o tempo da seca.

Deus não abandona quem dá com alegria.

A generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, pelo contrário, são geradoras de vida.

A 2ª Leitura nos apresenta o Exemplo de Cristo, o Sumo Sacerdote, que se doa inteiramente pela salvação da Humanidade. (He 9,24-28)

O Salmo convida a confiar no Deus da vida, que ampara a viúva e o órfão e confunde o caminho dos opressores. (Sl 146)

No Evangelho, vemos o Exemplo de outra viúva. (Mc 12,38-44)

Jesus senta-se perto da caixa de esmolas no templo e observa:

- De um lado, uma pobre viúva, oferece discretamente duas moedinhas;

- Do outro, gente importante dá solenemente grandes quantias...

Jesus censura o gesto dos fariseus e louva a GENEROSIDADE da viúva.

A oferta da viúva era pequena, mas era tudo o que ela tinha.

Deus não calcula a quantia que damos, mas o amor com que damos.

Duas viúvas, simples e humildes, revelam a grandiosidade dos pequenos gestos. Toda oferta que brota do coração tem valor incalculável aos olhos de Deus.

A hospitalidade da primeira é compensada pelo milagre de Elias e a humilde generosidade da segunda merece de Jesus um grande elogio.

Se Jesus viesse hoje em nossa igreja, o que ele enxergaria?

- A que grupo nós pertenceríamos?

- Quais as pessoas que mais oferecem na comunidade?

O Padre, os ministros, os animadores das pastorais? É difícil responder...

Mas eu tenho a certeza, que muitas pessoas humildes, silenciosas, muito ocupadas, oferecem à comunidade um serviço semelhante à oferta da viúva:

oferecem com sacrifício TUDO o que podem...

E Deus não se deixa vencer em generosidade...

E se Jesus olhasse as nossas OFERTAS, o que teria a dizer?

São ofertas generosas, dadas com alegria, como gesto de amor e de fé, ou é um jeito para se livrar de uns trocadinhos?

Podemos dar uma esmola material, podemos partilhar nosso tempo, nossos conhecimentos ou até nossa alegria com um sorriso.

E se olhasse o nosso DÍZIMO?

É uma oferta para retribuir a Deus um pouco do muito que recebemos e assim participar na manutenção da nossa religião?

Ou apenas nos lembramos quando precisamos de um serviço da comunidade, dando a idéia que é uma taxa para comprar algum sacramento?

- Na Bíblia, encontramos com freqüência uma verdade:

Deus, embora criador de todo o universo, sempre quer e exige ofertas da parte dos homens.

- Assim já nas primeiras páginas da Bíblia, encontramos os homens oferecendo em sacrifício as primícias de seus trabalhos, como homenagem de gratidão a Deus.

- Encontramos: Abel e Caim oferecendo um sacrifício a Deus. (Gn 4)

Deus aceitou o de Abel e rejeitou o de Caim...

- No Antigo Testamento: tinham taxas fixas: o DÍZIMO...

- Primeiros cristãos: punham os bens em comum...

A Igreja retomou o Dízimo, como um dos PRECEITOS, que os nossos católicos esquecem com muita facilidade.

O costume do dízimo foi introduzido por Deus.

No Livro de Malaquias, Deus se queixa de quem o "enganava", por não pagar "integralmente"...  (Ml 3,6-10)

Será que ainda hoje há gente, que continua enganando?

QUANTO se deve dar?

Deus não nos dá uma taxa fixa. Deixa a critério de nossa generosidade.

Entre os Antigos, dava-se o Dízimo (10%), atualmente muitos cristãos dão o Centésimo (1%) da renda familiar, outros o correspondente a um dia de trabalho por mês...

Deve ser uma verdadeira oferta, não apenas uma esmola insignificante...

No Evangelho, vimos muitos ricos colocando grandes quantidades, e a única pessoa que impressionou a Cristo foi a pobre viúva, que não pôs muito, mas deu tudo o que tinha, e com alegria.

Dízimo não é doação apenas de dinheiro.

Podemos dar também o nosso tempo, em favor da comunidade...

Tudo pode ser feito com gestos muito simples, como o da viúva...

- Como partilhamos aquilo que somos e temos?

A Escritura nos garante: "Deus ama a quem dá com alegria". (2Cor 9,7)

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

 

 

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 02 Novembro 2012 03:00

Todos os Santos e Santas

Pe Marcel Domergue

(tradução livre de Croire.com pelos irmãos Lara)

UMA FESTA DE ALEGRIA

Lendo comentários precedentes, poderíamos imaginar ser restrito o número dos que encontram a verdadeira alegria no reconhecimento do dom de Deus; dom totalmente gratuito, porque sem “mérito” algum de nossa parte. A doutrina do “número restrito dos que são salvos” teve muitos partidários na Igreja e isto em nada contribuiu para que o Evangelho fosse apresentado com sua face de Boa Nova. A festa de Todos os Santos não combina bem com esta interpretação desastrosa da fé cristã: somos todos convidados a nos alegrar com a multidão dos humanos assumidos e acolhidos por Deus. A primeira leitura (Apocalipse) insiste em números simbólicos, para nos fazer compreender que “esta imensa multidão não pode ser contada”. Muitos pensam que - ainda que com hesitação, é verdade - o termo “multidão”, aqui, deva ser traduzido por “totalidade”. Ora, a Igreja mesmo não havia recusado a afirmação, mantida por alguns, de que Judas havia sido “condenado”? Pois então, “Todos os Santos” é a celebração do sucesso de Deus e da humanidade inteira. É uma festa de alegria, mesmo se a proximidade da festa dos defuntos, em geral tão mal interpretada, e a meteorologia da época, sempre meio chuvosa, acabaram por marcá-la com certo tom de melancolia. Devemos acrescentar o calor da solidariedade à alegria da consciência da superabundância do Amor que nos faz ser: junto com todos os “santos” formamos um só corpo.

COMUNIDADE DE BENS

Não há limites ao amor de Deus; não há limites a este Deus que é amor. Não há limites para as dimensões deste corpo que o Cristo se deu, reunindo todos os homens de todas as etnias, de todas as línguas, de todos os níveis culturais. E até mesmo de todas as religiões. Para ser o que sou tenho necessidade dos outros. Como diz Paulo, em 1 Coríntios 12,20: “Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo. Não pode o olho dizer à mão: “Não preciso de ti”; nem tampouco pode a cabeça dizer aos pés “Não preciso de vós”.” Vamos então olhar de modo novo esta multidão de desconhecidos que nos precederam: não são pessoas estranhas, mas, de alguma forma, uma parte de nós mesmos. Com eles e por eles somos membros do único corpo do Cristo. Nele, nos tornamos herdeiros da pobreza vivida por Francisco de Assis e por tantos outros. Nele, somos creditados da doçura toda de quantos passaram sua vida ajudando o próximo. Nele, somos consolados por todas as lágrimas que por outros foram derramadas. Eu sozinho não posso, com certeza, viver todas as bem-aventuranças; não depende de decisão minha, ser perseguido por causa da justiça. O destino de Tereza de Lisieux, de Francisco Xavier ou de São Lourenço, que foi queimado vivo, tudo isto me pertence. A comunhão dos bens praticada pela Igreja primitiva, ao que parece, significa esta partilha de todos os valores espirituais e humanos dos membros do Corpo. Por isso é que se fala, ainda que em linguagem já meio em desuso, de “Comunhão dos Santos”.

UM NOVO OLHAR PARA OS OUTROS

O que foi dito acima não diz respeito apenas à nossa ligação com homens e mulheres do passado. Temos que aprender a olhar também de modo novo para todos e todas que nos cercam, de longe e de perto. Mas podemos considerar a todos como “santos”? Devemos nos entender bem quanto ao sentido da palavra “santidade”. Se a tomamos no sentido de perfeição moral, de excelência em todas as virtudes, é evidente que, então, ninguém poderá se prevalecer. Mas esta palavra tem outro sentido: é santo o que pertence a Deus. Somos santos porque fomos assumidos por Deus e ninguém pode ser excluído de sua misericórdia, desse amor que não conhece limites. Deus vê o homem, até mesmo o mais perverso, através do olhar de seu Filho. Lançar sobre o outro um julgamento, qualquer que seja, está fora das nossas competências. Talvez um dia descubramos que muitos dos que consideramos maus, eram de fato apenas maltratados, frustrados em algum domínio, portadores de herança familiar desastrosa. Talvez constatemos também que, privilegiados que somos, temos aproveitado muito pouco das boas cartas que temos nas mãos. Felizmente, fomos todos arrolados no tesouro comum da santidade de Deus. As portas do Reino se abrem todas, a tudo o que vem quando se abriu o sepulcro do Cristo. Mais do que falar em Todos os Santos, valeria dizer: Todos os Santificados.

Fonte: www.croire.com

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 02 Novembro 2012 01:49

Comemoração dos fiéis defuntos

Pe Marcel Domergue

(Tradução livre de Croire.com pelos irmãos Lara)

Uma festa!

A festa de Todos os Santos, festejada na véspera do dia de Finados, acaba ganhando um ar um pouco lúgubre por causa do contágio com a lembrança dos defuntos. Visitas ao cemitério, muitas flores tristes, etc. Pois, gostaria de fazer o contrário: projetar sobre a lembrança dos nossos mortos a luz do “Todos os Santos”, festa da vitória de Deus sobre as forças do mal, do sucesso final da humanidade; e festa também da solidariedade. De fato, se rezamos por nossos mortos não é para que Deus lhes conceda alguma coisa que eles não pudessem obter sem a nossa intervenção: o amor de Deus por eles ultrapassa o nosso infinitamente. O que buscamos é tomar consciência da nossa unidade com eles. Todas as suas falhas passadas são nossas também, todas as “virtudes” dos que declaramos santos nos pertencem. Em Deus, a humanidade é una como o próprio Deus é Um. Enfim, nossa oração pelos nossos mortos deve nos transformar, para que façamos nosso o amor de Deus por eles. Este amor é purificador: ele queima o que em nós e neles não é mais que apenas palha e dejeto, para fazer resplandecer o bem, mesmo que o mais ínfimo que tenhamos deixado Deus produzir em nós. Como diz Paulo (Efésios 5,13-14): “Tudo o que é condenável é manifesto pela luz, pois é luz tudo o que é manifesto. É por isso que se diz: Ó tu, que dormes, desperta e levanta-te de entre os mortos que Cristo te iluminará.”

Uma justiça que justifica gratuitamente

Na Bíblia, o tema da “vida eterna” assume perspectivas à primeira vista contraditórias. Por exemplo, estamos acostumados a pensar e a dizer, com o apoio de numerosos textos, que a ressurreição é universal, que uns irão ressuscitar para a felicidade e, outros, para a punição. E, no entanto, lemos em outros lugares que todos os homens serão salvos, e vemos o Cristo rezar pelos que o crucificaram. Além disso, algumas passagens apresentam a ressurreição como o destino de alguns e não de todos. Por exemplo, em Lucas 20,35, Jesus fala d’ “os que forem julgados dignos de ter parte no outro mundo e na ressurreição dos mortos...” Em Filipenses 3,11, Paulo diz que ele comunga com os sofrimentos do Cristo “para ver se alcança a ressurreição de entre os mortos...” Para ser assumido na ressurreição do Cristo parece que é preciso passar por uma morte semelhante à dele, ou seja, fazer de uma morte necessária, uma morte que seja um dom livremente realizado. De minha parte, penso que as Escrituras nos dizem muitas vezes como as coisas deveriam se passar, se a justiça fosse exercida normalmente. Mas, na verdade, Deus está bem além do que chamamos “justiça”. Um texto chave: Mateus 19,24-26 (Marcos 10,23-27). No versículo 24 lemos: “é mais fácil o camelo entrar pelo buraco da agulha do que o rico entrar no Reino de Deus”. E os discípulos perguntam: “quem poderá então salvar-se?” Jesus responde: “Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível.”

O banquete de núpcias

Alguns textos nos falam então do que deveria acontecer, se tudo se passasse normalmente. Já em outros, vamos encontrar o anúncio do que irá acontecer em razão deste Amor inimaginável pelo qual o Cristo, Deus, nos dá a vida dando-nos a sua vida. Sendo assim, podemos agora nos alegrar com a vida nova dada aos nossos mortos. Nem todos foram “santos”, mas todos se encontram “santificados”. Desta vida, só podemos ter imagens simbólicas. A Bíblia no-las fornece: fala-se em particular de um banquete de núpcias. Perpétuo, porque, aí, a fome e a sede são aplacadas sem cessar e, sem cessar, elas renascem (João 6,35: “Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede.” Eclesiástico 24,21, no elogio da Sabedoria, figura do Cristo que há de vir, diz o contrário: “Os que me comem terão ainda fome, os que me bebem terão ainda sede.”) Este banquete é um banquete de núpcias. Banquete significa uma felicidade compartilhada, tomada em comum. Anunciam-se assim a perfeição da relação com a natureza (alimento) e a perfeição da relação dos homens entre si. Sendo banquete de núpcias, está-se falando igualmente de completar-se a união entre o homem e a mulher que se buscava na sexualidade. Assim sendo, o que chamamos “céu” não é o contrário do que vivemos nesta terra, mas o acesso à sua verdade e à sua mais plena justiça. Ultrapassemos nossas tristezas e, por nossos mortos e por nós, confiemos no amor que nos faz existir. Para sempre.

Fonte: www.croire.com

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 26 Outubro 2012 05:55

Com olhos novos

José Antonio Pagola
Teólogo e biblista espanhol


A cura do cego Bartimeu é narrada por Marcos para urgir as comunidades cristãs a sair da sua cegueira e mediocridade. Só assim seguirão Jesus pelo caminho do Evangelho. O relato é de uma surpreendente atualidade para a Igreja dos nossos dias.

Bartimeu é "um mendigo cego sentado à beira do caminho". Na sua vida sempre é de noite. Ouviu falar de Jesus, mas não conhece o Seu rosto. Não pode segui-lo. Está junto ao caminho por onde Ele passa, mas está fora. Não é esta a nossa situação? Cristãos cegos, sentados junto ao caminho, incapazes de seguir Jesus?

Entre nós é de noite. Desconhecemos Jesus. Falta-nos luz para seguir o Seu caminho. Ignoramos para onde se encaminha a Igreja. Não sabemos sequer que futuro queremos para ela. Instalados numa religião que não consegue converter-nos em seguidores de Jesus, vivemos junto ao Evangelho, mas fora. Que podemos fazer?

Apesar da sua cegueira, Bartimeu capta que Jesus está a passar próximo dele. Não hesita um instante. Algo lhe diz que em Jesus está a sua salvação:"Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim". Este grito repetido com fé vai desencadear a sua cura.

Hoje ouve-se na Igreja queixas e lamentos, críticas, protestos e mutuas desqualificações. Não se escuta a oração humilde e confiada do cego. Esquecemo-nos que só Jesus pode salvar esta Igreja. Não nos apercebemos da Sua presença próxima. Só acreditamos em nós.

O cego não vê, mas sabe escutar a voz de Jesus que lhe chega através dos Seus enviados: "Animo, levanta-te, que te chama". Este é o clima que necessitamos criar na Igreja. Animar-nos mutuamente a reagir. Não continuar numa religião convencional. Voltar a Jesus que nos está a chamar. Este é o primeiro objetivo pastoral.

O cego reage de forma admirável: solta o manto que lhe impede levantar-se, dá um salto no meio da sua escuridão e aproxima-se de Jesus. Do seu coração só brota uma petição: "Mestre, que possa ver". Se os seus olhos se abrem, tudo mudará. O relato conclui dizendo que o cego recobrou a vista e "o seguia pelo caminho".

Esta é a cura que necessitamos hoje, os cristãos. O salto qualitativo que pode mudar a Igreja. Se muda o nosso modo de ver Jesus, se lemos o Seu Evangelho com olhos novos, se captamos a originalidade da sua mensagem e nos apaixonamos com o Seu projeto de um mundo mais humano, a força de Jesus irá arrastar-nos. As nossas comunidades conhecerão a alegria de viver seguindo-o de perto.

Fonte: Adital 24out2012

Publicado em Roteiro Homilético
Terça, 05 Junho 2012 03:52

Bem vindos à casa da Mãe

Com o objetivo de tornar nossa Paróquia mais próxima de todos e todas, estamos colocando no ar nosso site. Este é mais uma ferramenta de proximidade com todos que buscam esta nossa casa para o aconchego da Mãe, Senhora de Lourdes, que se tornou a Protetora dos Enfermos.

Publicado em Notícias
Sábado, 21 Abril 2012 20:38

Muito prazer, sou o padre Dervile

Abaixo, a apresentação que o padre Dervile fez assim que assumiu sua antiga comunidade (São Pedro do Jardim Independência). A mesma apresentação se fez valida a nós, com o endosso do padre e o mesmo amor de outrora.

Publicado em Notícias
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