"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sábado, 16 Novembro 2013 13:37

Levantai a cabeça (33° Dom TC)

Estamos no penúltimo domingo do Ano litúrgico. As Leituras bíblicas são um prelúdio desse encerramento, convidando-nos a refletir sobre o fim dos tempos. A meta final, para onde Deus nos conduz, faz nascer em nós a esperança e a coragem para enfrentar as adversidades e lutar pelo Advento do Reino.

Na 1a leitura: Malaquias descreve o "Dia do Senhor". (Mal 4,1-2)

- O Povo de Israel tinha voltado do exílio com muitas promessas de um futuro maravilhoso, um reino de paz, de bem estar e de justiça. Mas, o que ele vê é o contrário. Por isso, começa a manifestar a desilusão.

- Malaquias, numa linguagem profética, dirige palavras de conforto e esperança.

Deus não abandona o seu povo. Vai intervir na história, destruindo o mal e fazendo triunfar o Bem, a Justiça e a Verdade.

* O texto não pretende incutir medo, falando do "fim do mundo", mas fortalecer a ESPERANÇA no Deus libertador para enfrentar os dramas da Vida e da História, Esperança que devemos ter ainda hoje, apesar do que vemos...

A 2a Leitura fala da comunidade de Tessalônica, perturbada por fanáticos que pregavam estar próximo o fim do mundo.

Por isso, não valia mais a pena continuar trabalhando. Paulo apresenta o exemplo de trabalho de sua vida e acrescenta: "Quem não quer trabalhar, também não deve comer..." (2Ts 3,7-12)

*  O TRABALHO é o melhor jeito de se preparar para a vinda do Senhor.

No Evangelho, temos o Discurso Escatológico, em que aparecem três momentos da História da Salvação: A destruição de Jerusalém, o tempo da Missão da Igreja e a Vinda do Filho do Homem. (Lc 21,5-19)

- Lucas escreveu o evangelho uns 50 anos depois da morte de Cristo.

Durante esse tempo, aconteceram fatos terríveis: guerras, revoluções, a destruição do Templo de Jerusalém, a perseguição dos cristãos por parte dos judeus e dos romanos.

- Para muitos eram sinais do fim do mundo... Lucas, com palavras do próprio Mestre, indica duas atitudes:

. Não se deixar enganar por falsos profetas.

. Não perder a esperança, Deus está conosco.

- Os Discípulos mostram a Jesus com orgulho a grandiosidade do TEMPLO...

- Jesus não se entusiasma com essa estrutura, para ele já superada,  e anuncia o fim desse modelo de sociedade e o surgimento de outra: "Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra... Tudo será destruído."

  - Diante disso, curiosos, querem saber mais informações: "Quando acontecerá isso? Qual vai ser o sinal?"

 - Jesus responde numa linguagem apocalíptica, misturando referências à queda de Jerusalém e ao fim do mundo: "Haverá grandes terremotos... fome e peste... aparecerão fenômenos espantosos no céu...

+ Jesus alerta sobre os falsos profetas: Não se deixar enganar: "Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome... Não sigais essa gente".

* Ainda hoje muitas pessoas falam em nome de Jesus, dando respostas fantasiosas produzidas por motivações pessoais.

Não é prudente acreditar em tudo o que se diz em nome de Jesus. 

+ Jesus exorta à esperança: Não ter medo...

Esses sinais de desagregação do mundo velho não devem assustar, pelo contrário são anúncio de alegria e esperança, de que um mundo novo está para surgir.

"Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se, ERGAM A CABEÇA, porque a Libertação está próxima". (Lc 21,28)

* Jerusalém deixa de ser o lugar exclusivo e definitivo da salvação; começa o tempo da Igreja, em que a Comunidade dos discípulos testemunharão a Salvação a todos os povos da terra.

+ As catástrofes continuam ainda hoje...

Guerras, revoluções, terrorismo infernizam por toda parte... Muita gente morre de fome, o aquecimento global é ameaçador; ciclones, terremotos e maremotos se multiplicam. Parece mesmo o fim de tudo. Os discípulos não devem temer: Haverá dificuldades, mas eles terão sempre a ajuda e a força de Deus.

No Discurso escatológico, Jesus define a missão da Igreja na História: Dar testemunho da Boa nova e construir o Reino.

Qual é a nossa atitude diante do mundo catastrófico em vivemos?

* Desperdiçamos o nosso tempo, ouvindo histórias de visionários, acreditando mais em revelações privadas, do que na Palavra do evangelho?

* Temos a certeza de que não obstante todas as contrariedades, o mundo novo, o Reino de Deus, um dia certamente triunfará?

* Diante de tantas dificuldades, nos deixamos levar pelo desânimo ou acreditamos de fato na vitória final do Reino de Cristo?

à Cristo nos garante:

"Coragem, LEVANTAI A CABEÇA, porque se aproxima a libertação".

Pe.  Antônio Geraldo Dalla Costa – 17.11.2013

 

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 08 Novembro 2013 16:07

A decisão é de cada um (32° Dom TC)

Jesus não dedicou muito tempo a falar da vida eterna. Não pretende enganar a ninguém fazendo descrições fantasiosas da vida depois da morte. Sem duvida, sua vida inteira desperta esperança. Vive aliviando o sofrimento e libertando do medo às pessoas. Contagia com uma confiança total em Deus. Sua paixão é fazer a vida mais humana e feliz para todos, tal como quer o Pai de todos.

Só quando um grupo de saduceus chega a ele com a ideia de ridicularizar a fé na ressurreição, em Jesus brota de seu coração crente a convicção que sustenta e alenta sua vida inteira: Deus “não é um Deus dos mortos, e sim dos vivos, porque para ele todos estão vivos”.

Sua fé é simples. É verdade que nós choramos nossos entes queridos porque, ao morrer, os temos perdido aqui na terra, mas Jesus não pode nem imaginar que para Deus se vão morrendo esses filhos seus a que tanto os ama. Não pode ser. Deus está compartilhando sua vida com eles porque os acolheu em seu amor insondável.

O erro mais preocupante de nosso tempo é a crise de esperança. Perdemos o horizonte de um Futuro ultimo e as pequenas esperanças desta vida não conseguem nos consolar. Este vazio de esperança está gerando em muitos a perda de confiança na vida. Nada vale a pena. É fácil então o vazio total.

Nestes tempos de desesperança, não nos estão pedindo a todos, crentes e não crentes, fazermos as perguntas mais radicais que carregamos dentro de nós? Esse Deus que muitos duvidam, e que muitos o estão abandonando e pelo que muitos seguem perguntando, não será o fundamento ultimo em que podemos apoiar nossa confiança radical na vida? Ao final de todos os caminhos, e no fundo de nossos anseios, no interior de nossas perguntas e lutas, não estará Deus como Mistério ultimo da salvação que estamos buscando?

A fé está ficando hospedada em algum lugar de nosso interior, como algo pouco importante, que não vale a pena cuidar já nestes tempos. Será assim? Certamente não é fácil crer, e é difícil não crer. Entretanto, o mistério ultimo da vida nos está pedindo uma resposta lucida e responsável.

Esta resposta é decisão de cada um. Quero excluir de minha vida toda a esperança ultima mais além da morte como uma falsa ilusão que não nos ajuda a viver? Quero permanecer aberto ao Mistério ultimo da existência confiando que ali encontraremos a resposta, a acolhida e a plenitude que andamos buscando já, desde agora?

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 08 Novembro 2013 16:02

Deus dos vivos (32° Dom TC)

Aproxima-se o final do ano litúrgico. A Liturgia nos oferece a oportunidade de aprofundar uma verdade importante de nossa fé: "Eu creio na Ressurreição dos mortos".

Os primeiros livros da Bíblia não falam claramente da Ressurreição dos mortos. Só mais tarde, começou-se a falar em Israel de um despertar daqueles que estão dormindo no pó da terra.

Na 1a Leitura, temos a 1ª profissão de fé na Ressurreição. (2Mac 7,1-2.9-14)

No tempo da perseguição do rei Antíoco (± 170 aC), a experiência da morte de muitos justos fez nascer a esperança da Ressurreição. Nessa época, temos o belo testemunho da Mãe e os sete filhos Macabeus. Eles são obrigados a violar a prática religiosa dos antepassados. Fortalecidos pela esperança da ressurreição, eles preferem enfrentar as torturas e a própria morte, a transgredir a Lei...

Vejamos as respostas corajosas dos primeiros quatro irmãos:

- Um deles, tomando a palavra em nome de todos, falou assim: "Estamos prontos a morrer, antes de violar as leis de nossos pais".

- O Segundo, prestes a dar o último suspiro, disse: "Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna, a nós que morremos por suas leis"

- Depois começaram a torturar o terceiro. Apresentando a língua e as mãos, diz: "Do céu recebi estes membros... no céu espero recebê-los de novo..."

- E o quarto quase a expirar: "Prefiro ser morto pelos homens, tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará. Para ti, porém, ó Rei, não haverá ressurreição para a vida".  

* São as afirmações mais claras do A.T. sobre a vida além da morte.

Assim mesmo tinham uma ideia ainda muito imperfeita. Era apenas a idéia de uma "revivificação dos justos", um readquirir no outro mundo uma vida semelhante a de antes.

A ideia foi se desenvolvendo, até ser completamente iluminada por Cristo.

No Evangelho, Jesus fala claramente da Ressurreição, afirmando que "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos". (Lc 20,27-38)

- Essa ideia imperfeita de Ressurreição existia ainda no tempo de Jesus.

Alguns Saduceus, que não acreditavam na Ressurreição, inventaram uma história e fizeram uma pergunta capciosa que visava ridicularizar a doutrina da ressurreição e da vida futura: Uma mulher viúva sem filhos... casou com 7 maridos sucessivamente ... 

Com quem ficará na vida futura?

- Jesus responde:

1. Aos Fariseus (que acreditavam numa ressurreição imperfeita): A Ressurreição não é apenas um despertar do sepulcro para retomar a vida de antes. A vida com Deus é uma realidade completamente nova e distinta.  É um dom maravilhoso que o Pai reservou para todos os seus filhos. Seremos imortais, glorificados, não mais sujeitos às leis da carne. Por isso, será desnecessário o matrimônio para a conservação da espécie.

2. Aos Saduceus: Afirma a existência da vida futura: Deus se manifestou a Moisés como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, muitos anos depois de terem desaparecido deste mundo. Isso quer dizer que eles não estão mortos, mas vivem atualmente em Deus. 

Portanto, se Abraão, Isaac e Jacó estão vivos, podemos falar de Ressurreição.

A RESSURREIÇÃO:

- A Ressurreição é a esperança que dá sentido a toda a caminhada do cristão. A fé cristã torna a esperança da ressurreição uma certeza absoluta, pois Cristo ressuscitou e quem se identifica com Cristo nascerá com ele para a vida nova e definitiva. A nossa vida presente deve ser uma caminhada tranquila, confiante, alegre, em direção a essa nova realidade.

- A Ressurreição não é a continuação da vida que vivemos neste mundo;  mas é a passagem para uma vida nova onde, sem deixarmos de ser nós próprios, seremos totalmente outros... É a realização da vida plena.

- A certeza da Ressurreição não deve ser, apenas, uma realidade que esperamos; mas deve ser uma realidade que influencia, desde já, a nossa existência terrena. É o horizonte da Ressurreição que deve influenciar as nossas atitudes; é a certeza da ressurreição que nos dá a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, de forma a que o novo céu e a nova terra que nos esperam comecem a desenhar-se desde já.

A Liturgia nos apresenta uma verdade consoladora: Viemos de Deus e, com a morte, voltamos para ele. A Morte não nos deve assustar: É o encontro maravilhoso com os amigos e parentes, que foram na nossa frente.

E, sobretudo, vai ser o encontro com o melhor dos amigos: DEUS. Nossa vida não termina aqui: ressuscitaremos...

"Nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos..."

- Cristo nos garante: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá". (Jo 11,25)

- "A esperança cristã é a ressurreição dos mortos: Tudo o que nós somos, o somos na medida em que acreditamos na Ressurreição." (Tertuliano)

 

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 10.11.2013

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 25 Outubro 2013 09:34

Quem sou eu para julgar? (30° Dom TC)

A parábola do fariseu e do publicano supõe despertar em alguns cristãos um repúdio grande ao fariseu que se apresenta diante de Deus arrogante e seguro de si mesmo, e em contraponto, uma simpatia espontânea ao publicano que reconhece humildemente seu pecado. Paradoxalmente, o relato pode despertar em nós esse sentimento: “Dou graças, meu Deus, porque não sou como esse fariseu”.

Para escutar corretamente a mensagem desta parábola, temos que levar em conta que Jesus não a conta para criticar os setores farisaicos, e sim para acordar a consciência de “alguns que se acham justos, se sentem seguros de si mesmos e desprezam os demais”. Entre estes, nos encontramos, certamente, muitos católicos de nossos dias.

A oração do fariseu nos revela sua atitude interior: “ Oh Deus! Dou graças porque não sou como os outros”. Que tipo de oração é esta que se faz crer que é melhor que os outros? Até um fariseu, fiel cumpridor das leis, pode viver em uma atitude pervertida. Este homem se sente justo diante de Deus e, precisamente por isso, se sente juiz que despreza e condena aos que não são como ele.

O publicano, ao contrário, só humildemente diz:” Oh Deus! Tem compaixão deste pecador”. Este homem reconhece humildemente seu pecado. Não ousa se gloriar de seu tipo de vida. Se entrega a compaixão de Deus. Não se compara a ninguém. Não julga os outros. Vive na verdade diante de si mesmo e de Deus.

A parábola é uma critica profunda que desmascara uma atitude religiosa mentirosa que nos permite viver diante de Deus, seguros de nossa inocência, enquanto condenamos a partir de nossa suposta superioridade moral a todos os que não pensam ou agem como nós.

Circunstancias históricas e correntes triunfalistas aleijadas do Evangelho nos fizeram católicos passíveis a essa tentação. Por isso, devemos ler essa parábola cada um em uma atitude de autocritica: Por que nos cremos melhores que os agnósticos? Por que nos sentimos mais perto de Deus que os não praticantes? O que existe no fundo de certas orações pela conversão dos pecadores? Que significa reparar os pecados dos outros sem viver convertendo-nos a Deus?

Recentemente, diante da pergunta de um jornalista, o Papa Francisco fez esta afirmação: “Quem sou eu para julgar um gay?” Suas palavras surpreenderam a todos. Ao que parece, ninguém esperava uma resposta tão simples e evangélica de um Papa católico. Sem dúvida, essa é a atitude de quem vive em verdade diante de Deus.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Sexta, 25 Outubro 2013 09:28

Fariseu ou Publicano? (30° Dom TC)

No domingo passado, refletimos sobre a necessidade da Oração perseverante: Um apelo muito atual ao homem moderno, tão ocupado e preocupado com tantas coisas, que quase não sobra tempo para si mesmo. E o tempo que sobra gasta na TV ou outras diversões.

Mas não basta rezar, precisa rezar bem...

- E qual é o espírito que deve animar a nossa oração para que seja agradável a Deus e proveitosa para nós?

As leituras da Liturgia de hoje nos dão uma resposta.

Na 1ª Leitura, Deus afirma que escuta as sua súplicas os HUMILDES: "A oração do humilde penetra as nuvens..." (Eclo 35,15a-17.20-22a)

* A nossa oração só tem valor e é acolhida por Deus, quando parte de um coração pobre, humilde e justo e é solidária com todos os oprimidos e empobrecidos.

Na 2ª Leitura, Paulo, velho, preso, condenado à morte, medita e reza sobre a sua VIDA... (1Tm 4,6-8.16-18)

"Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé..."

* É o testamento de alguém que está com a consciência do dever cumprido e aguarda com humildade e confiança a recompensa de Deus.

No Evangelho, Jesus mostra a ORAÇÃO HUMILDE de um pecador, que se apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher o Dom de Deus. (Lc 18,9-14)

- Os destinatários da Parábola do Fariseu "santo" e do Publicano "pecador" são: "alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros".

- Os dois rezam no Templo: um espera a recompensa e o outro a misericórdia... O modo de rezar dos dois é bem diferente: O Fariseu pelo caminho do orgulho, o Publicano pelo caminho da humildade.

+ O FARISEU: na frente... "de pé"... reza satisfeito pelo que é e pelo que faz:

 - Sua oração é longa: é uma arrogante exaltação de si. Agradece a Deus por não ser como os demais, nos quais só vê erros e pecados.

- É auto-suficiente: não precisa de Deus e despreza os irmãos. A sua Salvação não é dom de Deus, mas conquista de suas "boas obras".

+ O PUBLICANO: no fundo... de cabeça baixa... batendo no peito... Reconhece com humildade a soberania de Deus e a própria pequenez... Ele precisa de Deus e aceita a salvação que Deus lhe oferece.

- Sua oração é breve: resume-se em pedir perdão: "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador..."

+ À primeira vista, daria a impressão que o fariseu era mau e o publicano bom. No entanto, o fariseu era "bom praticante" e o publicano praticava injustiças. Mas, quem se comportava bem foi condenado e o pecador voltou "justificado". O fariseu ofereceu suas obras, o publicano sua miséria e seus pecados...

- E Jesus conclui: "Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".

A Parábola nos fala de DOIS TIPOS de Pessoas:

+ O Fariseu é modelo do homem "justo", cumpridor de todas as leis, que leva uma vida impecável. Ninguém o pode acusar de ações contra Deus, nem contra os irmãos. Está contente por não ser como os outros.

Vai à missa todos os domingos... Paga o dízimo... Confessa de vez em quando... Mas na confissão "não tem pecados". Só tem boas obras a declarar... Na Oração, ao invés de louvar a Deus, louva-se a si mesmo... Umas práticas religiosas bem observadas lhe dão a segurança da salvação.

* CRISTO quer uma religião em espírito e verdade, com o mandamento do amor.

E ele a reduz a umas obrigações, para estar em dia com Deus...

+ O Publicano é modelo do homem humilde, que se reconhece pecador. Sente necessidade de Deus, confia nele e lhe oferece seu pobre coração abatido.

* Aceita com humildade os meios da Confissão, da Missa e da Comunhão. Não se considera melhor do que os outros... Nem os julga...

+ Os novos Fariseus...

O FARISAÍSMO é uma atitude religiosa que nos impede de ver-nos como somos e deturpa nossa relação com Deus e com os irmãos. Ninguém está isento da contaminação dessa perene soberba humana. PUBLICANOS são todos aqueles que tomam consciência de seus erros e pedem perdão.

+ Quais são os sentimentos que animam o nosso coração na oração?

- Do Fariseu ou do Publicano?

- Como pretendemos voltar para casa?

- Será que muitas vezes não imitamos a posição de suficiência do fariseu?

- Ao invés de escutar Deus e suas exigências, preferimos convidá-lo a que admire a boa pessoa que somos?

- Não seria melhor, nos colocar ao lado do publicano, reconhecendo com humildade nossa condição de pecadores, confiando na misericórdia de Deus. Assim voltaremos para casa participando mais perfeitamente de sua justiça e de sua santidade.

Com este espírito, continuemos a nossa oração, para que ela seja realmente agradável a Deus e proveitosa para nós.

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 27-10-2013

Publicado em Roteiro Homilético

“Católicos e luteranos podem pedir perdão pelo mal que causaram uns aos outros e pelas culpas cometidas diante de Deus, e invocar “o dom da unidade”; “as dificuldades não faltam e não faltarão e serão necessários, paciência, diálogo, e compreensão recíproca”! Foi o que disse o Papa Francisco, recebendo em audiência nesta manhã, no Vaticano, uma delegação da Federação Luterana Mundial e os membros da Comissão luterano-católico para a Unidade.

“O ecumenismo espiritual constitui a alma do nosso caminho em direção da plena comunhão, e nos permite provar já agora qualquer fruto, ainda que imperfeito”, disse o Santo Padre, acrescentando:

“Na medida em que nos aproximamos com humildade de espírito ao Nosso Senhor Jesus Cristo, estamos certos de nos aproximarmos também entre nós e na medida que invocaremos do Senhor o dom da unidade, podemos estar certos de que Ele nos tomará pela mão e Ele será o nosso guia. É preciso deixar-se tomar pelas mãos do Senhor Jesus”.

O Papa Francisco congratulou-se ainda com o fato de ter sido publicado recentemente, em vista da comemoração dos 500 anos da Reforma, um texto da Comissão luterano-católica para a unidade intitulado “Do conflito à comunhão. A interpretação luterano-católica da Reforma em 2017”.

Olho com profunda gratidão a Jesus Cristo, aos numerosos passos que as relações entre luteranos e católicos deram nas últimas décadas, explicou o Papa, sublinhando que isso foi possível “não só através do diálogo teológico, mas também através da colaboração fraterna em vários âmbitos pastorais e, sobretudo, no compromisso a prosseguir no ecumenismo espiritual.

“Sabemos bem – como várias vezes nos recordou Bento XVI – que a unidade não é primariamente fruto do nosso esforço” – finalizou o Papa Francisco -, “mas da ação do Espírito Santo ao qual é necessário abrir os nossos corações com confiança para que nos conduza pelas estradas da reconciliação e da comunhão”. (SP)

Fonte: Radio Vaticano em 21.10.2013

Publicado em Palavra Viva

Nesta quarta-feira, mais uma vez a Praça S. Pedro ficou lotada para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Antes das 10h, o Pontífice já estava em meio aos fiéis, a bordo do seu jipe, para cumprimentá-los com bênçãos, carinhos e aperto de mãos. Em sua catequese, o Papa falou de mais uma característica da Igreja professada no Credo: a apostolicidade.

Professar que a Igreja é apostólica, explicou Francisco, significa destacar o elo profundo, constitutivo que ela tem com os Apóstolos. “Apostolo” é uma palavra grega que quer dizer “mandado”, “enviado”. Os Apóstolos foram escolhidos, chamados e enviados por Jesus, para continuar a sua obra. Partindo desta explicação, o Papa destacou brevemente três significados do adjetivo “apostólica” aplicado à Igreja.

Em primeiro lugar, a Igreja é apostólica porque está fundada sobre a pregação dos Apóstolos, que conviveram com Cristo e foram testemunhas da sua morte e ressurreição. “Sem Jesus, a Igreja não existe. Ele é a base e o fundamento da Igreja”, recordou o Papa, afirmando que a Igreja é como uma planta, que cresceu, se desenvolveu e deu frutos ao longo dos séculos, mas mantêm suas raízes bem firmes em Cristo.

Em segundo lugar, a Igreja é apostólica, porque Ela guarda e transmite, com ajuda do Espírito Santo, os ensinamentos recebidos dos Apóstolos, dando-nos a certeza de que aquilo em que acreditamos é realmente o que Cristo nos comunicou.

“Ele é o ressuscitado e suas palavras jamais passam, porque Ele está vivo. Hoje Ele está entre nós, está aqui, nos ouve. Ele está no nosso coração. E esta é a beleza da Igreja. Já pensamos em quanto é importante este dom que Cristo nos fez, o dom da Igreja, onde podemos encontrá-Lo? Já pensamos que é justamente a Igreja – no seu longo caminhar nesses séculos, apesar das dificuldades, dos problemas, das fraquezas, os nossos pecados – que nos transmite a autêntica mensagem de Cristo?”

Enfim, a Igreja é apostólica porque é enviada a levar o Evangelho a todo o mundo. Esta é uma grande responsabilidade que somos chamados a redescobrir: a Igreja é missionária e não pode ficar fechada em si mesma.

“Insisto sobre este aspecto da missionariedade, porque Cristo convida todos a irem ao encontro dos outros. Nos envia, nos pede que nos movamos para levar a alegria do Evangelho. Devemos nos perguntar: somos missionários ou somos cristãos de sacristia, só de palavras mas que vivem como pagãos? Isso não é uma crítica, também eu me questiono. A Igreja tem suas raízes, mas olha sempre para o futuro, com a consciência de ser enviada por Jesus. Uma Igreja fechada trai sua própria identidade. Redescubramos hoje toda a beleza e a responsabilidade de ser Igreja apostólica.”

Após a catequese, o Pontífice saudou os peregrinos de língua portuguesa, em especial os fiéis brasileiros de São José dos Campos, Santos e São Paulo. Em polonês, recordou os 35 anos da eleição à Sé de Pedro de João Paulo II.

Fonte: Rádio Vaticano 16.10.2013

Publicado em Palavra Viva

“Fome e desnutrição jamais podem ser consideradas um fato normal ao qual se habituar”: palavras do Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial da Alimentação, celebrado esta quarta-feira, 16.

O Pontífice endereçou sua mensagem ao Diretor-Geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que foi lida em plenária pelo Observador da Santa Sé na FAO, Dom Luigi Travaglino.

No texto, o Pontífice reitera a frase pronunciada em 20 de junho passado, quando definiu a fome como um escândalo e um dos desafios mais sérios para a humanidade:

“Paradoxalmente, numa época em que a globalização permite conhecer as situações de necessidade no mundo, parece crescer a tendência ao individualismo e ao fechamento em si mesmos. Tendência que leva à indiferença – em nível pessoal, institucional e governamental – por quem morre de fome ou sofre por desnutrição. Mas fome e desnutrição jamais podem ser consideradas um fato normal ao qual se habituar, como se fosse parte do sistema. Algo deve mudar em nós mesmos, na nossa mentalidade, nas nossas sociedades.”

Para Francisco, um passo importante nessa direção seria abater as barreiras do individualismo e da escravidão do lucro a todo custo. “Penso que seja necessário hoje, mais do que nunca, educar-nos à solidariedade, redescobrir o valor e o significado desta palavra tão incômoda e deixada de lado e fazer com que ela norteie as escolhas em nível político, econômico e financeiro, nas relações entre as pessoas, entre os povos e entre as nações.”

Só se pode ser solidário de modo concreto, disse o Papa, recordando que esta atitude não se reduz ao assistencialismo, mas deve levar à independência econômica.

Comentando o tema escolhido pela FAO para a celebração deste Dia, “Sistemas alimentares sustentáveis para a segurança alimentar e a nutrição”, o Papa pede uma renovação desses sistemas numa perspectiva solidária, ou seja, superando a lógica da exploração selvagem da criação, protegendo o meio ambiente e os seus recursos.

Mais uma vez, falou da “cultura do desperdício” – sinal da “globalização da indiferença” que leva a sacrificar homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo. Um fruto dessa cultura é o desperdício de alimentos – destino de quase um terço da produção alimentar mundial.

Eis então que “educar-nos à solidariedade significa educar-nos à humanidade: edificar uma sociedade que seja realmente humana significa colocar no centro, sempre, a pessoa e a sua dignidade, e jamais liquidá-la à lógica do lucro”.

Esta educação deve começar em casa, disse Francisco, que é a primeira comunidade educativa onde se aprende a cuidar do outro, do bem do outro, a amar a harmonia da criação e a gozar e compartilhar os seus frutos, favorecendo um consumo racional, equilibrado e sustentável.

“Apoiar e tutelar a família para que eduque à solidariedade e ao respeito é um passo decisivo para caminhar rumo a uma sociedade mais équa e humana”, concluiu o Pontífice, garantindo o empenho e a companhia da Igreja Católica neste percurso.

Fonte: Rádio Vaticano 16.10.2013

Publicado em Palavra Viva
Quarta, 16 Outubro 2013 06:18

Acreditamos na justiça? (29° Dom TC)

Lucas conta uma pequena parábola indicando-nos que Jesus a contou para explicar a seus discípulos “como deveriam rezar sempre sem desanimar”. Este tema é muito querido ao evangelista que, em várias ocasiões, repete a mesma ideia. Como é natural, a parábola tem sido lida quase sempre como um convite a cuidar com perseverança de nossa oração a Deus.

Sem duvida, se observarmos o conteúdo da passagem e a conclusão de Jesus, vemos que a chave da parábola é a sede de justiça. Até quatro vezes se repete a expressão “fazer justiça”. Mais que um modelo de oração, a viúva do relato é um exemplo admirável de luta pela justiça em meio de uma sociedade corrupta que abusa dos mais fracos.

O primeiro personagem da parábola é um juiz que “não teme a Deus e não se importa com os homens”. É a encarnação exata da corrupção que denunciam repetidamente os profetas: os poderosos não temem a justiça de Deus e não respeitam a dignidade e o direito dos pobres. Não são casos isolados. Os profetas denunciam a corrupção do sistema judicial em Israel e a estrutura machista daquela sociedade patriarcal.

O segundo personagem é uma viúva indefesa em meio a uma sociedade injusta. Por uma parte, vive sofrendo os atropelos de um “adversário” mais poderoso que ela. Por outro lado, é vítima de um juiz que não se importa em momento algum com sua pessoa e seu sofrimento. Assim vivem milhões de mulheres de todos os tempos na maioria de todos os povos.

Na conclusão da parábola, Jesus não fala da oração. Antes de tudo, pede confiança na justiça de Deus: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos que lhe gritam dia e noite?” Estes eleitos não são “os membros da Igreja” e sim os pobres de todos os povos que clamam pedindo justiça. Deles é o Reino de Deus.

Logo, Jesus faz uma pergunta que é todo um desafio para seus discípulos: “Quando vier o Filho do Homem, encontrará esta fé na terra?” Não está pensando na fé como adesão doutrinal, mas na fé que encoraja a atuação da viúva, modelo de indignação, resistência ativa e coragem para reclamar justiça aos corruptos.

É esta a fé e a oração dos cristãos satisfeitos nas sociedades de bem estar?

Seguramente, tem razão J.B.Metz quando denuncia que na espiritualidade cristã tem muitos cantos e poucos gritos de indignação, muita complacência e pouca nostalgia de um mundo mais humano, muito consolo e pouca fome de justiça.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Publicado em Roteiro Homilético
Terça, 15 Outubro 2013 10:35

Braços erguidos (29° Dom TC)

A Liturgia de hoje nos convida a manter com Deus uma ORAÇÃO PERSEVERANTE. Só assim será possível aceitar os projetos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos e acreditar no seu amor.

Na 1a Leitura, MOISÉS não desiste de rezar. (Ex 17,9-13a)

O Povo de Deus está a caminho da Terra Prometida...

- Josué organiza seus homens para lutar contra os inimigos com as armas.

- Moisés, no alto da colina, de "mãos erguidas", faz uso da arma da Oração.

Duas pessoas sustentam os braços cansados de Moisés. A vitória foi alcançada muito mais pelo auxílio de Deus, do que pelo valor dos combatentes.

* Nas duras batalhas da vida, devemos contar com a ajuda e a força de Deus. Devemos manter, como Moisés, as "Mãos sempre erguidas" em oração, sem nos deixar vencer pelo cansaço.

Na 2a Leitura, PAULO indica uma fonte preciosa que alimenta a Oração:

A Sagrada Escritura: "Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça... Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, preparado para toda a boa obra". (2Tm 3,14-4,2)

* A Bíblia é o fundamento da fé e o vigor das comunidades.

A Instrução bíblica constitui o equipamento vital do homem de Deus, aos ministros da Palavra, uma preparação conveniente, para que ela se torne atraente e chegue ao coração dos ouvintes.

O Documento de Aparecida afirma: "Uma maneira privilegiada de ler a Bíblia é a LEITURA ORANTE DA BÍBLIA...

Bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo". (DA 249)

No Evangelho, a VIÚVA não desiste de implorar. (Lc 18,1-8)

"Para mostrar a necessidade de REZAR SEMPRE, e nunca desistir":

 Jesus contou aos discípulos uma PARÁBOLA:

- Uma viúva injustiçada pede justiça... mas o juiz não lhe dá ouvidos... Ela tanto insiste, que o juiz acaba atendendo. A insistência da viúva vence a indiferença do juiz iníquo.

- Se até um homem mau cede diante de um pedido incessante, quanto mais Deus, que é justo e santo, nos atenderá e salvará...

A Oração deve ser um Diálogo insistente e contínuo...

* Deus está sempre atento aos nossos pedidos, mesmo quando "parece" insensível aos nossos apelos, aos nossos clamores por justiça. Geralmente temos pressa... Ele sabe a hora e o momento para cada coisa.

A nós resta moderar a impaciência e confiar totalmente nele.

+ "REZAR SEMPRE"...

- Significa nunca interromper o DIÁLOGO com Deus, mesmo no aparente silêncio de Deus. "É a presença silenciosa de Deus na base do nosso pensamento, da nossa reflexão e do nosso ser, que impregna toda a nossa consciência". (Bento XVI)

- Nesse diálogo, Deus transforma os nossos corações e aprendemos a nos entregar nas mãos de Deus e confiar nele. Se interrompermos esse contado, se deixarmos "cair os braços", logo fracassaremos.

+A Oração não é uma fórmula mágica para levar Deus a fazer nossa vontade ou até nossos caprichos. Não é um simples ato de piedade, ou expressão do sentimento; mas antes um ato de fé e de amor, que nos abre ao DIÁLOGO COM DEUS.

+ Rezar é CONVERSAR com Deus: Falar e Escutar...

As Orações não precisam de palavras complicadas. Existem orações escritas que rezamos, mas também as orações que são feitas quando queremos conversar com Deus do nosso jeito.

Deus é o nosso melhor amigo e gosta de nos ouvir.

+ Rezar é fazer SILÊNCIO profundo para ouvir Deus, acolher a sua Palavra e assim nos dispor a fazer a sua vontade...

+ Rezar é uma RESPOSTA vivencial e verbal, que poderá assumir várias FORMAS: Ação de graças... Contemplação...

Profissão de fé... Declaração de entrega... Pedido...

+ UM DESAFIO(convite): Nesta semana: encontrar todos os dias um tempo sagrado para uma Oração (conversa) pessoal com Deus... A Oração perseverante ajudará a ser "Discípulos-Missionários".

Nesse Dia Mundial das Missões, recordemos o compromisso missionário da Igreja, rezando pelos missionários e dando a nossa oferta pelas missões. Lembremos mais uma vez o tema "Juventude em missão" e o lema "A quem eu te enviar, irás" da Campanha missionária.

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 20.10.2013

Publicado em Roteiro Homilético

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