"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Segunda, 18 Janeiro 2016 14:25

Na mesma direção (3° Dom TC)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Antes de começar a narrar a atividade de Jesus, Lucas quer deixar muito claro aos seus leitores qual é a paixão que impulsiona o Profeta da Galileia e qual é a meta de toda a Sua atuação. Os cristãos têm de saber em que direção empurra Jesus o Espírito de Deus, pois segui-lo é precisamente caminhar na Sua mesma direção.

Lucas descreve com todo o detalhe o que faz Jesus na sinagoga da Sua aldeia: põem-se de pé, recebe o livro sagrado, procura ele mesmo uma passagem de Isaías, lê o texto, fecha o livro, devolve-o e senta-se. Todos hão de escutar com atenção as palavras escolhidas por Jesus pois expõem a tarefa a que se sente enviado por Deus.

Surpreendentemente, o texto não fala de organizar uma religião mais perfeita ou de implantar um culto mais digno, mas de comunicar libertação, esperança, luz e graça aos mais pobres e desgraçados. Eis o que lê. «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Me ungiu. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres, para anunciar aos cativos a liberdade, e aos cegos a vista. Para dar liberdade aos oprimidos; para anunciar o ano da graça do Senhor». Ao terminar, diz-lhes: «Hoje cumpre-se esta Escritura que acabais de ouvir».

O Espírito de Deus está em Jesus enviando-O aos pobres, orientando toda a Sua vida para os mais necessitados, oprimidos e humilhados. É nesta direção que têm de trabalhar os Seus seguidores. Esta é a orientação que Deus, encarnado em Jesus, quer imprimir à história humana. Os últimos hão de ser os primeiros em conhecer essa vida mais digna, liberta e ditosa que Deus quer já desde agora para todos os Seus filhos e filhas.

Não temos de o esquecer. A «opção pelos pobres» não é uma invenção de uns teólogos do século vinte, nem uma moda posta em circulação depois do Vaticano II. É a opção do Espírito de Deus que anima a vida inteira de Jesus, e que os Seus seguidores têm de introduzir na história humana. Dizia-o Paulo VI: é um dever da Igreja «ajudar a que nasça a libertação…e fazer que seja total».

Não é possível viver e anunciar Jesus Cristo se não é desde a defesa dos últimos e a solidariedade com os excluídos. Se o que fazemos e proclamamos desde a Igreja de Jesus não é captado como algo bom e libertador pelos que mais sofrem, que evangelho estamos a predicar? Que Jesus estamos a seguir? A que nos estamos a dedicar? Dito de forma mais clara: que impressão têm os cristãos? Estamos caminhando na mesma direção que Jesus?

 

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez)

Ler 2437 vezes Última modificação em Segunda, 18 Janeiro 2016 18:28

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