"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Quarta, 04 Novembro 2015 10:38

Contraste (32° Dom TC)

Escrito por  José Antonio Pagola
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O contraste entre as duas situações é total. Na primeira, Jesus põe as pessoas em guarda frente aos escribas do templo. A sua religião é falsa: utilizam-na para procurar a sua própria glória e explorar aos mais fracos. Não tem de os admirar nem seguir o seu exemplo. Na segunda, Jesus observa o gesto de uma pobre viúva e chama os Seus discípulos. Desta mulher podem aprender algo que nunca lhes ensinarão os escribas: uma fé total em Deus e uma generosidade sem limites.

A crítica de Jesus aos escribas é dura. Em vez de orientar o povo em direção a Deus procurando a Sua glória, atraem a atenção das pessoas para si mesmos procurando a sua própria honra. Gostam de «passear-se com amplas roupas» procurando cumprimentos e reverências das pessoas. Na liturgia das sinagogas e nos banquetes procuram «os lugares de honra» e «os primeiros lugares».

Mas há algo que, sem dúvida, dói a Jesus mais que este comportamento fátuo e pueril de ser contemplados, saudados e reverenciados. Enquanto aparentam uma piedade profunda nas suas «longas rezas» em público, aproveitam-se do seu prestígio religioso para viver à custa das viúvas, dos seres mais débeis e indefesos de Israel segundo a tradição bíblica.

Precisamente, uma destas viúvas vai pôr em evidência a religião corrupta destes dirigentes religiosos. O seu gesto passou despercebido a todos, mas não a Jesus. A pobre mulher só deitou na arca das oferendas duas pequenas moedas, mas Jesus chama de seguida os Seus discípulos pois dificilmente encontrarão naquele ambiente do templo um coração mais religioso e mais solidário com os necessitados.

Esta viúva não anda à procura de honras nem prestigio algum; atua de forma calada e humilde. Não pensa em explorar ninguém; pelo contrário, dá tudo o que tem porque outros o podem necessitar. Segundo Jesus, deu mais que todos, pois não dá o que lhe sobra, mas «tudo o que tem para viver».

Não nos equivoquemos. Estas pessoas simples, mas de coração grande e generoso, que sabem amar sem reservas, são o melhor que temos na Igreja. Elas são as que fazem o mundo mais humano, as que creem verdadeiramente em Deus, as que mantêm vivo o Espírito de Jesus no meio das outras atitudes religiosas falsas e interesseiras. Destas pessoas temos de aprender a seguir a Jesus. São as que mais se lhe parecem.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez)

Ler 3849 vezes Última modificação em Quarta, 04 Novembro 2015 14:44

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