"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Segunda, 05 Outubro 2015 08:16

Uma coisa nos falta (28° Dom TC)

Escrito por  José Antonio Pagola
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O episódio é narrado com intensidade especial. Jesus põe-se a caminho para Jerusalém, mas antes que se afaste daquele lugar, vem a «correr» um desconhecido que «cai de joelhos» ante Ele para retê-Lo. Necessita urgentemente de Jesus.

Não é um doente que pede a cura. Não é um leproso que, desde o chão, implora compaixão. A sua petição é de outra ordem. O que ele procura naquele mestre bom é luz para orientar a sua vida: «Que farei para herdar a vida eterna?». Não é uma questão teórica, mas existencial. Não fala em geral; quer saber que tem de fazer pessoalmente.

Antes de mais nada, Jesus recorda-lhe que «não há nada que seja melhor que Deus». Antes de considerarmos o que temos de «fazer», temos de saber que vivemos ante um Deus Bom como ninguém: na Sua bondade insondável temos de apoiar a nossa vida. Depois, recorda-lhe «os mandamentos» desse Deus Bom. Segundo a tradição bíblica, esse é o caminho para a vida eterna.

A resposta do homem é admirável. Tudo isso o cumpriu desde pequeno, mas sente dentro de si uma aspiração mais profunda. Está à procura de algo mais. «Jesus olha-o com carinho». O Seu olhar expressa a relação pessoal e intensa que quer estabelecer com ele.

Jesus entende muito bem a sua insatisfação: «uma coisa te falta». Seguindo essa lógica de «fazer» o que se manda «obter» a vida eterna, mesmo que se viva de forma integra, não ficará plenamente satisfeito. No ser humano há uma aspiração mais profunda.

Por isso, Jesus convida-o a orientar a sua vida segundo uma lógica nova. Em primeiro lugar é não viver agarrado aos seus bens («vende o que tens»). O segundo, é ajudar os pobres («dá-lhes o teu dinheiro»). Por último, «vem e segue-me». Os dois poderão percorrer juntos o caminho para o reino de Deus (!).

O homem levanta-se e afasta-se de Jesus. Esquece o Seu olhar carinhoso e parte triste. Sabe que nunca poderá conhecer a alegria e a liberdade de quem segue Jesus. Marco explica-nos que «era muito rico».

  • Não é esta a nossa experiência de cristãos satisfeitos dos países ricos?
  • Não vivemos presos pelo bem-estar material?
  • Não lhe falta à nossa religião o amor prático aos pobres?
  • Não nos falta a alegria e liberdade dos seguidores de Jesus?

 

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez)

Ler 3699 vezes Última modificação em Segunda, 05 Outubro 2015 17:21

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