"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sexta, 08 Maio 2015 08:59

Não nos desviarmos do Amor (6° Dom da Páscoa)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Permanecei em meu amor.

O evangelista João põe na boca de Jesus um longo discurso de despedida em que se recorrem com uma intensidade especial algumas características fundamentais que seus discípulos devem recordar ao longo dos tempos, para serem fiéis a sua pessoa e a seu projeto. Também em nossos dias.

Permaneçam em meu amor”. É o primeiro. Não se trata só de viver em uma religião, e sim de viver o amor com que nos ama Jesus, o amor que recebeu do Pai. Ser cristão não é em primeiro lugar um assunto doutrinal, sim uma questão de amor. Ao longo dos séculos, os discípulos conheceram incertezas, conflitos e dificuldades de toda ordem. O importante será sempre não desviar-se do amor.

Permanecer no amor de Jesus não é algo teórico nem vazio de conteúdo. Consiste em “guardar seus mandamentos”, que Ele mesmo resume em seguida ao amor fraterno: “Este é meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos tenho amado”. O cristianismo encontra em sua religião muitos mandamentos. Sua origem, sua natureza e sua importância são diversos e desiguais. Com o passar do tempo se multiplicam. Só do mandamento do amor diz Jesus: “Este é meu mandamento”. Em qualquer época e situação, o decisivo para o cristianismo é não fugir do amor fraterno.

Jesus não apresenta esse mandamento como uma lei que há de deixar nossa vida mais dura, mais pesada, sim como uma fonte de alegria: “Falo-vos isto para que minha alegria esteja com vocês e vossa alegria seja plena”. Quando entre nós falta o verdadeiro amor, cria-se um vazio que nada nem ninguém podem encher de alegria.

Sem amor não é possível dar passos para um cristianismo mais aberto, cordial, alegre, simples e amável onde possamos viver como “amigos” de Jesus, segundo a expressão evangélica. Não saberemos como gerar alegria. Ainda que sem querer seguiremos cultivando um cristianismo triste, cheio de queixas, ressentimentos, lamentações e inquietações.

Em nosso cristianismo há falta, com frequência, de alegria do que se faz e se vive com amor. Em nosso seguimento a Jesus Cristo nos falta o entusiasmo da inovação, e sobra a tristeza de se repetir sem convicção de estar reproduzindo o que Jesus queria de nós.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Ler 4517 vezes Última modificação em Sexta, 08 Maio 2015 15:02

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