"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Quinta, 30 Abril 2015 07:31

Não desviarmo-nos de Jesus (5º Dom Páscoa)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Sem mim não podeis fazer nada.

A imagem é simples e de grande força expressiva. Jesus é a “verdadeira vinha”, cheia de vida; os discípulos são “ramos” que vivem da seiva que chega de Jesus; o Pai é o vinhateiro que cuida pessoalmente da vinha para que dê fruto em abundância. O importante é que se vá fazendo realidade seu projeto de um mundo mais humano e feliz para todos.

A imagem põe em relevo onde está o problema. Há ramos secos pelos quais não circula a seiva de Jesus. Discípulos que não dão frutos porque não corre em suas veias o Espírito do Ressuscitado. Comunidades cristãs que definham desconectadas de sua pessoa.

Por isso se faz uma afirmação carregada de intensidade: “o ramo não pode dar fruto se não permanecer na videira”: a vida dos discípulos é estéril “se não permanecem” em Jesus. Suas palavras são categóricas: “Sem mim não podeis fazer nada”. Não está aqui a verdadeira raiz da crise em nosso cristianismo, o fator interno de suas rachaduras e divisões na construção como nenhum outro?

A forma em que muitos cristãos vivem sua religião, sem uma união vital com Jesus Cristo, não sobreviverá por muito tempo: ficará reduzida a “um folclore” anacrônico que não levará a ninguém a Boa Noticia do Evangelho. A Igreja não poderá levar a cabo sua missão no mundo contemporâneo, se nós, que nos dizemos cristãos não nos convertermos em discípulos de Jesus, animados por seu Espírito e sua paixão por um mundo mais humano.

Ser cristão exige hoje uma experiência vital em Jesus Cristo, um conhecimento interior de sua pessoa e uma paixão por seu projeto, que antes não se requeriam para ser apenas um praticante de uma sociedade de cristandade. Se não aprendemos a viver de um contato mais imediato e apaixonado com Jesus, a decadência de nosso cristianismo pode se converter em uma doença mortal.

Os cristãos vivem hoje preocupados e distraídos por muitas questões. Não pode ser de outra maneira. Mas não podemos esquecer o essencial. Todos somos “ramos”. Só Jesus é “a verdadeira videira”. O decisivo nestes momentos é “permanecer n’Ele” aplicar toda nossa atenção no Evangelho; alimentar em nossos grupos, redes, comunidades e paroquias o contato vivo com Ele; não nos desviarmos de seu Projeto.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Ler 4515 vezes Última modificação em Quinta, 30 Abril 2015 13:36

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