"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Terça, 23 Dezembro 2014 08:55

Sinal de contradição (Domingo Sagrada Família)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Será um sinal de contradição”.

Simeão é um personagem estranho. Nós o imaginamos sempre como um sacerdote ancião do Templo, mas nada disso diz o texto. Simeão é um bom homem do povo que guarda em seu coração a esperança de ver um dia “o consolo” que tantos necessitam. “Inspirado pelo Espírito de Deus”, sobe ao templo no momento que estão entrando Maria, José e seu menino Jesus.

O encontro é comovente. Simeão reconhece no menino que traz consigo aquele casal pobre de judeus piedosos, o Salvador que esperavam há anos. O homem se sente feliz. É um gesto corajoso e maternal, “pega o menino em seus braços” com um grande amor e carinho. Agradece a Deus e agradece a seus pais. Sem dúvida, o evangelista o apresenta como modelo.  Assim devemos acolher o Salvador.

Mas, logo se dirige a Maria e seu rosto muda. Suas palavras não anunciam nada tranquilizador. “Uma espada lhe transpassará a alma”. Este menino que tem em seus braços será um “sinal de contradição”: fonte de conflitos e enfrentamentos.  Jesus fará que “uns caiam e outros se levantem” Algum o acolherão e suas vidas adquirirão uma nova dignidade: sua existência se encherá de luz e esperança. Outros o expulsarão e colocarão a suas vidas a perder.  A rejeição a Jesus será sua ruina.

Ao tomar posição diante de Jesus, “ficará clara a atitude de muitos corações”. Ele colocará a descoberto o que há de mais profundo nas pessoas. A acolhida deste menino pede uma mudança profunda. Jesus não vem para trazer tranquilidade, sim para gerar um processo doloroso e conflitivo de conversão radical.

Sempre é assim. Também hoje. Uma Igreja que leve a serio sua conversão a Jesus Cristo, não será nunca um espaço de tranquilidade e sim de conflito. Não é possível uma relação mais vital com Jesus sem dar passos bem maiores aos níveis da verdade. E isto é sempre doloroso para todos.

Quanto mais nos aproximamos de Jesus, melhor veremos nossas incoerências e desvios; o que ha de verdade ou de mentira em nosso cristianismo; o que há de pecado em nossos corações e nossas estruturas, em nossas vidas e nossas teologias.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

 

Ler 4301 vezes Última modificação em Terça, 23 Dezembro 2014 12:58

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