"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Terça, 18 Novembro 2014 09:11

O Decisivo (Cristo Rei)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Este relato não é propriamente uma parábola e sim uma evocação do juízo final de todos os povos. Toda a cena se concentra em um diálogo longo entre o Juiz que é Jesus ressuscitado e dois grupos de pessoas: os que aliviaram o sofrimento dos mais necessitados e os que viveram negando-lhes ajuda.

Ao longo dos séculos os cristãos viram neste diálogo fascinante “a melhor interpretação do Evangelho”, “o elogio absoluto do amor solidário”, ou a advertência mais grave aos que vivem refugiados falsamente na religião”. Vamos assinalar as afirmações básicas.

Todos os homens e mulheres sem exceção serão julgados pelo mesmo critério. O que dá um valor imprescindível a vida não é a condição social, o talento pessoal ou o êxito conquistado ao longo dos anos. O decisivo é o amor prático e solidário aos necessitados de ajuda.

Este amor se traduz em feitos muito concretos. Por exemplo, “dar de comer”, “dar de beber”, “acolher o imigrante”, “vestir aquele que está nu”, “visitar o enfermo e o preso”. O decisivo diante de Deus não são as ações religiosas, sim estes gestos humanos de ajuda aos necessitados. Podem brotar de uma pessoa crente ou de coração de um agnóstico que pensa nos que sofrem.

O grupo dos que tem ajudado aos necessitados que são encontrados em seu caminho, não o fizeram por motivos religiosos. Não pensaram em Deus e nem no Ressuscitado. Simplesmente buscaram aliviar um pouco o sofrimento que há no mundo. Agora, convidados por Jesus, entram no Reino de Deus como “benditos do Pai”.

Por que é tão decisivo ajudar os necessitados e tão condenável negar-lhes ajuda? Porque segundo revela o Juiz, o que se faz ou o que se deixa de fazer a eles, se está fazendo ou deixando de fazer ao mesmo Deus encarnado em Cristo. Quando abandonamos a um necessitado, estamos abandonando a Deus. Quando aliviamos seu sofrimento, estamos fazendo com Deus.

Esta surpreendente mensagem nos põe a todos olhando para os que sofrem. Não há religião verdadeira, não há pratica progressista, não há proclamação responsável dos direito humanos se não é defendendo aos mais necessitados, aliviando seu sofrimento e restaurando sua dignidade.

Em cada pessoa que sofre, Jesus sai ao nosso encontro, nos olha, nos interroga e nos suplica. Nada nos aproxima mais a Ele do que aprender a olhar detidamente o rosto dos que sofrem com compaixão. Em nenhum lugar poderemos reconhecer com mais verdade o rosto de Jesus.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Ler 1348 vezes Última modificação em Terça, 18 Novembro 2014 13:14

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