"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sexta, 11 Abril 2014 13:13

Nada o pode deter (Domingo de Ramos)

Escrito por  José Antonio Pagola
Avalie este item
(0 votos)

A execução de João Batista não foi algo casual. Segundo uma ideia muito comum no povo judeu, o destino que espera um profeta é a incompreensão, o repúdio e, em muitos casos, a morte.

Provavelmente, Jesus contou desde o princípio com a possibilidade de um final violento.

Jesus não foi um suicida nem buscava o martírio. Nunca quis o sofrimento nem para ele nem para ninguém. Dedicou sua vida a combater as enfermidades, as injustiças, a marginalização e a falta de esperança.

Viveu focado em “buscar o Reino de Deus e sua Justiça”: um mundo mais digno e feliz para todos como sonha seu Pai.

Se aceita a perseguição e o martírio é por fidelidade a esse projeto de Deus que não quer ver sofrer seus filhos e filhas. Por isso, não corre atrás da morte, mas também não foge dela Não recua diante das ameaças, tampouco suaviza sua mensagem.

Para ele, teria sido fácil evitar a execução. Bastaria que se calasse e não insistisse naquilo que poderia irritar o Templo ou o palácio do governo romano. Não fez isso. Seguiu seu caminho. Preferiu ser executado a trair sua consciência e ser infiel ao projeto de Deus, sei Pai.

Aprendeu a viver em um clima de insegurança, conflitos e acusações. Dia a dia se foi reafirmando em sua missão e seguiu anunciando com clareza sua mensagem. Atreveu-se a difundir não só nas aldeias retiradas da Galileia, mas nas redondezas perigosas do Templo. Nada o deteve.

Morrerá fiel a Deus em quem confiou sempre.  Continuará acolhendo a todos, inclusive aos pecadores e indesejáveis. Se continuam repudiando-o, morrerá como um “excluído” mas com sua morte confirmará o que tinha sido sua vida inteira: confiança total em um Deus que não exclui  ninguém de seu perdão.

Continuará buscando o Reino de Deus e sua Justiça, identificando-se com os mais pobres e desprezados. Se um dia o executam no martírio da cruz, reservado para escravos, morrerá como o mais pobre e desprezado, mas com sua morte confirmará para sempre sua fé em um Deus que quer a salvação do ser humano de tudo que o escraviza.

Os seguidores de Jesus devem descobrir o Mistério ultimo da realidade, encarnado em seu amor e entrega total ao ser humano. No amor desse crucificado está Deus mesmo, identificado com todos os que sofrem, gritando contra todas as injustiças e perdoando aos carrascos de todos os tempos. Neste Deus se pode crer ou não crer, mas não é possível escapar-se dele. N’Ele, nós cristãos confiamos. Nada o impedirá em seu empenho de salvar seus filhos.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

 

Ler 1256 vezes Última modificação em Sexta, 11 Abril 2014 19:22

Links

Quer sugerir temas para buscarmos respostas? O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Redes Sociais

    A Igreja também está presente nas Redes Sociais, acompanhe!