"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sexta, 04 Abril 2014 11:23

Um profeta que chora (5° Dom Quaresma)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Jesus nunca escondeu seu carinho pelos três irmãos que viviam em Betania. Certamente são os que lhe acolhem em sua casa sempre que sobe à Jerusalém. Um dia Jesus recebe um recado: nosso irmão Lázaro, “teu amigo”, está doente. Em pouco tempo, Jesus se encaminha até a pequena aldeia.

Quando chega, Lázaro já está morto. Ao vê-lo chegar, Maria, a irmã mais nova, se põe a chorar. Ninguém pode lhe consolar. Ao ver sua amiga chorar e também os judeus que a acompanham, Jesus não consegue conter-se. Também ele “se põe a chorar” junto deles. As pessoas comentam: “Como o queria bem!”

Jesus não chora só pela morte do amigo muito querido. Sua alma se abre diante da impotência de todos diante da morte. Todos nós levamos no mais intimo de nosso ser um desejo insaciável de viver. Por que temos que morrer? Por que a vida não é mais feliz, mais comprida, mais segura, mais vida?

O homem de hoje, como em todas as épocas, traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e mais difícil de responder: Que vai ser de todos e de cada um de nós? É inútil tratar de nos enganarmos. Que podemos fazer? Revoltarmo-nos? Deprimirmo-nos?

Sem dúvida, a reação mais generalizada é esqueceremos e “seguir caminhando”. Mas, como está o ser humano, chamado a viver sua vida e a viver a si mesmo com lucidez e responsabilidade? Somente ao final de nossas vidas devemos nos cercar de forma inconsciente e irresponsável, sem, durante a vida, tomarmos postura alguma?

Diante do mistério ultimo de nosso destino não é possível apelar para dogmas científicos nem religiosos. Não nos podem levar mais além desta vida. Mais honrada parece ser a postura do escultor Eduardo Chillida que, em certa ocasião, o escutei dizer: “Da morte, a razão me diz que é definitiva. Da razão, a razão me diz que é limitada”.

Nós cristãos, não sabemos da outra vida mais que os outros. Também nós temos que nos posicionar com humildade ao lado escuro de nossa morte. Mas o fazemos com uma confiança radical na Bondade do Mistério de Deus que vislumbramos em Jesus. Esse Jesus que, sem o tê-lo visto, amamos e, mesmo sem vê-lo, lhe damos nossa confiança.

Esta confiança não pode ser entendida a partir de fora. Só pode ser vivida por quem a responde, com uma fé simples, as palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Crês nisto?” Recentemente, Hans Küng, o teólogo católico mais critico do século vinte, chegando já a seu final, diz que para ele, morrer é “descansar no mistério da misericórdia de Deus.”

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Ler 2909 vezes Última modificação em Sexta, 04 Abril 2014 17:27

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