"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sábado, 29 Março 2014 05:54

Para os excluídos (4° Dom Quaresma)

Escrito por  José Antonio Pagola
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É cego de nascimento. Nem ele, nem seus pais têm culpa alguma, mas seu destino ficará marcado para sempre. As pessoas o olham como um pecador castigado por Deus. Os discípulos de Jesus lhes perguntam se o pecado é do cego ou de seus pais.

Jesus o olha de maneira diferente.  A partir do momento que o tinha visto, só pensa em tirá-lo daquela vida desgraçada de mendigo, desprezado por todos como um pecador. Ele se sente chamado por  Deus a defender, acolher e curar precisamente aos que vivem excluídos e humilhados.

Depois de uma cura trabalhosa em que ele também precisou colaborar com Jesus, o cego descobre pela primeira vez a luz. O encontro com Jesus mudou sua vida. Enfim poderá desfrutar de uma vida digna, sem medo de envergonhar-se diante de ninguém.

Se engana. Os dirigentes religiosos se sentem obrigados a controlar a pureza da religião. Eles sabem quem não é pecador e quem está em pecado. Eles decidirão se ele pode ser aceito ou não na comunidade religiosa.

O mendigo curado confessa abertamente que foi Jesus que o acolheu e o curou, mas os fariseus não aceitam irritados. “Nós sabemos que esse homem é um pecador”. O homem insiste em defender Jesus: Ele é um profeta, vem de Deus. Os fariseus não aguentam. “Nasceste pecador dos pés à cabeça e, agora nos quer dar lições?

O evangelista diz que, “quando Jesus olhou que o haviam expulsado, foi se encontrar com ele”. A conversa é breve. Quando Jesus lhe pergunta se crê no Messias,  o mendigo diz: “E, quem é, Senhor, para que eu creia nele”? Jesus lhe responde comovido: Não está longe de ti. “Já o estás vendo; o que fala com você, esse é o Messias”. O mendigo diz: “Creio, Senhor”.

Assim é Jesus. Ele vem sempre ao encontro daqueles que não são acolhidos oficialmente  pela religião. Não abandona a quem o busca e ama ainda que sejam excluídos pelas comunidades e instituições religiosas. Os que não tem lugar em nossas igrejas, tem um lugar privilegiado em seu coração.

Quem levará hoje esta mensagem de Jesus até as comunidades que, em qualquer momento, ouvem condenações públicas injustas de dirigentes religiosos cegos; que chegam as celebrações religiosas com medo de serem reconhecidos; que não podem comungar em paz em nossas eucaristias; que se veem obrigados a viver sua fé em Jesus no silencio de seu coração, quase de maneira secreta e clandestina? Amigos e amigas desconhecidos, não nos esqueçamos: quando nós, cristãos, os excluímos, Jesus  está lhes acolhendo.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Ler 4101 vezes Última modificação em Sábado, 29 Março 2014 15:01

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