"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sábado, 29 Março 2014 08:51

De olho aberto para não virar escravo (4° Dom Quaresma)

Escrito por  Côn. Celso Pedro da Silva
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Antes, vivíamos nas trevas, agora vivemos como filhos da luz, e sabemos que somos de verdade luz no Senhor quando somos acompanhados pela bondade, pela justiça, pela verdade. Elas nos levam a abrir os olhos de quem não vê que está se tornando escravo. Os cristãos de Éfeso foram estimulados a não se associaram às obras das trevas, mas a desmascará-las. Não apoiar aqueles que se justam em quadrilhas para corromperem a existência humana, e são agentes do poder demoníaco que diminui e anula a dignidade do ser humano. Eles sabem agir em segredo. Quando lemos na carta aos efésios: “O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo”, pense no tráfico de pessoas, de homens escravizados, de mulheres exploradas, de crianças vendidas. Que a luz ponha às claras as maquinações feitas em segredo. “Desperta, tu que dormes” para prevenir, reprimir e punir o tráfico de pessoas. Isto é tarefa de quem pastoreia.

O Padre Antônio Vieira, no Sermão da Epifania, em 1662, defendendo a ação missionária nas novas terras, dizia: “E porque algum político, mau gramático e pior cristão, não cuide que a obrigação do pastor é somente apascentar, como parece o que significa a derivação do nome, saiba que só quem apascenta e defende é pastor, e quem não defende, ainda que apascente, não”. Quem não defende as ovelhas não é pastor bom nem mau. Simplesmente não é pastor. “Querem que tragamos os gentios à fé, e que os entreguemos à cobiça; querem que tragamos as ovelhas ao rebanho e que as entreguemos ao cutelo, querem que tragamos os Magos a Cristo e que os entreguemos a Herodes”. Vieira está dizendo que não podemos nos interessar pela “alma” dos irmãos e nos esquecer de seus “corpos”, não podemos dar a alguém o nome de cristão e descurar a sua dignidade. É missão da Igreja cuidar do homem todo e de todos os homens e mulheres. Somos todos “pescadores de gente” e trabalhamos em favor de gente viva. Abrir os olhos das vítimas é grande obra de caridade, e não menor é abrir os olhos dos algozes.

Jesus abre os olhos do cego de nascença. No entanto, em todo o relato da cura desse cego se percebe que o verdadeiro cego não é ele e sim os fariseus que o acusam e acusam Jesus. Fariseu aqui representa todos aqueles que vêem os outros a partir do pecado que neles permanece. Seu olhar não é de bondade, nem de justiça nem de verdade. É corrupto. O Espírito do Senhor se apoderou de Davi quando foi ungido para ser rei e guiar o povo de Deus. Davi, porém, nem sempre foi correto, mas soube dizer “Pequei, Senhor, misericórdia”. Da sua descendência nascerá Jesus, o que salva do pecado. Seres livres e inteligentes podem se encaminhar para o bem ou para o mal. Seres livres e inteligentes podem rever suas ações, mudar o rumo, converter-se.

Os pais do cego mostram ser gente simples, que se atrapalham com tantas perguntas sobre a cura de seu filho. Eles têm medo de serem expulsos da sua religião. Também eles precisam ter os olhos abertos para não se deixarem enganar. Continua sendo necessário “lutar contra as regras do jogo, de um jogo sem regras”, para manter abertos os olhos de milhões de seres humanos.

Cônego Celso Pedro da Silva

Ler 2958 vezes Última modificação em Sábado, 29 Março 2014 14:54

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