"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Terça, 04 Fevereiro 2014 09:17

Sair para as periferias (5° Dom TC)

Escrito por  José Antonio Pagola
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Jesus dá a conhecer com duas imagens audazes e surpreendentes o que pensa e espera de seus seguidores. Não devem viver pensando sempre em seus próprios interesses, seu prestígio ou seu poder. Ainda que sejam um grupo pequeno em meio ao imenso Imperio de Roma, deverão ser o “sal” que necessita a terra e a “luz” que faz falta no mundo.

“Vós sois o sal da terra”. As pessoas simples da Galileia percebem espontaneamente a linguagem de Jesus. Todo mundo sabe que o sal serve, sobretudo, para dar sabor à comida e para preservar os alimentos para que não se estraguem. Do mesmo modo, os discípulos de Jesus terão que contribuir para que as pessoas saboreiem a vida sem cair na corrupção.

“Vós sois a luz do mundo”. Sem a luz do sol, o mundo fica as escuras e não podemos orientar-nos nem desfrutar da vida em meios às trevas. Os discípulos de Jesus podem carregar a luz que necessitamos para orientarmos, aprofundar o sentido ultimo da existência e caminhar com esperança.

As duas metáforas coincidem em algo muito importante. Se permanece fechado em um recipiente,  o sal não serve para nada. Somente quando em contato com os alimentos  e se mistura com a comida, pode dar sabor ao que comemos. O mesmo acontece com a luz. Se permanece fechada e oculta, não pode iluminar ninguém. Somente quando está no meio das sombras pode iluminar e orientar. Uma Igreja fechada ao mundo não pode ser nem sal nem luz.

O Papa Francisco já viu que a Igreja vive hoje fechada em si mesma, paralisada pelos medos e demasiada distante dos ,problemas e sofrimentos como para dar sabor para a vida moderna e para oferecer a luz genuína do Evangelho. Sua reação foi imediata: “Devemos sair às periferias”.

O Papa insiste outra vez: “Prefiro uma Igreja machucada, ferida e manchada por sair para a rua, do que uma Igreja doente pelo seu fechamento e comodismo por agarrar-se às suas próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada em ser o centro e que termina fechada em um emaranhado de obsessões e procedimentos”.

A chamada de Francisco está dirigida a todos os cristãos: “Não podemos ficarmos tranquilos numa espera passiva em nossos templos”. “O Evangelho nos convida a correr o risco do encontro com o rosto do outro”. O Papa quer introduzir na Igreja o que ele chama “a cultura do encontro”. Está convencido de que “o que necessita hoje a Igreja é a capacidade de curar feridas e dar calor aos corações”.

José Antonio Pagola

Teólogo e biblista espanhol

(Tradução livre: Dervile Alonço)

Ler 5723 vezes Última modificação em Terça, 04 Fevereiro 2014 13:22

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