"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."

Cidade do Vaticano (RV) – Como todas as manhãs, Papa Francisco celebrou Missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano. Participaram da celebração Eucarística, entre outros, representantes das Embaixadas e Consulados da Argentina na Itália e junto à FAO. O Papa recordou que não celebra Missa em espanhol desde o dia 26 de fevereiro, antes do Consistório.

Em sua homilia em espanhol, o Santo Padre agradeceu aos presentes pelo trabalho que fazem pela Pátria, fora do país. A seguir, meditou sobre a Liturgia do dia, onde Jesus se dirige aos seus discípulos, dizendo: “Que a justiça de vocês seja superior àquela dos fariseus”. Esta exortação vem depois das Bem-Aventuranças e da citação “Jesus não veio para abolir a Lei, mas para aperfeiçoá-la”.

Com efeito, disse o Santo Padre, a reforma proposta por Jesus é “uma proposta sem ruptura, mas uma reforma na continuidade”: um processo que vai da “semente ao fruto”. Quem “entra na vida cristã”, disse, tem exigências maiores que as dos outros, não maiores vantagens”. 

Depois, o Papa exortou “a não denegrirmos e nem insultarmos o próximo, mas a trilharmos o caminho da fraternidade. A agressividade natural do homem, como aquela de Caim contra Abel, se repete na história da humanidade. Isso demonstra que somos pecadores e fracos. E concluiu:

“Gostaria de pedir ao Senhor que nos conceda a graça a todos de prestar mais atenção sobre as críticas que fazemos aos outros. É uma pequena penitência que dá bons frutos. Peçamos ao Senhor a graça de adequar a nossa vida à lei da mansidão, do amor e da paz”! 

Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/13

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Sexta, 07 Junho 2013 02:37

A multiplicação das empanadas

Tive a oportunidade de entrevistar Bergoglio em diversas ocasiões e circunstâncias, mas num momento em que abundam os episódios de quem afirma que o conheceu muito bem, a minha é realmente uma contribuição mínima. Posso só dizer que uma vez o vi multiplicar os alimentos, como fez Jesus com os pães e os peixes. Foi em Outubro de 2012.

Na altura eu colaborava com a Sala de imprensa dos encontros ecumênicos de católicos e evangélicos da qual o pe. Bergoglio era um dos organizadores. No estádio no qual se realizava o encontro a administração não permitia entrar com comida, por conseguinte durante as pausas todos os presentes deviam comprar lá a comida. A escolha não era muito variada: haviam só empanadas, os típicos bolinhos recheados com carne, e além disso eram poucos. Era um dia de festa nacional e no programa não estavam previstos outros eventos. Alguém perguntou a Bergoglio se preferia ir almoçar no bairro exclusivo de Puerto Madero, perto do estádio, no qual se encontram diversos restaurantes elegantes, mas ele respondeu que teria ficado para almoçar juntamente com todos os outros.

Quando nós jornalistas fizemos uma pausa para o almoço já era muito tarde e não tinha ficado quase nada. Enquanto percorríamos a sala onde se servia o almoço, Bergoglio aproximou-se, saudou-nos um por um e agradeceu-nos pelo nosso trabalho. Nós sentamo-nos na última mesa. A empregada trouxe-nos um prato com cinco empanadas, mas nós éramos oito. Um de nós tomou a iniciativa e começou a dividi-las. Compartilhar: este era o espírito do encontro. Contudo, não tínhamos outra escolha.

Da sua mesa do outro lado da sala Bergoglio viu os nossos movimentos e compreendeu. Levantou-se e pergunto aos outros clientes se tinham acabado de comer. Recuperou das mãos de pastores e sacerdotes as últimas empanadas, reuniu-as num prato e deu-as a nós. Comovidos pelo seu gesto tão atencioso, sentimo-nos lisonjeados e surpreendidos. Ele tinha multiplicado a comida.

Aquele pequeno milagre ficou-nos gravado no coração. O homem de hoje que ocupa o sólio de Pedro tinha visto e preenchido uma necessidade, enquanto ninguém se tinha dado conta.

Este é o homem que, com setenta e seis anos, tem como objetivo mudar o mundo. Será que vai conseguir?

É o epílogo do livro Francesco. Il Papa della gente. Dall'infanzia all'elezione papale, una vita al servizio degli altri (Milano, Rizzoli, 2013, 380 páginas, 15 euros), tradução italiana da biografia de Jorge Mario Bergoglio publicada pela editora argentina Aguilar que a autora, vaticanista da «Nación» e amiga da família Bergoglio, doou há poucos dias ao Papa. A própria Evangelina Himitian narrou no seu jornal (um artigo publicado a 2 de Junho) este encontro: uma breve audiência privada que, devido aos numerosos compromissos do Pontífice, parecia destinada a ser cancelada. Ao contrário, ao tomar conhecimento da sua presença, o Papa Francisco mandou chamá-la imediatamente: As regras do Vaticano para as audiências papais são muito rigorosas. Com um simples gesto Francisco muda-as todas. Apressa-se, oferece um abraço, um beijo. Chama-te pelo nome e sorri. Esforça-se por demonstrar o que é claro a todos logo que o vemos: que é o mesmo pe. Jorge de sempre.

Fonte: www.news.va L’Osservatore Romano - 2013-06-06

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Cidade do Vaticano – O papa Francisco defendeu no Vaticano o ambiente e a vida humana, que diz serem ameaçados por uma cultura do "descartável´ e do desperdício, por causa do consumismo. “Aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de finanças carentes de ética: assim, homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo, é a cultura do descartável”, disse, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas para a audiência pública semanal, na Praça de São Pedro.

O papa lamentou que a pobreza e os “dramas de tantas pessoas”, em particular as mais necessitadas, deixem de ser notícia e acabem por entrar na “normalidade”. "Se numa noite de inverno aqui, na Piazza Ottaviano, por exemplo, uma pessoa morre, isso não é novidade. Se em muitas partes do mundo há crianças que não têm nada para comer, isso não é novidade, parece normal. Isso não pode ser! E estas coisas entram na normalidade: que sem-abrigo morram de frio na rua não é notícia; pelo contrário, por exemplo, uma queda de 10 pontos em bolsas de algumas cidades é uma tragédia. A pessoa que morre não é notícia, mas se as bolsas caem 10 pontos é uma tragédia. Assim, as pessoas são descartadas. Nós, as pessoas, somos descartadas, como se fôssemos desperdício”, alertou, falando de improviso.

A intervenção abordou ainda o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, que hoje se celebra, "Pensar.Comer.Conservar", centrado no problema do desperdício alimentar. De acordo com a organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), 1,3 mil milhões de toneladas de comida são desperdiçadas anualmente, número equivalente à quantidade de alimentos produzidos em toda a África subsaariana; todos os dias mais de 20 mil crianças com menos de cinco anos morrem de fome.

"A cultura do descartável tornou-nos insensíveis ao lixo e ao desperdício alimentar, que são ainda mais lamentáveis quando em todas as partes do mundo, infelizmente, muitas pessoas e famílias sofrem de fome e subnutrição", observou o papa.

Francisco recordou que as gerações dos "avós" tinham muita atenção para não deitar comida fora, mas que hoje o “consumismo” levou as pessoas a habituarem-se “ao supérfluo e ao desperdício diário de alimento”, cujo valor “vai para lá dos meros parâmetros econômicos”. “A comida que deitamos fora é roubada da mesa de quem é pobre, de quem tem fome”, avisou, em espanhol. A intervenção referiu que os papas têm falado de uma “ecologia humana” estreitamente ligada à “ecologia ambiental”, em particular no atual momento de crise que ameaça as pessoas.

“O perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é só uma questão de economia, mas de ética e antropologia”, precisou. Neste contexto, Francisco disse que a vida humana já é vista como “valor primário a respeitar e tutelar”, em particular quando é “pobre ou deficiente, se ainda não serve – como o bebê por nascer – ou já não serve – como o idoso”.

“Convido todos, neste Dia Mundial do Ambiente, a um sério compromisso no sentido de se respeitar e guardar a criação, ser solícito por cada pessoa e combatera cultura do descartável e do desperdício com uma cultura da solidariedade e do encontro”, propôs o papa, na sua catequese. A audiência contou com uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa, que foram encorajados a “apostar em ideais grandes de serviço, que engrandecem o coração”.

(Fonte: www.domtotal.com/noticias 05-06-13)

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O Santo Padre Francisco, depois da saudação do Cardeal Bagnasco, pronunciou as seguintes palavras:

Agradeço a Vossa Eminência por esta saudação, e cumprimentos também pelo trabalho desta Assembleia. Obrigado a todos vós. Estou certo de que o trabalho foi intenso porque tendes tantas tarefas. Primeiro: a Igreja na Itália – todos – o diálogo com as instituições culturais, sociais, políticas, que é uma tarefa vossa e não é fácil. Também o trabalho de fortificar as Conferências regionais, para que sejam a voz de todas as regiões, tão diversas; e isso é belo. Também o trabalho, sei que há uma Comissão para reduzir um pouco o número das dioceses tão pesado. Não é fácil, mas há uma Comissão para isso. Ide avante com a fraternidade, a Conferência episcopal vá avante com o diálogo, como disse, com as instituições culturais, sociais, políticas. É coisa vossa. Avante! 

Homilia do Santo Padre Francisco

Caros irmãos no Episcopado,

As leituras bíblicas que ouvimos nos fazem refletir. A mim me fizeram refletir muito. Fiz como uma meditação para nós Bispos, primeiro para mim, Bispo como vós, e a partilho convosco.

É significativo – e estou por isso particularmente feliz – que o nosso primeiro encontro aconteça aqui, no lugar que guarda não só a tumba de Pedro, mas a memória viva do seu testemunho de fé, do seu serviço à verdade, de sua entrega até ao martírio pelo Evangelho e pela Igreja.

Nesta tarde este altar da Confissão se torna assim o nosso lago de Tiberíades, em cujas margens ouvimos de novo o estupendo diálogo entre Jesus e Pedro, com a pergunta endereçada ao Apóstolo, mas que deve ressoar também em nosso coração de Bispos.

“Tu me amas? “És meu amigo?” (cfr Jo 21,15ss).

A pergunta é feita a um homem que, apesar de solenes declarações, se havia deixado tomar pelo medo e tinha renegado.

“Tu me amas? “És meu amigo?”

A pergunta é feita a mim e a cada um de nós, a todos nós: se evitamos responder de maneira muito apressada e superficial, ela nos impele a olhar-nos dentro, a entrarmos em nós mesmos.

“Tu me amas? “És meu amigo?”

Aquele que perscruta os corações (cfr Rm 8,27) se faz mendicante de amor e nos interroga sobre a única questão verdadeiramente essencial, premissa e condição para apascentar as suas ovelhas, os seus cordeiros, a sua Igreja. Todo ministério se fundamenta sobre esta intimidade com o Senhor; viver dele é a medida do nosso serviço eclesial, que se expressa na disponibilidade à obediência, ao rebaixamento, como ouvimos na Carta aos Filipenses, e na entrega total (cfr 2,6-11).

Pelo mais, a consequência de amar o Senhor é dar tudo – tudo mesmo, até a própria vida – por ele: é isto o que deve distinguir o nosso ministério pastoral: é o papel tornassol (indicador ácido base) que diz com qual profundidade abraçamos o dom recebido respondendo ao chamado de Jesus e o quanto estamos ligados às pessoas e às comunidades que nos foram confiadas. Não somos expressão de uma estrutura ou de uma necessidade organizativa: até com o serviço da nossa autoridade somos chamados a ser sinal da presença e da ação do Senhor ressuscitado, a edificar, pois, a comunidade na caridade fraterna.

Não que isso seja suposto: até o maior amor, de fato, quando não é continuamente alimentado, se enfraquece e se extingue. Não por nada o apóstolo Paulo adverte: “Vigiai sobre vós mesmos e sobre todo o rebanho, em meio do qual o Espírito Santo vos constituiu como guardas para serem pastores da Igreja de Deus, adquirida com o sangue do próprio Filho” (At 20,28).

A ausência de vigilância – nós o sabemos – torna tépido o pastor; torna-o distraído, esquecido e até impaciente; o seduz com a prospectiva da carreira, da ilusão do dinheiro e os compromissos com o espírito do mundo; torna-o preguiçoso, transformando-o em um funcionário, um clérigo de estado preocupado mais consigo, com as organizações e as estruturas do que com o verdadeiro bem do Povo de Deus. Corre-se então o risco, como o Apóstolo Pedro, de renegar o Senhor, mesmo se formalmente nos apresentamos e falamos em seu nome; ofusca-se a santidade da Mãe Igreja hierárquica, tornando-a menos fecunda.

Quem somos, irmãos, diante de Deus? Quais são as nossas provações? Temos tantas, cada um de nós sabe das suas. O que Deus nos está dizendo por meio delas? Sobre o que nos estamos apoiando para superá-las?

Como para Pedro, a pergunta de Jesus, insistente e de coração, pode deixar-nos doloridos e ainda mais conscientes da fraqueza da nossa liberdade, ameaçada como é por mil condicionamentos internos e externos, que muitas vezes suscitam perda, frustrações, até mesmo incredulidade.

Não são certamente estes os sentimentos e os atitudes que o Senhor pretende suscitar; ao contrário, desses se aproveita o inimigo, o diabo, para isolar na amargura, no queixume e no desencorajamento.

Jesus, bom Pastor, não humilha nem abandona ao remorso: nele fala a ternura do Pai, que consola e impulsiona; faz passar da desagregação da vergonha – porque na verdade a vergonha nos desagrega – ao tecido da confiança, dá de novo coragem, confia de novo responsabilidade, envia à missão.

Pedro, que purificado ao fogo do perdão pode dizer humildemente “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo” (Jo 21,17). Estou certo de que todos nós podemos dizê-lo de coração. E Pedro purificado, na sua primeira carta nos exorta a apascentar “o rebanho de Deus [...] supervisionando-o, não constrangidos, mas de boa vontade [...] não por vergonhoso interesse, mas com ânimo generoso, não como patrões das pessoas a nós confiadas, mas tornando-nos modelos do rebanho” (1Pd 5,2-3).

Sim, ser Pastores significa crer todo dia na graça e na força que nos vem do Senhor, apesar da nossa fraqueza, e assumir até o fundo a responsabilidade de caminhar diante do rebanho, livres dos pesos que entravam a agilidade apostólica, e sem hesitações na direção, para tornar reconhecível a nossa voz seja pelos que abraçaram a fé, seja por aqueles que ainda “não são deste rebanho” (Jo 10,16): somos chamados a fazer nosso o sonho de Deus, cuja casa não conhece exclusão de pessoas ou de povos, como anunciava profeticamente Isaías na primeira leitura (cfr Is 2,2-5).

Por isso, ser Pastores quer dizer também dispor-se a caminhar no meio e atrás do rebanho: capazes de ouvir o relato silencioso de quem sofre e de sustentar o passo de quem tem medo de não alcançar; atentos a levantar, a dar segurança e a infundir a esperança. Da partilha com os humildes a nossa fé sempre sai fortificada: deixemos, pois de lado todo tipo de arrogância, para inclinar-nos sobre aqueles que o Senhor confiou à nossa solicitude. Entre esses, um lugar particular, bem particular, reservamo-lo aos nossos sacerdotes: sobretudo para eles, o nosso coração, a nossa mão e a nossa porta permaneçam abertas em qualquer circunstância. Eles são os primeiros fiéis que nós Bispos temos: os nossos sacerdotes. Amemo-los! Amemo-los de coração! São nossos filhos e os nossos irmãos

Caros irmãos, a profissão de fé que agora renovamos juntos não é um ato formal, mas é renovar a nossa resposta ao “Segue-me” com o qual se conclui o Evangelho de João (21,19): leva a desenvolver a própria vida segundo o projeto de Deus, empenhando-se totalmente para o Senhor Jesus. Daí BR

ota o discernimento que conhece e assume os pensamentos, as expectativas e as necessidades dos homens do nosso tempo.

Com este espírito agradeço de coração a cada um de vós pelo vosso serviço, pelo vosso amor à Igreja.

E a Mãe está aqui! Coloco-vos e me coloco também sob o manto de Maria, nossa Senhora.

Mãe do silêncio, que guarda o mistério de Deus,

Livra-nos da idolatria do presente, à qual se condena quem esquece.

Purifica os olhos dos pastores com o colírio da memória:

Voltaremos ao frescor das origens, por uma Igreja orante e penitente.

Mãe da beleza, que floresce da fidelidade ao trabalho cotidiano,

Desperta-nos do torpor da preguiça, da mesquinhez e do derrotismo

Reveste os Pastores da compaixão que unifica e integra: descobriremos a alegria de uma Igreja serva, humilde e fraterna.

Mãe da ternura, que envolve de paciência e de misericórdia,

ajuda-nos a queimar tristezas, impaciências e rigidez de quem não conhece pertença.

Intercede junto a teu Filho para que nossas mãos sejam ágeis, os nossos pés e os nossos corações:

Edificaremos a Igreja com a verdade na caridade.

Mãe, seremos o povo de Deus, peregrino rumo ao Reino. Amém.

Basílica Vaticana – 23/05/2013

(Tradução Conêgo Celso Pedro da Silva)

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Quarta, 15 Maio 2013 23:50

Quando os pastores se tornam lobos

Bispos e sacerdotes que se deixam vencer pela tentação do dinheiro e pela vaidade do carreirismo, de pastores transformam-se em lobos «que devoram a carne das suas ovelhas». Não usou meios-termos o Papa Francisco para estigmatizar o comportamento de quem – disse citando santo Agostinho – «apodera-se da carne da ovelha para a comer, aproveita-se; negocia e é apegado ao dinheiro; torna-se avaro e muitas vezes até simoníaco. Ou aproveita da sua lã para a vaidade, para se vangloriar». Para superar estas «verdadeiras tentações», bispos e sacerdotes devem rezar, mas precisam também da oração dos fiéis. A que o próprio Papa pediu esta manhã, quarta-feira 15 de Maio, a quantos participaram na celebração da missa na capela da Domus Sanctae Marthae.

O Santo Padre comentou as leituras do dia: a primeira (Actos dos Apóstolos 20, 28-38) «é uma das páginas mais bonitas do Novo Testamento» frisou. Narra a relação entre Paulo e os fiéis de Éfeso, portanto a relação do bispo com o seu povo, «feita de amor e de ternura». Desta relação fala-se também no Evangelho de João (17, 11-19), «no qual se encontram outras palavras-chave», explicou o Pontífice, que o Senhor  dirige aos discípulos: «vigiai»; «cuidai do povo»; «edificai, defendei». E «Jesus diz ao Pai: “consagra”». São palavras e gestos que exprimem precisamente uma relação de protecção, de amor entre Deus e o pastor e entre o pastor e o povo. «Esta é uma mensagem para nós bispos, sacerdotes e povo – esclareceu o Papa. Jesus diz-nos: “Vigiai sobre vós mesmos e sobre toda a criação”. O bispo e o padre devem vigiar, exercer a vigilância precisamente sobre o seu povo. Também cuidar do seu povo, fazê-lo crescer. Ser sentinela para o avisar quando os lobos chegam». Tudo isto «indica uma relação muito importante entre bispo, sacerdote e povo de Deus. No final um bispo não é bispo para si mesmo, mas para o povo; e um sacerdote não é sacerdote para si mesmo, mas para o povo». Uma relação «muito bonita» baseada no amor recíproco. E «assim a Igreja torna-se unida. Vós – perguntou aos fiéis – recordais-vos sempre dos bispos e dos sacerdotes? Temos necessidade das vossas orações».

De resto, esclareceu, a relação entre bispos, sacerdotes e povo de Deus não se funda na solidariedade social, portanto «o bispo e o sacerdote são solidários com o povo: nós aqui, vós ali». Trata-se de uma «relação existencial», «sacramental», como a que é descrita no Evangelho, na qual «bispo, sacerdote e povo se ajoelham, rezam e choram. É esta a Igreja unida! O amor mútuo entre bispo, sacerdote e povo. Temos necessidade das vossas orações para fazer isto, porque também o bispo e o sacerdote podem ser tentados»

Fonte: (www.news.va/pt - L´Osservatore Romano - 15/05/2013)

 

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Mais uma quarta-feira de festa na Praça São Pedro no Vaticano; de fato mais de 70 mil fiéis provenientes de todas as partes do mundo se reuniram para ouvir a catequese do Papa Francisco no âmbito da audiência geral. No encontro desta manhã o Santo Padre refletiu sobre três textos do Evangelho que ajudam a entrar no mistério de uma das verdades que se professam no Credo: Jesus “de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos”; os textos foram o das dez virgens, a dos talentos e o do Juízo Final. Na parábola das dez virgens – disse o Papa – o Esposo que as jovens esperam com as lâmpadas de azeite é o Senhor. O tempo de espera é o tempo que devemos manter acesas as nossas lâmpadas da fé, da esperança e da caridade, é o tempo antes de sua vinda final.

“O que se pede é que devemos estar preparados para o encontro, que significar saber ver os sinais de sua presença, manter viva a nossa fé, com a oração e com os Sacramentos; trata-se de ser vigilantes para não dormirmos, para não se esquecermos de Deus”.

Já na parábola dos talentos, se recorda que Deus concedeu dons, que devem ser usados e multiplicados, pois no seu retorno perguntará como foram utilizados.

Esta parábola – disse o Papa – nos fala que a espera do retorno do Senhor é o tempo da ação, o tempo no qual usar os dons de Deus, não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar sempre fazer crescer o bem no mundo. E em particular hoje, neste período de crise, é importante não se fechar em si mesmo, enterrando o próprio talento, mas abrir-se, ser solidário, estar atento ao outro. E falando aos jovens disse:

“A vocês, que estão no início do caminho da vida, peço: vocês pensaram nos talentos que Deus lhe deu? Pensaram como poder colocá-lo ao serviço dos outros? Não enterrem os talentos! Apostem em ideais grandes, que alargam o coração, ideais de serviço que tornam fecundos os seus talentos. A vida não nos foi dada para que a conservemos para nós mesmos, mas nos foi dada para que a doemos. Caros jovens, tenham uma grande coragem! Não tenham medo de sonhar coisas grandes!”

Na parábola do Juízo Final se descreve a segunda vinda do Senhor e se adverte que seremos julgados na caridade, como amamos os demais, especialmente os mais necessitados.

“Queridos irmãos e irmãs, olhar para o Juízo Final jamais nos deve provocar medo; mas ao contrário nos impulsione a viver melhor o presente. Deus oferece-nos, com misericórdia e paciência, este tempo para aprendermos a reconhecê-Lo nos pobres e nos humildes e perseverarmos vigilantes no amor. Possa o Senhor, no fim da nossa vida e da nossa história, reconhecer-nos como servos bons e fiéis!” 

O Santo Padre saudou ainda os diversos grupos de peregrinos presentes, entre os quais o de língua portuguesa!

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! Saúdo com afeto os grupos de Portugal e do Brasil, em particular os fiéis das paróquias Divino Pai Eterno de Goiânia e São Pedro de Vila Rica, encorajando-vos a todos a apostar em ideais grandes, ideais de serviço que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Confiai em Deus, como a Virgem Maria!” 

Em italiano, Francisco citou o sequestro dos metropolitas greco-ortodoxo e sírio-ortodoxo de Aleppo, cuja libertação está sendo noticiada mas não foi ainda confirmada: "É mais um sinal da trágica situação que a querida nação síria está vivendo. Armas e violências continuam a semear morte e sofrimento. Rezo para que os dois bispos regressem rapidamente às suas comunidades e peço a Deus que ilumine os corações. Renovo o convite feito no dia de Páscoa para que cesse o derramamento de sangue, seja oferecida a necessária assistência humanitária à população e encontrada o quanto antes uma solução política para a crise". 

Na conclusão do encontro Papa Francisco concedeu a todos a sua Benção Apostólica. (SP)

(Fonte: Radio Vaticano - 24/04/2013)

 

 

 

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O Evangelho do Bom Pastor com Jesus que se define "a porta das ovelhas" esteve no centro da homilia do Papa, na manhã desta segunda-feira, na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Participaram da celebração alguns funcionários da Sala de Imprensa da Santa Sé, com o diretor Pe. Federico Lombardi e o vice-diretor Pe. Ciro Benedettini, e alguns técnicos da Rádio Vaticano que trabalham no parque de transmissão da nossa emissora, situado na localidade de "Santa Maria di Galeria".

No Evangelho proposto pela liturgia do dia, Jesus diz que quem não entra no recinto das ovelhas pela porta, não é o pastor. A única porta para entrar no Reino de Deus, para entrar na Igreja – afirmou o Papa –, é Jesus mesmo.

"Quem não entra no recinto das ovelhas pela porta, mas chega até elas de outra parte, é um ladrão ou um brigante." É "alguém que quer tirar proveito para si mesmo" – disse o Pontífice – é alguém que "quer ascender":

"Também nas comunidades cristãs existem os carreiristas, não?, que buscam proveito próprio... e conscientemente ou inconscientemente enganam entrar, mas são ladrões e brigantes. Por que? Porque roubam a glória a Jesus, querem a glória para si e isso é aquilo que Jesus dizia aos fariseus: 'Vós buscais a glória um ao outro...'. De certo modo, uma religião de negócio, não? Dou a glória a ti e tu dás a glória a mim. Mas estes não entraram pela porta verdadeira. A porta é Jesus e quem não entra por esta porta erra. E como faço para saber que a porta verdadeira é Jesus? Como faço para saber que esta porta é a porta de Jesus? Pegue as Bem-aventuranças e faça aquilo que dizem as Bem-aventuranças. Seja humilde, seja pobre, seja manso, seja justo..."

Mas "Jesus – prosseguiu o Papa – não é somente a porta: é o caminho, é a estrada. Existem muitas trilhas, talvez mais vantajosas para chegar, mas são "enganosas, não são verdadeiras: são falsas. Somente Jesus é o caminho:

"Algum de vocês poderá dizer: 'Padre, o senhor é fundamentalista!' Não, simplesmente, isso foi dito por Jesus: 'Eu sou a porta', 'Eu sou o caminho' para dar-lhe a vida. Simplesmente. É uma porta bela, uma porta de amor, é uma porta que não nos engana, não é falsa. Sempre diz a verdade. Mas com ternura, com amor. Mas sempre temos aquilo que foi a origem do pecado original, não? Queremos ter a chave de interpretação de tudo, a chave e o poder de fazer a nossa estrada, qualquer que ela seja, de encontrar a nossa porta, qualquer que ela seja."

"Às vezes temos a tentação de ser por demais donos de nós mesmos, e não humildes filhos e servos do Senhor", afirmou Francisco:

"E essa é a tentação de buscar outras portas ou outras janelas para entrar no Reino de Deus. Somente se entra no Reino de Deus por aquela porta que se chama Jesus. Somente se entra por aquela porta que nos leva a uma estrada que é um caminho que se chama Jesus, e nos leva à vida que se chama Jesus. Todos aqueles que fazem diferente – diz o Senhor –, que sobem para entrar pela janela, são 'ladrões e brigantes'. O Senhor é simples. Não fala difícil: Ele é simples."

O Papa convidou a pedir "a graça de bater sempre àquela porta":

"Às vezes está fechada: estamos tristes, desolados, temos problemas para bater àquela porta. Não devemos buscar outras portas que parecem mais fáceis, mais confortáveis, mais ao alcance da mão. Sempre aquela porta: Jesus. E Jesus jamais desilude, Jesus não engana, Jesus não é um ladrão, não é um brigante. Deu a sua vida por mim: cada um de nós deve dizer isso: 'E tu que destes a vida por mim, por favor, abre, para que eu possa entrar'." (RL)

(Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2013/04/22/papa_francisco:_os_crist%C3%A3os_s%C3%A3o_humildes,_pobres_e_mansos;_o/bra-685281)

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Segunda, 22 Abril 2013 09:13

As grandes surpresas

Durante semanas, desde o início de 2013, temos sido inundados por extraordinárias novidades eclesiais:

– A renúncia de Bento XVI. Desmistificando assim a imagem do Sumo Pontífice. Na nobreza do gesto, mostrou sua profunda humildade e realismo, como ele nos disse – “Eu cheguei onde eu pude. Sigam a caminhada com um novo Papa! ”

- O conclave de fevereiro chamou alguém lá dos confins da terra. E a nossa Igreja se viu, empurrada pelo Espírito, a considerar-se a si mesma localizada, pela primeira vez, fora da Europa e do Mediterrâneo.

- Os “200 anos de atraso” denunciada pelo Cardeal Martini, pesaram na consciência do último conclave?

Ter presente que:

-Estamos vivendo um tempo de esperança e desejos de reforma. Não se pode perder essa oportunidade histórica por tanto tempo sonhada.

-Os conservadores foram pegados de surpresa e ainda não tiveram suficiente para se articular e lutar de uma forma mais sistemática e eficaz. No entanto, não se deve subestimar que a maioria do episcopado foi cuidadosamente escolhida por João Paulo II e Bento XVI.

O MINI- MAGISTÉRIO DO PAPA FRANCISCO

Ainda é cedo para configurar um novo modelo de Igreja. As dúvidas continuam: as novas sementes que Francisco está lançando, vão germinar? São suficientemente abundantes para permitir sonhar com uma nova colheita, apesar de a terra pisada pela burocracia dos que vão e vêm, o enredo de espinhos da cúria e as áreas de grandes estruturas de pedra e de cimento que estão aí ”para ficar” e não se mover facilmente …? Quanto sobra de terra boa não ressecada pelas decepções, não dominada pelas sementes ruins que foram caindo, século após século?

É verdade que se sente  um ar muito semelhante ao tempo do Concílio. De repente, o mundo inteiro, como nunca tinha sido possível nas últimas décadas, sentiu irromper uma abundância de gestos e mensagens surpreendentes, provenientes da autoridade suprema da Igreja. Estamos diante de um mini-magistério papal que orienta o futuro próximo da Igreja. Resumimos em dez pontos:

1. VOLTAR ÀS FONTES : “EU FUI ESCOLHIDO BISPO DE ROMA”

Desde o primeiríssimo momento em que o novo Papa se apresentou na Sacada de São Pedro, se auto-identificou como o bispo de Roma. Coerência teológica e pastoral. Ele é o “Primus inter pares” (primeiro entre iguais). É ele que também recebe o ministério de Pedro, de confirmar os seus irmãos e irmãs. A identidade papal se revela de corpo inteiro. O mito de um poder sobre todos, se apresenta como um servidor – o primeiro entre iguais – com a responsabilidade de a todos confirmar na fé e continuar a missão de Jesus. Ganha força a Igreja local. Surgem oportunidades privilegiadas para o ecumenismo entre “iguais”, com a ajuda do irmão, que é Bispo de Roma.

ENTÃO: O futuro pede uma leitura inteligente, comunitária e criativa do que estão dizendo os sinais dos tempos, e, ao mesmo tempo, uma constante  retomada de nossas fontes bíblicas, místicas e missionárias, a partir de uma visão menos europeia e mais universal. A Igreja na América Latina, por exemplo, precisa de integrar em sua caminhada atual “o que os seus antepassados lhe ​​legaram” desde Bartolomé de las Casas, Pablo de la Torre, Diego de Medellín, Nóbrega, Anchieta, Helder, Romero, Luciano Mendes, os índios e escravos …, as mulheres anônimas …

2. A PARTIR DO SE QUE TOMAVA COMO PERIFERIA

A Igreja não é Europa, não se reduz a um continente, a uma cultura, a uma geopolítica. São legítimas e necessárias as diferenças teológicas, buscando compreender e comunicar o conteúdo da Revelação. As diferentes línguas, tradições, símbolos,  gestos e músicas potencialmente “litúrgicas”, permitem a uma comunidade expressar e aprofundar a sua fé e seus valores fundamentais.

Nesse processo, as Igrejas locais não são secundárias, ou sucursais de Roma. Em cada uma delas acontece a totalidade da una, santa, católica e apostólica comunidade de Jesus. O que é alcançado em uma delas é patrimônio comum, em razão da comunhão radical que há entre todas elas. As diferenças não são ameaças, mas graças. Neste sentido, Ásia, Oceania, África, América Latina não são apêndices, mas o corpo da Igreja, juntamente com a Europa. Nem mais, nem menos.

3. A IGREJA LOCAL É A PROTAGONISTA

O esquema de pirâmide ainda não foi superado no imaginário pastoral e teológica. Temos um  Papa maravilhoso, que nos inspira e nos ama e um conjunto eclesial, muitas vezes medíocre em seu clero, em seus seminaristas e seus membros que estão deixando a Igreja Católica. A nova imagem do Pastor enche o horizonte eclesial contemporânea. Mas ainda não conseguimos, com igual intensidade e clareza, desenvolver uma comunidade crente.

O ministro, mesmo quando Papa, continua a ser mais importante que o povo de Deus. Negando o que Lumen Gentium diz no capítulo II.

Os bispos do Brasil estão discutindo sobre a paróquia, comunidade de comunidades. Mas as comunidades têm ainda de ser criadas. Não se trata de reunir todas as experiências de grupos existentes e lhes dar o nome da comunidade, mantendo as estruturas paroquiais de sempre.

As igrejas locais devem decidir sobre suas teologias e liturgias com a liberdade de acolher o que as outras experiências ao longo dos séculos conseguiram interpretar e comunicar. Todo nominalismo é desastroso. Sem igrejas menores na base, a paróquia nunca vai ser uma instância de articulação, inspiração e pastoral de conjunto.

4. VISÃO UNIVERSAL E AÇÃO COLEGIADA LOCAL

Foram buscar Jorge M. Bergoglio na Argentina, para ele se tornar o pastor de todos. Já não pertence a um país, a uma ordem religiosa, ou a um movimento. Estritamente falando, não pode haver um papa polaco, alemão ou latino-americano. É o papa, nada mais. Isso é tudo. Ninguém se vai sentir alheio na frente dele. Foi colocada por Deus. Ele é, igualmente, o pastor de todos e de cada um.

Jesus, neste momento, nos deu um novo pastor. Com ele, houve uma sintonia global com essa figura branca de uma pessoa humilde, acolhedora e simples. Não foi a majestade, a manifestação de seu poder, a inteligência, a pompa que conquistou a gente. Rapidamente ele se tornou um ícone de um modelo de igreja que oferece sintonia única com o Jesus que a gente amou, escutou, sentiu, às margens do Mar da Galileia, pelos caminhos da sua terra, trazendo esperança para os mais necessitados, orientando os que buscavam os caminhos de Deus.

Muitos se perguntavam se, através de Bergoglio, também a contribuição da Igreja na América Latina chegava a todo o mundo.

ENTÃO:

Estamos com o dom de um pastor, simples, amável, nobre e com personalidade forte. Ele nos vem presenteando com gestos acompanhado também por palavras,  poucas, mas centrais: misericórdia, perdão, alegria, ir àté às pessoas, caminhar, edificar, confessar, cheiro de povo, discernir, criar, nada de ”carreirismo” ou pompas, e mostrando que poder é serviço …  Se repete o que já se costuma repetir: “Gente simples, em lugares pouco importantes, continuam a causar grandes mudanças” (Provérbio Africano). Mas o importante agora é que os colegas e pastores do baixo clero também sigam seus exemplos no seu espaço local, coerentes com a visão papal que está a ser compartilhada com eles.

5. O NOME QUE É UMA BANDEIRA

Se dar o nome de Francisco é fazer uma declaração de intenções e um programa de vida. É não só deixar os sapatos vermelhos, mas caminhar descalço. Fazer-se povo, “um de nós”, como dizia a gente praça de S. Pedro depois de se encontrar com o pontífice recém-eleito. “Ele vai reconstruir a Igreja”, como aconteceu com São Damião, em Assis.

É urgente relançar o VATICANO II. O que se vislumbrou:

- uma Igreja samaritana, pobre e servidora dos mais necessitados, chegando aos últimos. Com a simplicidade, pobreza e coerência evangélica dos líderes e dos ministros. Comunidade que não se encerre em seus edifícios e estruturas (ou “fique doente”, segundo o Papa Francisco, no discurso de Quinta-feira Santa de 2013). Pastores da Igreja, que “têm o cheiro de povo”, por estarem com ele (idem)

- a pequena Igreja (LG 26), não ao lado dos movimentos, mas como primeira instância eclesial (Med 15,10). Na base da vida, onde os batizados são sujeitos e não meros membros passivos. Fermentos missionários da Boa Nova de Jesus.

- Comunidades presentes onde o Concílio não pôde chegar.

- A mulher com um protagonismo real e eficaz, presente nos ministérios.

- Uma igreja com um coração jovem acolhendo as multidões das novas gerações que já não se sentem saciadas com a mediocridade do consumismo, a vulgaridade sexo irresponsável e sem amor.

6. AS PESSOAS, NÃO O EDIFÍCIO

Nas paróquias e dioceses, estamos quase inteiramente dedicados ao atendimento dos fiéis. Esperando que as pessoas venham até nós, aos nossos edifícios. Esta prática tem se demonstrado não só inadequada, mas desastrosa. A Igreja é, por natureza, itinerante, deve mover-se em direção às direção das periferias.

A paróquia atual tornou-se uma meta de chegada, quando deveria ser ponto de partida. Sofre da síndrome do gueto.

A itinerância da Igreja não pode acontecer se as estruturas eclesiásticas são tão complexas e pesadas que se torna impossível se mover. As  superficiais reformas paroquiais estão traindo as esperanças de uma Igreja missionária. Ao mesmo tempo, se está perdendo a oportunidade histórica de apoiar a proposta das CEBs.

7. A GRAÇA SILENCIOSA

A devoção popular, é a espiritualidade do povo cristão. Ela é particularmente mariana e permanece, apesar de todas as dificuldades que vem encontrando numa sociedade técnica, científica e auto-suficiente. É confundida com esoterismo, rituais cabalísticos, sincretismos religiosos.

Esta fé do povo, que não se separa de gestos de gratuidade e de profunda caridade silenciosa, humilde, perseverante, não depende da presença dos ministros ordenados. Vem sendo passada de geração em geração.

8. MÉTODO: O POVO QUE FAZ TEOLOGIA

Desenvolve uma Teologia ascendente, a partir da vida. Não privilegia uma reflexão que parte dos dogmas para chegar à vida. E que acaba chegando tarde, respondendo a situações que já passaram. Em outras circunstâncias se concentra de tal maneira em salvar a pureza das verdades (o que obviamente é importante), mas descuidando de criar os meios e instrumentos para implementar os valores proclamados. Isto foi o que aconteceu com o Vaticano II que ajustou turbinas poderosas do Boeing 777 na fuselagem dos pequenos DC 3.

9. NICEIA III E VATICANO III (Não mais a atitude de: “ou … ou”, mas a convicção de que tem de ser “, e …e”)

A Igreja não pode ser a apresentação de algo imutável, porque ela é “fermento” , está dentro do mundo. É como uma semente que, sendo coerente com o seu próprio ser, muda continuamente em contato com a terra. Continua sempre em perigo de transformar em verdade imutável ou  em Instituição Divina o que é o resultado de situações históricas.

O Concílio de Niceia I, nos apresenta o mistério de Deus e de Cristo, mas na língua grega. O que mais temos entendido do Deus Inesgotável, ao longo dos últimos 1.700 anos? Isso é o que diria o Concílio Niceia III.

O Vaticano III teria que pegar o que foi plantado pelo Concílio Vaticano II, e começou a se desenvolver ao longo dos últimos 50 anos (Reino de Deus, povo de Deus, Colegiado, Igreja no mundo, teologia das realidades terrenas, liberdade de consciência, ecumenismo, diálogo com as religiões, etc.) e os novos desafios da história da humanidade.

10. O QUE SE ESTÁ PEDINDO DE NÓS A PARTIR DO COMEÇO DO NOVO PONTIFICADO

Não reduzir a Igreja a um Papa extraordinário, identificado com o modo do Jesus histórico. A igreja não é o Papa. Não se trata de uma pessoa, mas da Comunidade.

Somos todos nós, não só um papa dos pobres, simples, evangélico … ele é um ícone de uma igreja pobre e servidora.

Simplificar, deixar a burocracia, as pompas, a ostentação do poder.

Se abrir ao povo, sem elitismo de movimentos, de grupos especiais. O objetivo não é uma nova Igreja, mas um mundo segundo o coração de Deus, família humana pluralista na qual estamos para servir e não para conquistar.

Anunciar o que se vive e se ama. Com um diálogo real e ecumênico, dizendo ao mundo que é possível se aproximar dos diferentes e até mesmo daqueles que eram considerados inimigos.

Perdoar erros, pedir perdão pelos erros históricos, dar credibilidade. O objetivo é o Reino.

Os sujeitos mais importantes: não o clero, mas os pobres, os jovens, a mulher, a comunidade.

O método não tem por objetivo conquistar, dar mais poder ou o monopólio à Igreja Católica.

Estamos em Tempo de salvação.

Padre José Marins

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Cidade do Vaticano (RV) - Na habitual missa que preside todas as manhãs na Casa Santa Marta, onde reside, no Vaticano, Francisco pediu esta manhã que o Espírito leve paz às comunidades cristãs e ensine os fiéis a serem ‘pacíficos’ e a 'não falarem mal dos outros'. Nesta terça-feira, estavam presentes alguns funcionários do Plano de Assistência de Saúde e do Governo central do Vaticano. 

Baseando-se nas leituras do dia, o Papa citou o diálogo entre Jesus e Nicodemos, que não entende como o homem possa “nascer de novo”. Francisco explicou que “nascer de novo” significar nascer do Espírito Santo. “É a vida nova que recebemos no Batismo!” – afirmou, ressalvando que esta vida, no entanto, se deve “desenvolver”, pois “não vem automaticamente”. “É um caminho difícil porque depende principalmente do Espírito, mas também de nossa capacidade de nos abrirmos a seu sopro”.

“Os primeiros cristãos – disse ainda Francisco em sua homilia – viviam na unidade, num só coração e alma... no amor mútuo”, e é esta dimensão que devemos redescobrir: o aspecto da “harmonia na comunidade”, uma virtude que anda “meio esquecida”.

A respeito de “ser pacíficos”, Papa Francisco disse que “o primeiro inimigo deste comportamento são as fofocas”. “Bisbilhotar, fofocar sobre o próximo, criticar (que são coisas do cotidiano, que acontecem também comigo, disse), são tentações do maligno, que não quer que o Espírito traga paz e harmonia às comunidades cristãs”. “Esta luta existe sempre e em todos os lugares: nas paróquias, famílias, bairros, entre amigos... mas esta não é vida nova”. 

Como um mestre, de fé e de vida, o Papa recordou que o comportamento justo para o cristão é “não julgar ninguém, porque o único juiz é o Senhor; ficar calados ou se tivermos que dizer algo, dizê-lo apenas aos interessados, e não a todo o bairro. Este seria um passo adiante, que faria bem a todos nós” – completou. (CM)

(Fonte: Rádio Vaticano - 09/04/2013 - 13:11:05)

 

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Aos estimados Bispos Auxiliares,

ao clero e aos religiosos/as

e a todos os leigos/as da Arquidiocese de São Paulo

 

Nossa Igreja vive momentos de intensa alegria! No segundo dia do Conclave, foi eleito o novo Papa. Francisco é seu nome, em memória de São Francisco de Assis. Até agora, ele era o arcebispo de Buenos Aires, na Argentina. Daqui por diante será o Bispo de Roma e Sumo Pontífice de toda a Igreja Católica. É o primeiro papa não europeu, um papa latino-americano, e também o primeiro papa jesuíta. Tem grande coração de pastor e a escolha de seu nome - Francisco - é muito indicativa: escolha de Deus acima de tudo, simplicidade, fraternidade, amor aos pequenos e pobres, bondade, missionariedade...

 

Alegremo-nos todos! Agradeçamos a Deus pelo novo Pastor universal da Igreja! No Ano da Fé, Deus está nos dando muitos sinais de esperança e chamados para a renovação da nossa fé.

 

Que o Espírito Santo inspire sempre as decisões do novo Papa, fortaleça-o no governo da Igreja, como Pastor universal visível do rebanho do Supremo Pastor. Que nos conforme na fé dos apóstolos e dos santos, como Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Assis.  Nossa Igreja é bonita pelo que tem de divino. Deixemo-nos santificar pelo Santo que nela habita e a conduz.

 

Convido todos a acompanharem com sua intensa oração, desde agora, o papa Francisco. A Missa de inauguração do seu Pontificado será celebrada no dia 19 de março, outro momento significativo: São José é Patrono universal da Igreja. Que ele interceda pelo Papa Francisco e por toda a "família de Jesus" - a Igreja e a humanidade inteira.

 

Deus abençoe e guarde a todos e sua paz e alegria. Até breve, em São Paulo


Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo


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Mensagem de D. Tarcísio Scaramussa, SDB

Vigário Geral


São Paulo, 13.03.2013

Ao clero e ao Povo da Arquidiocese de São Paulo

Caríssimos/as irmãos e irmãs,

 

Francisco é o nosso novo Papa. Recebemos a boa notícia esperada. A alegria habita em nosso coração. Obrigado, Senhor, porque nos destes um novo Papa. Sabemos que nos destes um Papa segundo o vosso coração. Nós renovamos nosso amor à Igreja. Nós amamos e acolhemos o novo Papa com amor de cristãos católicos e com amor de brasileiros, ou seja, amor demonstrado, expansivo, acolhedor.

 

Neste Ano da Fé, recordamos que o Papa é, para a Igreja, sucessor de São Pedro, "perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis" (CIC 882).

 

Professar a fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, e confirmar os irmãos na fé, é a primeira missão do sucessor de Pedro. O evangelista Mateus relata o diálogo de Jesus com seus discípulos. Pergunta-lhes: “quem sou eu para vocês”? Simão Pedro se adianta e responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus então lhe diz: “Feliz és tu, Simão, … porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não poderão vencê-la” (Mt 16,15-18).

 

A segunda missão prioritária é ser expressão do amor de Cristo para com todos, reunir a todos na comunhão para o seguimento do Senhor. “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes”? É a pergunta repetida três vezes por Jesus, antes de entregar-lhe o ministério de pastor do povo de Deus. À resposta, por três vezes afirmativa, o Senhor entregou confiante a

 

Simão o cuidado do rebanho. Depois disse que ele deveria consumar sua vida nesta entrega de amor. “E acrescentou: Segue-me” (Cf. Jo 21,15-19). Na tradição da Igreja, o apóstolo Pedro é modelo na profissão de fé e no amor. O amor é o distintivo dos cristãos, como é ressaltado nos Atos dos Apóstolos: “Vede como eles se amam”. As primeiras palavras do Papa Francisco foram uma forte convocação para a fraternidade!

 

Como decorrência do amor, o Papa é sinal de comunhão e de unidade, daquela unidade querida por Jesus e deixada como um testamento, na última ceia: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

 

São inúmeros os desafios que o Papa deve enfrentar todos os dias em sua missão, mas contará sempre com nosso apoio e oração, e será sustentado pelo Senhor.

 

A Arquidiocese de São Paulo renova sua profissão de fé na Igreja, “una, santa, católica e apostólica”, e manifesta a sua comunhão com a Sé Apostólica.

 

A Virgem Maria, mãe da Igreja, acompanhe o nosso novo Papa, como acompanhou Jesus Cristo e os apóstolos, e com ela, agradecemos cheios de alegria ao Senhor pelo dom de ter um novo Papa na pessoa de Francisco: “A minh'alma engrandece o Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador”.

 

Fraternalmente,

Dom Tarcísio Scaramussa, SDB

Vigário Geral

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