"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Terça, 22 Maio 2012 19:30

Nossa Senhora de Lourdes (Pt I)

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- SANTA BERNADETTE SOUBIROUS -
(1844/1879)

Biografia de Santa Bernadette Soubirous, que conta a aparição de Nossa Senhora de Lourdes.
Biografia tirada do livro A Verdadeira Fisionomia dos Santos.

Primeira Parte

Se não fosse a pobreza, talvez nada disso teria acontecido. Na França do século XIX, no ano de 1858, em Lourdes, uma família precisava de lenha para cozinhar o pouco de alimento que possuía, e para se aquecer. A primogênita da família Soubirous, Bernada, chamada de Bernadette devido a sua estatura pequenina para os seus 14 anos, foi encarregada de ir buscar galhos caídos, juntamente com sua irmã Toinette.

A amiga Jeanne Abadie foi junto com elas, e desceram então pela Ponte Velha, que dava no rio Gave. Chegando lá, o atravessaram para chegar até a outra margem, a fim de recolher alguns gravetos. Mas Bernadette não entrou, ela sofria de asma e há dois anos havia sido vítima da cólera, que quase lhe tirou a vida. De tanto as amigas insistirem, a pequena foi desamarrar seus sapatos para ir junto delas.

Era a manhã do dia 11 de fevereiro, inverno na França, sobretudo naquela região onde ficava a gruta de Massabielle - chamada de “Rocha Velha” pelos moradores locais - quase na fronteira com a Espanha.
Enquanto Bernadette tirava seus sapatos, sentiu um vento forte que chegou a sacudir seu corpo. Para seu espanto quando ela olhou para a natureza ao seu redor, percebeu que as árvores estavam paradas, como se o vento forte, que até fazia ruído, só chegasse até ela. Não deu importância e voltou a tirar as meias, mas o ruído e o vento voltaram e ela então olhou para a gruta.

Na entrada da gruta, estava uma Senhora com um vestido todo branco, um cinto azul e uma rosa amarela sobre cada pé descalço. As rosas eram da mesma cor que a corrente do terço que a Senhora segurava em suas mãos, as contas eram brancas. A mulher estava sorrindo de um jeito doce, e com um gesto através das mãos, chamou Bernadette para chegar mais perto dela.

Bernadette, que neste momento já não podia mais confiar no que seus olhos insistiam em dizer que era verdade, abaixou o rosto, esfregou seus olhos com as mãos e tentou olhar novamente para ver se a alucinação tinha ido embora.

Vendo que a Senhora continuava lá, sorrindo, Bernadette se ajoelhou, pegou seu terço no avental e iria começar a recitá-lo, mas ao tentar fazer o sinal da cruz, não conseguia mais mover a sua mão, estava paralisada de medo. Então a Senhora pegou também o seu terço de contas brancas e fez o sinal da cruz. A partir daí Bernadette perdeu o medo, pegou o seu terço, fez o sinal da cruz e começou a rezar. A bela Senhora a acompanhava, mas apenas declamando o Pai-Nosso e o Glória ao Pai. Ao final do terço, a Senhora fez sinal para que Bernadette se aproximasse mais.

A pequena não se atreveu a chegar mais perto, abaixou o rosto e quando o levantou, tomou mais um susto: a Senhora não estava mais lá.

Logo depois, sua irmã e sua amiga chegaram, com uns galhos e gravetos. Bernadette ainda estava atônita. Pegou um feixe de gravetos e mal sentia seu peso, sua mente e coração estavam ainda tentando entender o que ocorrera. No meio do caminho ia perguntando às duas meninas se elas não tinham visto nada.

Elas responderam que não, mas ao mesmo tempo ficaram curiosas. O quê Bernadette teria visto? A questionaram durante toda a volta, pressionando-a para que contasse. A vidente então, na sua inocência de criança, resolveu contar com a condição de que as duas meninas não contassem a mais ninguém. Feita a promessa ela revelou o que tinha visto.

Bernadette e sua irmã voltaram ao Calabouço, a casa onde a humilde família morava. Na verdade, nem casa era. Calabouço, que ficava na viela das Pequenas Fossas, era uma antiga prisão desativada, pois nem aos prisioneiros tinha condições de abrigar. Suas paredes eram úmidas, tinha grades ao invés de janelas, o teto era baixo e o piso de laje com palha espalhada, para ajudar a conter o frio, e também para servir de cama. De fato, eles não moravam na prisão, seria um luxo ter o Calabouço só para eles. A família de Bernadette morava em uma cela de 15 metros quadrados. Dentro do quartinho tinha apenas duas cadeiras e três camas, foi o que sobrou do tempo em que a família tinha um moinho em Boly. Ao pai, Francisco Soubirous, restava apenas recolher lixo e fazer pequenos trabalhos esporádicos para conseguir algum dinheiro. A mãe, Luísa Soubirous, lavava roupas para as famílias mais prósperas da região. Era tudo o que o casal podia fazer para tentar sustentar seus quatro filhos. Em outros tempos, a família era maior, mas os outros filhos não sobreviveram.

A família Soubirous inteira era analfabeta, por isso mesmo, já com 14 anos, Bernadette ainda não havia feito a Primeira Comunhão, o que nunca a impediu de ter uma fé admirável e uma confiança cega em Deus. Confiança que a ajudou no capítulo que agora estava iniciando em sua vida, logo após retornar da gruta.

Sua irmã, Toinette, não resistiu ao segredo confiado e logo foi contando a sua mãe o que Bernadette disse ter visto. Dona Luísa e o senhor Francisco, pais de Bernadette, ficaram preocupados e a proibiram de retornar à gruta.

A menina, muito obediente, não voltou mais à gruta. No entanto, a imagem da bela Senhora não lhe saía da mente e nem do coração, ela queria muito poder vê-la novamente. Suas amigas também insistiam para ir lá de novo. Dona Luísa, vendo que sua filha estava triste, quase não comia, resolveu deixá-la voltar à gruta, mas com uma condição: além de ir acompanhada de suas amigas, levaria também um frasco de água benta. A recomendação era de que quando a Senhora aparecesse, jogasse a água, se acaso fosse alguma aparição do demônio, a visão certamente desapareceria.

Isso aconteceu na manhã do dia 14 de fevereiro, num domingo. Bernadette e suas amigas chegaram na gruta, e começaram a rezar o terço. Ainda na primeira dezena, a Senhora apareceu novamente a Bernadette, as amigas não conseguiam ver nada, apenas pedras. Bernadette seguiu as recomendações de sua mãe, dizendo: “se a Senhora for de Deus, fique; se for do demônio, vá embora”, e jogou toda a água benta na Senhora, que apenas sorri ao ver o gesto da menina. A vidente se traquilizou, afinal, não era obra do demônio.

As crianças que estavam junto com Bernadette não entendiam nada, apenas ficavam maravilhadas com o seu rosto, que mais parecia de um anjo. Neste dia, a Senhora também não disse nada.

No dia 18 de fevereiro, ela voltou à gruta acompanhada por duas senhoras da vila que achavam que a tal senhora devia ser a alma de uma moça amiga delas, falecida alguns meses antes. De novo a bela Senhora apareceu sorrindo e Bernadette, a pedido das duas senhoras, levou papel e caneta e pediu que a Senhora escrevesse quem ela era e o que ela queria. A isto, a Senhora sorriu docemente e, pela primeira vez, disse algo diretamente para a menina: - Eu não preciso escrever aquilo que quero dizer.

Continuou ainda e fez um pedido a Bernadette: que ela voltasse na gruta nos próximos 15 dias. A menina prometeu que voltaria se seus pais deixassem. A senhora, vendo a menina com medo, lhe disse: “Eu não prometo fazê-la feliz nesse mundo. Mas no próximo, eu garanto”. E disse que gostaria de ver muita gente rezando ali.

Apesar da fragilidade e da obediência, Bernadette tinha uma independência de espírito e uma obstinação muito forte. Naquele dia, logo que chegou em casa, disse à sua família a promessa que fizera à Senhora. Os pais consultaram o padre Pomian, que já acompanhava o caso desde o início, e a madrinha de Bernadette. Ambos acharam que deveriam deixar a menina voltar à gruta nos próximos 15 dias.

No dia seguinte, a mãe e uma tia foram com a menina até à gruta. A vidente levou uma vela acesa. Ao chegar, começaram a rezar o rosário. Logo na terceira Ave-Maria, a Senhora apareceu de novo, sempre do mesmo modo e no mesmo lugar da gruta. No dia seguinte cerca de 30 pessoas a acompanharam. Novamente a aparição acontece, e a Senhora lhe sorri, mas não diz nada, enquanto os demais rezam. No domingo, dia 21, já são milhares de pessoas que a acompanham. Ninguém vê a Senhora, mas todos percebem como a menina fica imóvel, olhando fixo para um ponto, como se estivesse fora de si. As pessoas que a acompanharam começaram a dizer que na gruta alguém está tendo uma visão do Paraíso, e que a Senhora só pode ser a Virgem.

Ao retornar à vila, a polícia estava atrás de Bernadette para interrogá-la sobre o que estava acontecendo. Os pais ficaram muito aflitos e assustados. Os policiais estavam irritados, querendo que ela confessasse que era tudo invenção. A única pessoa calma era a própria Bernadette. Com toda a tranqüilidade, contou tudo aos policiais, reafirmando que era tudo verdade.

No dia 24, a Virgem pediu que fizessem penitência pelos pecadores. O fato de a menina se voltar chorando para a multidão e gritar “penitência, penitência, penitência” assustou a todos. A polícia e algumas autoridades locais fizeram de tudo para que a menina negasse as aparições. Inclusive ameaçaram que algo de mal iria acontecer a ela e à sua família se ela não negasse tudo. Como sempre, ela se manteve firme e calma. A essa altura, depois de várias conversas com seus pais e com o padre Pomian, estes começaram a acreditar que as aparições eram verdadeiras. A menina não tinha medo de nada, nem de ninguém, e todas as vezes que contava as aparições nunca caía em contradição. A história era sempre a mesma em seus mínimos detalhes.

A polícia, então, mudou de tática e tentou desacreditar a família. Começou a espalhar o rumor que era tudo invenção da família e que, muito pobre, queria se aproveitar da crendice popular para ganhar algum dinheiro. Mas esse rumor não tinha credibilidade, pois todos viam que o comportamento de toda a família era o contrário disso. Algumas pessoas piedosas, vendo a grande pobreza da família, lhe ofereciam dinheiro, roupas ou comida. Eles sempre recusavam qualquer presente e instruíram as crianças para nunca aceitar nada de estranhos. A própria Bernadette nunca aceitou nem dinheiro e nem presentes de quem quer que fosse. A polícia investigou se eles estavam recebendo algo e comprovou que, na realidade, recusavam tudo que se lhes queria dar, apesar de sua grande pobreza.

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Ler 79454 vezes Última modificação em Terça, 05 Junho 2012 00:53
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