"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Quinta, 08 Novembro 2012 13:03

Garantir a solidariedade

Aos poucos vai se firmando em novembro uma celebração especial. Trata-se do aniversário da Cáritas Brasileira. Ela foi fundada no dia 12 de novembro de 1956.

Aqueles eram tempos de semeaduras, que se mostraram depois muito oportunas e fecundas.

Basta conferir sua sequência. Em 1948 era fundada a ONU, que de imediato elencou sua "carta de princípios”, os "direitos humanos” a serem reconhecidos e respeitados em todo o mundo.

Em 1952 era criada a CNBB, que comprovou logo sua validade como instituição articuladora da ação da Igreja no Brasil.

Em 1955 era criado o CELAM – o Conselho Episcopal Latino Americano, o primeiro órgão de coordenação continental da Igreja Católica.

Em 1956 era realizado o Tratado de Roma, que se tornaria o embrião da atual Comunidade Européia, que deu feições novas ao velho continente.

Poderíamos encerrar o relato das efemérides importantes daquela década, lembrando o dia 25 de janeiro de 1959, quando João 23 anunciou o Concílio Vaticano II.

Voltamos agora para o dia 12 de novembro, a data que nos ocupa nestes dias.

No Brasil o protagonista de quase todos os eventos eclesiais importantes naquela época era D. Helder Câmara. Ele tomou as providências para fundar aqui no Brasil a Cáritas Brasileira, que passaria a se integrar na rede da Cáritas Internacional.

Para reforçar o significado da data, ultimamente a Cáritas Brasileira tomou duas iniciativas convergentes. De um lado, ampliou o espaço da celebração, propondo a realização anual da "Semana da Solidariedade”, a ser celebrada todos os anos nas proximidades do dia 12 de novembro.

Outra iniciativa, que ainda se encontra na sua fase experimental, é a outorga de um prêmio para projetos sociais que se destacam, por seus objetivos e por sua metodologia participativa.

Trata-se do "Prêmio Odair Firmino de Solidariedade”, a ser conferido ao vencedor do concurso que aos poucos vai motivando os muitos projetos sociais levados adiante por Cáritas Diocesanas, ou por outras instituições parceiras da Cáritas no desenvolvimento de seus projetos sociais.

O prêmio cumpre também outra função, muito grata à Cáritas Brasileira, que é a de recordar, com saudade e admiração, a figura do Odair Firmino, falecido há pouco tempo, e que nos deixou um grande exemplo de devotamento à Cáritas Brasileira.

A Semana da Solidariedade se destina também a suscitar outras iniciativas, que se enquadrem dentro dos objetivos da Cáritas. Em Jales, por exemplo, vai se firmando a tradição da "quermesse da solidariedade”, organizada pela Cáritas Paroquial, em conjunto com diversas outras entidades sociais, que se juntam para a promoção deste evento festivo, mas que ao mesmo tempo serve de oportunidade para arrecadar fundos em benefício dos diversos projetos sociais em andamento.

Assim, aos poucos, a "caridade” vai tendo um espaço garantido, para que a comunidade assegure o compromisso que os primeiros cristãos souberam recomendar com clareza e insistência, quando pediram a Paulo "que não se esquecesse dos pobres”.

Pois é fácil esquecer, se a comunidade não se compromete com projetos bem concretos, que demandam uma atuação sistemática e continua.

A "Semana da Solidariedade” quer garantir que a solidariedade seja assumida como um compromisso de toda a comunidade cristã.

 

Dom Demétrio Valentini

Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira até novembro de 2011

 

 

Fonte: Adital – 08/11/2012

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Quinta, 08 Novembro 2012 10:28

O protagonismo da juventude no Ano da Fé

Estamos vivenciando com toda a Igreja a celebração do Ano da Fé convocado pelo Santo Padre Bento XVI, cuja vivência se estenderá até o mês de novembro de 2013. O objetivo da convocação de todo um ano de celebrações dedicado a esse tema tem por finalidade inserir a temática da Fé numa perspectiva de redescoberta do valor que ela possui, para assim contextualizar a importância da comemoração dos dois grandes acontecimentos celebrados pela Igreja nos últimos anos: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965) e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica.

O Concílio Vaticano II, como sabemos, foi uma sábia e necessária contextualização da Igreja em sua missão de “anunciar a Boa-Nova a todas as nações” (cf. Mc 16,15). Tratou-se de um aggiornamento, no dizer do Beato João XXIII, que promoveu na Igreja uma atualização de seu papel na sociedade, renovando sua pastoral no intuito de realizar melhor sua missão profética no mundo. O Catecismo da Igreja Católica, por sua vez, seguindo os passos do Concílio no tocante à explicitação clara e objetiva do conteúdo do Depósito da Fé, procurou também expor a perene Doutrina Católica, atualizando a linguagem por meio da qual ela é exposta e enfatizando sua essência, bem como iluminando e transmitindo o conteúdo da Fé Cristã frente às questões da atualidade. Deste modo, tanto o Concílio Vaticano II quanto o Catecismo da Igreja Católica tiveram um primordial objetivo: sublinhar a essência da Fé Cristã para melhor testemunhá-la na sociedade contemporânea. O anúncio da salvação em Cristo constitui a essência da Igreja e é por meio dele que ela realiza sua missão de santificar a humanidade.

Será muito importante que aprofundemos o conhecimento de nossa fé tomando em nossas mãos  o youcat, versão jovem do catecismo. Tanto poderia ser estudado na sequência em que foi impresso como através dos temas que as (arqui)dioceses sugerem para cada mês. A juventude é chamada a dar as razões de sua fé. Porém essa fé deve ser vivida intensamente, e com alegria.

Atualmente, percebemos com muita clareza que a nossa sociedade encontra-se gravemente transformada; vivemos em meio a uma mudança radical de conduta, que é fruto da inversão dos valores fundamentais do ser humano e da indiferença à religiosidade, diante da qual a Igreja é novamente chamada a manifestar a resposta cristã diante dos desafios que parecem estabelecer um “divórcio” entre a Fé e a sociedade moderna.

Entretanto, ainda que em meio a este ambiente de transformações, “não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da Fé, todavia vivem uma busca do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo” (Porta Fidei, n. 10). Dentre estas pessoas, sem dúvida a juventude vive intensamente essa busca. Bombardeada pelas ideologias que a sociedade contemporânea difunde e nas quais fundamenta seus valores, a juventude vive essa busca da verdade e do sentido último acerca de si mesmo e do mundo, e em cada jovem ressoa a necessidade de conhecer a si mesmo e de transcender à descoberta do absoluto. Apesar das revoluções e transformações das últimas décadas, tais como a globalização, os progressos sempre crescentes dos meios de comunicação, a liberdade de expressão, e tantas outras mudanças no contexto cultural, permanece sempre viva na juventude a busca pelo que está além de tudo isso, pelo que a preenche de maneira completa, por aquilo que lhe permite vivenciar o absoluto. Aliás, essa busca é de todo o ser humano.

Nesta busca da juventude imersa numa sociedade regida por valores tão contraditórios, aos quais ela termina às vezes por aderir levada pela corrente do relativismo exacerbado, abre-se como outrora aos gentios a porta da Fé (cf. At 14,27), que introduz na vida de comunhão com

Deus e permite a entrada na sua Igreja (cf. Porta Fidei, n.1). Uma vez adentrando por essa porta da fé, o jovem descobre a maravilha deste dom sobrenatural que ela é e inicia a vivência dos frutos de renovação interior que o mesmo dom da fé origina.

O primeiro fruto, certamente, é a resposta para as indagações sobre o sentido último e sobre a verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Em Deus, que é a Verdade, contemplamos a verdade acerca de todas as coisas, pois Ele nos revela a verdade sobre nós mesmos em Cristo Jesus, dando-nos a compreender aquilo que não nos é acessível apenas pela razão. Esta descoberta, em se tratando da juventude, promove um resultado magnífico: o jovem, uma vez pleno do entusiasmo que a própria juventude lhe assegura, ao descobrir a verdade que é Deus, revelada plenamente em Cristo, não a toma apenas para si mesmo, mas vê-se impelido a transmiti-la aos demais jovens e assim a todos que vivem à sua volta. Essa é a experiência dos primeiros cristãos, que uma vez abraçando a Fé, descobriram que Deus é a verdade de todas as coisas e que n’Ele está a resposta para todas as nossas indagações.

Essa experiência de Deus, que leva o jovem a irradiá-la aos demais, é precisamente o segundo fruto que podemos colher ao adentrar a porta da Fé. Ela constitui a finalidade do Ano da Fé, ou seja, o testemunho. Mais do que sempre, testemunhar digna e verdadeiramente a Fé Cristã é uma necessidade dos últimos tempos, pois a nossa juventude tem sede de inovações, e esta sede também é sentida no âmbito da Fé. Disso surge a pergunta que certamente ecoa no coração dos pastores da Igreja, que ecoou nesse Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização que acabamos de celebrar, e que ecoará durante este Ano da Fé: como tornar a Fé uma experiência atrativa para aqueles jovens que ainda não puderam adentrar pela porta da Fé e assim conhecer a Verdade?

O Cristianismo é uma experiência pessoal com Cristo, que se comunica conosco e nos leva naturalmente a comunicar esta experiência, ou seja, a testemunhar a maravilha desse encontro pessoal. Trata-se de transparecer a maravilhosa aventura de crer, de evidenciar, por meio das várias circunstâncias da vida, que Cristo nada nos tira, antes nos doa tudo, e que por isso não é preciso temer a experiência com Ele.

Desta maneira, jovens, Cristo chama cada um de vocês a testemunhá-Lo de modo autêntico, sincero e fiel. Certamente há quem se pergunte como fazê-lo; muitas, pois, são as formas. Em primeiro lugar, na vivência do Ano da Fé, a juventude é chamada a resgatar o valor da família. Atualmente, a vida acadêmica, o engajamento no mercado de trabalho e as demais circunstâncias da vida de nossa juventude terminam por fazer com que tempo algum seja dedicado a estar em família, ao diálogo com os familiares. A família, conforme nos afirmou o Papa Paulo VI, é a “Igreja do Lar”. Dessa maneira, é preciso que a nossa juventude seja a protagonista de um resgate da família, pois vivê-la e manifestar assim sua essência e sua importância é um concreto testemunho cristão.

Não de menor importância é o testemunho da juventude no meio acadêmico e profissional e, por isso, os jovens são chamados a manifestar na escola e na universidade que a Fé Cristã não a tolhe, antes a motiva, pois a investigação acadêmica também é um meio de se chegar à verdade das coisas, e que a alegria de servir a Cristo e viver em comunhão com Ele nos leva a descobrir que os caminhos da ciência em busca do conhecimento têm seu valor, pois são formas de se chegar à Verdade na qual tudo possui razão de existir. De igual maneira, a honestidade e a dedicação próprias de um bom profissional também são um testemunho cristão, uma vez que ao modelo de Cristo, que dignamente desenvolveu uma vida profissional como operário, o cristão é chamado a construir uma sociedade por meio de uma vida profissional digna e autêntica.

Na simplicidade desses testemunhos de autêntica vida cristã, a mensagem de Cristo será evidenciada naturalmente a todos quantos d’Ele necessitam, e assim, a Fé será irradiada não somente como uma experiência meramente pessoal e individual, mas como uma ligação entre o ser humano e Deus, que estabelece uma fraternidade entre todos que por ela se deixam abraçar, renovando e dando sentido pleno à existência e respondendo às indagações mais profundas do íntimo de cada homem e de cada mulher. O protagonismo da juventude nesse testemunho ganha especial relevo à medida que os jovens são a esperança do amanhã e, por isso, uma vez deixados abraçar pela experiência do encontro pessoal com Cristo, irradiam a profundidade dessa experiência, estabelecendo assim uma fraternidade que, centrada no próprio Cristo, constrói uma sociedade transformada pela ação salvífica do Verbo de Deus, o próprio Cristo Jesus.

Em suma, neste Ano da Fé, todos somos chamados a testemunhar de maneira objetiva a Fé Cristã. Todavia, a juventude torna-se a protagonista deste testemunho à medida que nela estão centradas as expectativas acerca do amanhã. Por isso, que cada jovem viva intensamente sua vida cristã e fundamente-a por meio de uma sólida vida espiritual. Deste modo, é imprescindível que a juventude creia firmemente na Santíssima Eucaristia como fonte e ápice da vida cristã, e manifeste essa fé por meio da fiel e ativa participação nas missas dominicais. Que a juventude se reconheça sempre necessitada da misericórdia de Deus e por isso não hesite em reconhecer e recorrer ao Sacramento da Confissão sempre que necessário. E que, sobretudo, manifeste por meio da vida de oração a beleza e a alegria do encontro pessoal com Cristo, do diálogo entre Deus e nós, seus filhos. Assim, quando celebrarmos os grandes momentos deste Ano da Fé, dentre os quais a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013, a Fé Cristã seja testemunhada tão eficazmente nas grandes proporções desse evento quanto o deve ser nas circunstâncias do dia-a-dia.

Nesta perspectiva, tenhamos todos a consciência, sobretudo os jovens, de que somente na amizade com Cristo se abrem de par em par as portas da vida, somente nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana, somente nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Por isso, que a juventude não tenha medo de Cristo! Ele não tira nada, Ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe cem vezes mais.

Que a juventude abra as portas a Cristo, assuma o protagonismo que o Ano da Fé lhe confia e encontre a vida verdadeira e a felicidade sem fim!


Dom Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro(RJ)

Fonte: CNBB – 08/11/2012

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Como anda a causa de beatificação e canonização de dom Luciano Mendes de Almeida, falecido em 27 de agosto de 2006, após ter dirigido a arquidiocese de Mariana (MG) por 18 anos? O atual arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha, pediu à Santa Sé a abertura do processo.

A aprovação da Congregação das Causas dos Santos é o primeiro passo da causa, que continua com a coleta de material pelo tribunal diocesano, que analisa presumíveis milagres e ouve testemunhas.

Mas dom Luciano, entre o povo, já é visto com um santo, e o traço mais marcante de sua personalidade é a caridade. Quem o confirma é dom Geraldo Lyrio Rocha.

“Dom Luciano é uma figura que marca muito a Igreja no Brasil. Ele teve uma atuação que se projetou em toda a América Latina e em muitos países na Europa, especialmente na Itália. Dom Luciano é uma figura admirável pelo brilho de sua inteligência, uma memória prodigiosa, um homem cheio de qualidades, de virtudes, mas sem dúvida alguma, o traço mais marcante de dom Luciano é a caridade. Dom Luciano era um servidor dos humildes, dos pequenos, dos pobres, dos marginalizados. Em São Paulo teve uma atuação muito importante, especialmente junto às crianças e menores. Ele é um dos iniciadores da Pastoral do Menor no Brasil e marcou muito a arquidiocese de Mariana. O clero e o povo de Mariana têm uma profunda veneração por dom Luciano. Um sinal disso é a visitação de seu tumulo, na cripta da Catedral de Mariana, onde há sempre pessoas em oração”, disse dom Geraldo.

“Quando encaminhamos o pedido a Santa Sé para a autorização ao início do processo de beatificação, pudemos contar com o apoio de mais de 300 bispos que subscreveram este pedido enviado à Congregação para as causas dos Santos. Estamos aguardando a resposta, sabemos que estes processos caminham muito lentamente, porque, graças a Deus o número de causas que chega à Congregação é muito grande.... entre estes está esta figura tão querida e tão venerada entre nós: Dom Luciano Mendes de Almeida”, frisou dom Geraldo Lyrio.

O Arcebispo de Mariana está certo de que a santidade de seu predecessor será reconhecida em breve. “Tenho certeza de que este processo vai caminhar muito rapidamente, tenho certeza de que sua fama de santidade já hoje é reconhecida, será também reconhecida pela Igreja oficialmente e nós esperamos ter em breve Dom Luciano proclamado Beato, preparando-se assim para a sua canonização”.

“Seu legado principal é o amor, o amor a todos, indistintamente, sobretudo o amor aos humildes e pequenos; e sua atitude de serviço. Em Mariana se repete muito a frase de dom Luciano 'em que posso lhe ajudar?” Esta frase estava nos seus lábios permanentemente cada vez que se aproximava de alguém, e ainda ecoa em nossos ouvidos, em nosso coração, a última palavra que disse antes de ser sedado e entrar no sono do qual não mais acordou: 'cuidem dos pobres, não se esqueçam dos pobres'. Esta palavra de dom Luciano é levada muito à sério pela arquidiocese de Mariana, especialmente neo empenho que buscamos manter viva esta chama de serviço aos pobres: não se esqueçam dos pobres. E de fato, não podemos nos esquecer daqueles que são os prediletos de Deus”, finalizou o arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha.


Fonte: CNBB 06/11/2012

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Quinta, 01 Novembro 2012 00:13

Formação permanente

Continuam os ecos positivos do Congresso Continental de Teologia, realizado no contexto dos 50 anos do Concílio, e dos 40 anos da publicação do livro do Pe. Gustavo Gutiérrez – Teologia da Libertação - que deu nome à nova reflexão suscitada pelo envolvimento eclesial desencadeado pelo Concílio.

 

Algumas atividades do Congresso ficaram talvez mais discretas, mas não menos importantes.

 

Tais foram, por exemplo, as diversas "oficinas de trabalho”, em torno de temas específicos, refletidos em vista de sua contribuição positiva na caminhada de renovação eclesial suscitada pelo Concílio.

 

Uma das oficinas abordou a estreita relação entre Teologia e Renovação Eclesial. O próprio assunto recolhia de cheio a temática central do Congresso, que recordava exatamente os 50 anos de renovação eclesial suscitada pelo Vaticano II, e os 40 de caminhada da "Teologia da Libertação”.

 

Mas, além da coincidência de datas, os dois temas se entrelaçam muito mais profundamente. A ponto de se constatar que uma verdadeira renovação eclesial precisa do suporte de uma renovada teologia. "Para vinho novo, odres novos”, como sentenciou Jesus.

 

Este é um assunto com incidências pastorais evidentes. Cada Igreja precisa desencadear um processo de reflexão permanente, como parte integrante de sua missão.

 

Esta providência não se limita a momentos esporádicos de "encontros de reflexão”. Mas cada Diocese precisa se tornar uma "escola de formação permanente”, pela maneira como propõe uma caminha de Igreja consciente e participativa.

 

Neste sentido, o Congresso alertou que é preciso ter bem claro que Igreja queremos, e que Teologia queremos.

 

No que se refere à Igreja que queremos, trata-se sem dúvida de uma Igreja que continue a recepção criativa do Concílio, com suas grandes intuições: Igreja Povo de Deus, sacramento do Reino, profética, missionária, servidora, acolhedora, aberta à participação de todos, sem discriminações, samaritana, libertadora, comunitária, ministerial, mais democrática, em permanente processo de conversão pessoal e pastoral, inserida na realidade, assumindo as causas da humanidade, sobretudo dos pobres, sinal de esperança para a juventude, aberta ao ecumenismo e à pluralidade religiosa e cultural, atenta aos sinais dos tempos e aos impulsos do Espírito, defensora da vida.

 

No que se refere à Teologia que queremos, deverá ser uma teologia que dê suporte à Igreja que o Concílio nos propõe, ao alcance das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e aos pequenos grupos; que chegue até as periferias; que atinja também os que moram em apartamentos nas cidades, impregnada da Palavra de Deus; que ajude no discernimento dos sinais dos tempos e ilumine as opções a serem assumidas; que valorize os dons das pessoas e das comunidades, partilhando saberes, que leve a um encontro pessoal e profundo com Cristo. Uma teologia que dê força às experiências de renovação eclesial.

 

Mesmo destinando-se a todas as comunidades, quem mais precisa de formação são as lideranças. O planejamento pastoral precisa incluir momentos específicos de formação dos leigos envolvidos nas diversas pastorais existentes nas comunidades, abertos à atuação na realidade social.

 

Mas quem necessita de um processo de formação mais consistente são os presbíteros, com o cuidado especial de garantir a eles uma formação que os motive e capacite para assumir o seu ministério ordenado com espírito de serviço.

 

Esta é a proposta feita pelo Congresso!

 

 

Dom Demétrio Valentini

Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira até novembro de 2011


Fonte: Adital 01/11/2012

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O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) publicou uma nota em seu site onde desmentiu um suposto suicídio coletivo de indígenas das tribos Kaiowá e Guarani, de Pyelito, no Estado do Mato Grosso do Sul. O CIMI atribui a divulgação da notícia na imprensa e redes sociais a uma interpretação equivocada da expressão “morte coletiva” utilizada em carta divulgada pelos indígenas.

O CIMI esclarece que quando os Kaiowá e Guarani usaram a expressão “morte-coletiva”, que é diferente de suicídio coletivo, se referiam ao contexto da luta pela terra. Isto é, se eles forem forçados a sair de suas terras pela Justiça ou por pistoleiros contratados por fazendeiros, estariam dispostos a morrer todos nela, sem jamais abandoná-la, pois vivos não sairiam do chão de seus antepassados.

Por outro lado, o CIMI esclarece que o suicídio entre os índios Kaiowá e Guarani ocorre, já há algum tempo, sobretudo entre os jovens. Entre 2003 e 2010 foram 555, motivados porém, por situações de confinamento, falta de perspectiva, violência, afastamento das terras tradicionais e vida de acampamento às margens de estradas. Nenhum dos referidos suicídios ocorreu de maneira coletiva, organizada ou anunciada.
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Na íntegra, mensagem de dom Odilo Pedro Scherer, que está em Roma para a 13º Assembleia Ordinária Geral do Sínodo dos Bispos.

A carta foi enviada por ocasião do Dia Mundial das Missões, que será celebrado pela Igreja no próximo domingo.

 

 

 

 

Aos Bispos Auxiliares

Aos Padres, Diáconos, Religiosas/os

A todo o querido povo da Arquidiocese de São Paulo

 

Caríssimos,

 

No próximo Domingo, dia 21 de outubro, a nossa Igreja celebra em todo o mundo a Jornada Missionária Mundial. É um dia especial para lembrarmos que somos um povo de discípulos missionários, enviados a todos os povos para lhes anunciar a Boa Nova da salvação. Temos algo de muito bom a comunicar às pessoas e ao mundo todo!

Aqui em Roma, a Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre “a nova evangelização para a transmissão da fé cristã” está refletindo sobre como renovar a vida e a missão da Igreja. De muitos modos vai sendo lembrado que a missão da Igreja também envolve cada batizado; por isso, um novo impulso missionário da Igreja conta com a participação ativa e generosa de cada membro da Igreja.

Tendo apenas aberto o Ano da Fé para toda a Igreja, o Papa Bento 16, neste Domingo das Missões, vai proclamar “santos” bem 7 missionários! Os Santos são as testemunhas autênticas da fé e os evangelizadores mais eficazes! Uma desse grupo é a Religiosa espanhola Carmen Sallés y Barangueras, Fundadora da Congregação das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino. Elas se dedicam à educação e estão presentes em 16 países; em São Paulo, elas estão na Vila Mariana, onde, por intercessão de Ir. Carmen, aconteceu o milagre que definiu sua canonização. Por isso, também eu estarei celebrando a Missa da canonização com o Papa no próximo Domingo, às 09h30 de Roma.

Neste Domingo das Missões, rezemos todos com fé pelos missionários/as que foram enviados para “áreas de missão”, onde a Igreja ainda está iniciando sua ação E façamos nossa oferta generosa em favor desses missionários nas coletas das celebrações. Tudo o que for recolhido, deverá ser encaminhado logo, como de costume, para as Obras Missionárias da Igreja através da Arquidiocese; peço que os padres e responsáveis pelas Paróquias e Comunidades encaminhem quanto antes o fruto da coleta para suas Regiões Episcopais.

Renovo meu convite para celebrarmos a abertura do Ano da Fé na Arquidiocese de São Paulo no dia 04 de novembro. Será bonito! Eu celebrarei na Catedral da Sé às 11h00 e convido, especialmente, os integrantes de Movimentos, Associações de Fiéis e de Novas Comunidades a participar. Os Bispos Auxiliares abrirão o Ano da Fé numa das igrejas de suas Regiões Episcopais. E os padres farão o mesmo em suas respectivas paróquias.

Por favor, retransmitam esta carta a quantos puderem e convidem o povo para essas celebrações especiais. Deus os abençoe e guarde na sua paz!

 

Card. Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

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Domingo, 14 Outubro 2012 13:47

Teresa, protetora dos professores

Segunda é dia dos professores, pois é festa de Teresa de Avila.

Dia 15 de outubro.

Que ensina esta grande mulher?

Quem foi esta revolucionária espanhola? Quem foi esta verdadeira filha da Igreja?

Uma mulher livre. E capaz de enfrentar dificuldades por sua autonomia e determinação. E uma educadora de mão cheia.

Santa Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus (Gotarrendura, 28 de março de 1515 — Alba de Tormes, 4 de outubro de 1582) foi religiosa carmelita e escritora, famosa pela reforma que realizou na Ordem dos Carmelitas e por suas obras místicas. Foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI.

Um livrinho que marcou sua juventude quando de grave doença foi "O terceiro alfabeto espiritual", do Padre Francisco de Osuna. E também os textos de São Jerônimo.

Como ela mesmo escreve em uma de suas cartas:

"A vuestra escuela, Senor, vengo aprender, y no ensenar. Hablaré con vuestra Majestad, aunque polvo y ceniza y miserable gusano de la tierra. Y diciendo : Mostrad, Senor, en mi vuestro poder, aunque miserable hormiga de la tierra."

Sejamos como minhocas que preparam a terra do conhecimento e como formigas laboriosas que aprendem mais que ensinam para que possamos colocar corretamente o tripé do conhecer: começa por amar os alunos, continua por saber bem nosso ensino e pesquisa e termina por fazer aprender a aprender, ou seja, tudo termina em pergunta e não em respostas prontas. Em curiosidade e humildade diante do que ainda temos a desvelar e agradecimento a Deus por sua bondade. Essa é a verdadeira mestra. Grato, Teresa, protetora dos professores. Sejamos capazes de amar nossos alunos e ser humildes.

Feliz dia dos professores para nós todos que o somos com alegria e profissionalismo.

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Terça, 11 Setembro 2012 05:02

Morreu o profeta do semiárido

Dom José Rodrigues foi o homem certo, no lugar certo, na hora certa. Quando chegou a Juazeiro para ser bispo, a barragem de Sobradinho estava em construção. Então, ele assumiu a sorte dos relocados, depois dos pobres em geral e nunca mudou.

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Terça, 28 Agosto 2012 07:57

Mais um aniversário de Ressurreição

Dom Luciano Mendes de Almeida, o pastor e profeta dos pobres.

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O Arcebispo de São Paulo, com os Bispos Auxiliares desta Arquidiocese, no cumprimento de sua missão pastoral, apresentam as seguintes orientações aos seus fiéis, em vista da participação nas eleições municipais deste ano:

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