"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."

Querido irmão, bispo de Roma e pastor primaz da unidade, Papa Francisco,

Nós, cristãos e cristãs, leigos das comunidades eclesiais de base, agentes de pastoral, religiosos/as, diáconos, padres e bispos, assim como irmãos de Igrejas evangélicas e de outras tradições religiosas. Também tivemos conosco nesse encontro representantes de povos indígenas, quilombolas e ainda irmãos e irmãs, vindos de outros países da América Latina e Caribe, assim como de outros continentes. Todos nós que participamos do 13º Encontro intereclesial das comunidades eclesiais de base queremos expressar ao senhor nosso agradecimento pela bela e profunda carta que nos enviou e foi lida no início desse encontro. Sua carta nos chegou como uma luz a iluminar o caminho, reacendendo em nós a esperança numa Igreja, Povo de Deus.

Aproveitamos a oportunidade para nos unir ao seu esforço por renovar as Igrejas da comunhão católico-romana, de acordo com a teologia e a espiritualidade do Concílio Vaticano II, relidas e atualizadas pelas necessidades do mundo atual e pela urgência de que nós, cristãos, escutemos “o que o Espírito diz hoje às Igrejas” (Cf. Ap 2, 7).

Percebemos que a maioria da humanidade acolhe com gratidão o seu testemunho de homem de profunda simplicidade e que se revela discípulo de Jesus na linha do evangelho. Nós lhe agradecemos por fazer do ministério papal uma profecia contra a economia de exclusão, que hoje domina o mundo e defender os migrantes e clandestinos pobres da África e de outros continentes. Igualmente lhe agradecemos por reconhecer o papel da mulher na caminhada eclesial e esperamos que essa reflexão seja aprofundada.

Aqui em Juazeiro do Norte, CE, diocese de Crato, as comunidades eclesiais de base reafirmam sua vocação, no jeito de ser Igreja das primeiras comunidades e também no espírito das missões populares e das casas de caridade do Padre Ibiapina, do padre Cícero Romão Batista, do leigo José Lourenço, assim como de tantas mulheres santas como Maria Araújo, irmãos e irmãs que nos precederam nesse caminho de sermos Igreja dos pobres e com os pobres, cebs romeiras do campo e da cidade, na comunhão com a Mãe Terra e toda a natureza. Aqui, acolhemos e nos solidarizamos com os povos indígenas, ameaçados no seu direito à posse de suas terras ancestrais e todos os dias vítimas de violência e até de assassinato. Também nos impressionou o relato de extermínio de jovens pobres e negros, em várias regiões do nosso país. E nos solidarizamos com a luta e resistência dos quilombolas e do povo lavrador, ameaçados pelos grandes projetos do Capitalismo depredador do ambiente e injusto para com a maioria da humanidade.

Entre suas palavras e gestos, algo que nos toca muito de perto é o fato do senhor se apresentar como bispo de Roma e primaz da unidade das Igrejas. Essa atitude básica permitirá retomar o reconhecimento que o Concílio Vaticano II fez da plena eclesialidade das Igrejas locais e encontrar a profunda verdade que esse nosso encontro quer expressar, ao se chamar “intereclesial” de Cebs: um encontro de igrejas locais, reunidas a partir das comunidades eclesiais de base e desse modo da Igreja ser. Conte conosco nesse caminho e que Deus o ilumine e o fortaleça sempre.

Despedimo-nos, nos comprometemos de sempre orar pelo senhor e por todas as suas intenções. Pedimos sua bênção apostólica e nos colocamos à sua disposição para vivermos juntos a justiça e a profecia a serviço da vida. Na festa do Batismo de Jesus de 2014.

13º Encontro Intereclesial das CEBs, Juazeiro do Norte, Ceará, 11 de janeiro de 2014.


 (Criado por: Secretariado do 13ª Intereclesial – 11/01/2014)

 

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“Católicos e luteranos podem pedir perdão pelo mal que causaram uns aos outros e pelas culpas cometidas diante de Deus, e invocar “o dom da unidade”; “as dificuldades não faltam e não faltarão e serão necessários, paciência, diálogo, e compreensão recíproca”! Foi o que disse o Papa Francisco, recebendo em audiência nesta manhã, no Vaticano, uma delegação da Federação Luterana Mundial e os membros da Comissão luterano-católico para a Unidade.

“O ecumenismo espiritual constitui a alma do nosso caminho em direção da plena comunhão, e nos permite provar já agora qualquer fruto, ainda que imperfeito”, disse o Santo Padre, acrescentando:

“Na medida em que nos aproximamos com humildade de espírito ao Nosso Senhor Jesus Cristo, estamos certos de nos aproximarmos também entre nós e na medida que invocaremos do Senhor o dom da unidade, podemos estar certos de que Ele nos tomará pela mão e Ele será o nosso guia. É preciso deixar-se tomar pelas mãos do Senhor Jesus”.

O Papa Francisco congratulou-se ainda com o fato de ter sido publicado recentemente, em vista da comemoração dos 500 anos da Reforma, um texto da Comissão luterano-católica para a unidade intitulado “Do conflito à comunhão. A interpretação luterano-católica da Reforma em 2017”.

Olho com profunda gratidão a Jesus Cristo, aos numerosos passos que as relações entre luteranos e católicos deram nas últimas décadas, explicou o Papa, sublinhando que isso foi possível “não só através do diálogo teológico, mas também através da colaboração fraterna em vários âmbitos pastorais e, sobretudo, no compromisso a prosseguir no ecumenismo espiritual.

“Sabemos bem – como várias vezes nos recordou Bento XVI – que a unidade não é primariamente fruto do nosso esforço” – finalizou o Papa Francisco -, “mas da ação do Espírito Santo ao qual é necessário abrir os nossos corações com confiança para que nos conduza pelas estradas da reconciliação e da comunhão”. (SP)

Fonte: Radio Vaticano em 21.10.2013

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Nesta quarta-feira, mais uma vez a Praça S. Pedro ficou lotada para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Antes das 10h, o Pontífice já estava em meio aos fiéis, a bordo do seu jipe, para cumprimentá-los com bênçãos, carinhos e aperto de mãos. Em sua catequese, o Papa falou de mais uma característica da Igreja professada no Credo: a apostolicidade.

Professar que a Igreja é apostólica, explicou Francisco, significa destacar o elo profundo, constitutivo que ela tem com os Apóstolos. “Apostolo” é uma palavra grega que quer dizer “mandado”, “enviado”. Os Apóstolos foram escolhidos, chamados e enviados por Jesus, para continuar a sua obra. Partindo desta explicação, o Papa destacou brevemente três significados do adjetivo “apostólica” aplicado à Igreja.

Em primeiro lugar, a Igreja é apostólica porque está fundada sobre a pregação dos Apóstolos, que conviveram com Cristo e foram testemunhas da sua morte e ressurreição. “Sem Jesus, a Igreja não existe. Ele é a base e o fundamento da Igreja”, recordou o Papa, afirmando que a Igreja é como uma planta, que cresceu, se desenvolveu e deu frutos ao longo dos séculos, mas mantêm suas raízes bem firmes em Cristo.

Em segundo lugar, a Igreja é apostólica, porque Ela guarda e transmite, com ajuda do Espírito Santo, os ensinamentos recebidos dos Apóstolos, dando-nos a certeza de que aquilo em que acreditamos é realmente o que Cristo nos comunicou.

“Ele é o ressuscitado e suas palavras jamais passam, porque Ele está vivo. Hoje Ele está entre nós, está aqui, nos ouve. Ele está no nosso coração. E esta é a beleza da Igreja. Já pensamos em quanto é importante este dom que Cristo nos fez, o dom da Igreja, onde podemos encontrá-Lo? Já pensamos que é justamente a Igreja – no seu longo caminhar nesses séculos, apesar das dificuldades, dos problemas, das fraquezas, os nossos pecados – que nos transmite a autêntica mensagem de Cristo?”

Enfim, a Igreja é apostólica porque é enviada a levar o Evangelho a todo o mundo. Esta é uma grande responsabilidade que somos chamados a redescobrir: a Igreja é missionária e não pode ficar fechada em si mesma.

“Insisto sobre este aspecto da missionariedade, porque Cristo convida todos a irem ao encontro dos outros. Nos envia, nos pede que nos movamos para levar a alegria do Evangelho. Devemos nos perguntar: somos missionários ou somos cristãos de sacristia, só de palavras mas que vivem como pagãos? Isso não é uma crítica, também eu me questiono. A Igreja tem suas raízes, mas olha sempre para o futuro, com a consciência de ser enviada por Jesus. Uma Igreja fechada trai sua própria identidade. Redescubramos hoje toda a beleza e a responsabilidade de ser Igreja apostólica.”

Após a catequese, o Pontífice saudou os peregrinos de língua portuguesa, em especial os fiéis brasileiros de São José dos Campos, Santos e São Paulo. Em polonês, recordou os 35 anos da eleição à Sé de Pedro de João Paulo II.

Fonte: Rádio Vaticano 16.10.2013

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“Fome e desnutrição jamais podem ser consideradas um fato normal ao qual se habituar”: palavras do Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial da Alimentação, celebrado esta quarta-feira, 16.

O Pontífice endereçou sua mensagem ao Diretor-Geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que foi lida em plenária pelo Observador da Santa Sé na FAO, Dom Luigi Travaglino.

No texto, o Pontífice reitera a frase pronunciada em 20 de junho passado, quando definiu a fome como um escândalo e um dos desafios mais sérios para a humanidade:

“Paradoxalmente, numa época em que a globalização permite conhecer as situações de necessidade no mundo, parece crescer a tendência ao individualismo e ao fechamento em si mesmos. Tendência que leva à indiferença – em nível pessoal, institucional e governamental – por quem morre de fome ou sofre por desnutrição. Mas fome e desnutrição jamais podem ser consideradas um fato normal ao qual se habituar, como se fosse parte do sistema. Algo deve mudar em nós mesmos, na nossa mentalidade, nas nossas sociedades.”

Para Francisco, um passo importante nessa direção seria abater as barreiras do individualismo e da escravidão do lucro a todo custo. “Penso que seja necessário hoje, mais do que nunca, educar-nos à solidariedade, redescobrir o valor e o significado desta palavra tão incômoda e deixada de lado e fazer com que ela norteie as escolhas em nível político, econômico e financeiro, nas relações entre as pessoas, entre os povos e entre as nações.”

Só se pode ser solidário de modo concreto, disse o Papa, recordando que esta atitude não se reduz ao assistencialismo, mas deve levar à independência econômica.

Comentando o tema escolhido pela FAO para a celebração deste Dia, “Sistemas alimentares sustentáveis para a segurança alimentar e a nutrição”, o Papa pede uma renovação desses sistemas numa perspectiva solidária, ou seja, superando a lógica da exploração selvagem da criação, protegendo o meio ambiente e os seus recursos.

Mais uma vez, falou da “cultura do desperdício” – sinal da “globalização da indiferença” que leva a sacrificar homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo. Um fruto dessa cultura é o desperdício de alimentos – destino de quase um terço da produção alimentar mundial.

Eis então que “educar-nos à solidariedade significa educar-nos à humanidade: edificar uma sociedade que seja realmente humana significa colocar no centro, sempre, a pessoa e a sua dignidade, e jamais liquidá-la à lógica do lucro”.

Esta educação deve começar em casa, disse Francisco, que é a primeira comunidade educativa onde se aprende a cuidar do outro, do bem do outro, a amar a harmonia da criação e a gozar e compartilhar os seus frutos, favorecendo um consumo racional, equilibrado e sustentável.

“Apoiar e tutelar a família para que eduque à solidariedade e ao respeito é um passo decisivo para caminhar rumo a uma sociedade mais équa e humana”, concluiu o Pontífice, garantindo o empenho e a companhia da Igreja Católica neste percurso.

Fonte: Rádio Vaticano 16.10.2013

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O Papa Francisco recebeu em audiência esta manhã, no Vaticano, os participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização. Entre inúmeras funções, este organismo é responsável por organizar os eventos neste Ano da Fé que a Igreja está vivendo.

O Pontífice resumiu seu discurso em três pontos: a primazia do testemunho; a urgência de ir ao encontro; e o projeto pastoral centralizado no essencial. 

Nova evangelização, disse o papa, significa despertar no coração e na mente de nossos contemporâneos a vida da fé, num tempo em que esta é considerada irrelevante na vida do homem. “A fé é um dom de Deus, recordou o Papa, mas é importante que os cristãos demonstrem vivê-la concretamente, através do amor, da concórdia, da alegria e do sofrimento. O coração da evangelização é o testemunho da fé e da caridade.”

Muitas pessoas se afastaram da Igreja. É errado atribuir as culpas a um lado ou a outro, ou melhor, não é o caso de falar de culpas. Como filhos da Igreja, devemos continuar o caminho do Concílio Vaticano II, espoliar-nos de coisas inúteis e danosas, de falsas seguranças mundanas que sobrecarregam a Igreja e prejudicam sua verdadeira face. 

A crise da humanidade contemporânea, disse ainda Francisco, não é superficial, mas profunda. Por isso, a nova evangelização, enquanto nos chama a ter a coragem de ir contracorrente, só pode usar a linguagem da misericórdia, feita de gestos e de atitudes antes mesmo do que de palavras.

Esses gestos e atitudes levam ao segundo ponto: o dinamismo de ir ao encontro dos outros. “A nova evangelização é um movimento renovado dirigido a quem perdeu a fé e o sentido profundo da vida. A Igreja e cada cristão é chamado a ir ao encontro dos outros, a dialogar com os que não pensam como nós. Podemos ir ao encontro de todos sem medo e sem renunciar à nossa pertença.” 

De modo especial, ressaltou o Pontífice, a Igreja é enviada a despertar a esperança sobretudo onde existem condições existenciais difíceis, às vezes desumanas, onde a esperança não respira. A Igreja é a casa em que as casas estão sempre abertas.

Todavia, advertiu o Papa falando terceiro e último aspecto, todo este dinamismo não pode ser improvisado. Exige um compromisso comum para um projeto pastoral que evoque o essencial, ou seja, Jesus Cristo. 

Não é preciso disperde-se em tantas coisas secundárias ou supérfluas, mas concentrar-se sobre as realidade fundamentais, que é o encontro com Cristo, com a sua misericórdia, com o seu amor e o amar os irmãos como Ele nos amou. Um projeto animado pela criatividade e pela fantasia do Espírito Santo, que nos leva a percorrer novos caminhos, sem nos fossilizar!

Devemos nos questionar como é a pastoral de nossas dioceses e paróquias, disse o Papa, destacando a importância da catequese como momento da evangelização para combater o analfabetismo dos nossos dias em matéria de fé. 

Várias vezes lembrei de um fato que me impressionou no meu ministério: encontrar crianças que não sabiam nem mesmo fazer o sinal da Cruz! Os catequistas desempenham um serviço precioso para a nova evangelização, e é importante que os país sejam os primeiros catequistas, os primeiros educadores à fé na própria família com o testemunho e com a palavra.

Fonte: Rádio Vaticano

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Na oração, devemos ser corajosos e descobrir que a verdadeira graça que nos é dada é o próprio Deus: é o que afirmou o Papa na Missa desta manhã em Santa Marta. No centro da homilia, o trecho do Evangelho em que Jesus destaca a necessidade de rezar com insistência e confiança:

A parábola do amigo importuno, que obtém aquilo que deseja graças à sua insistência, inspirou o Papa Francisco a refletir sobre a qualidade da nossa oração:

Isso nos faz pensar na nossa oração: como nós rezamos? Rezamos assim, por hábito, piedosamente mas tranquilos, ou nos colocamos com coragem diante do Senhor para pedir a graça, para pedir aquilo pelo qual rezamos? (É preciso, ndr) a coragem na oração: uma oração que não seja corajosa não é uma verdadeira oração. A coragem de ter confiança de que o Senhor nos ouça, a coragem de bater à porta … O Senhor diz: “Quem pede, recebe; quem procura, encontra; e quem bate, a porta se abre”. É preciso pedir, procurar e bater.

Quando nós rezamos corajosamente, disse ainda o Papa, o Senhor nos concede a graça, mas também Ele se dá a si mesmo na graça: o Espírito Santo, ou seja, si mesmo! Jamais o Senhor concede ou envia uma graça por correio: jamais! Ele a concede! Ele é a graça! 

O que nós pedimos, disse ainda o Francisco, na verdade é papel que embrulha a graça, porque a verdadeira graça é Ele, que vem para entregá-la. A nossa oração, se for corajosa, recebe o que pedimos, mas também o que é mais importante: o Senhor”.

Nos Evangelhos – observou– “alguns recebem a graça e vão embora”: dos dez leprosos curados por Jesus, somente um volta para agradecer-Lhe. O cego de Jericó encontra o Senhor na oração e louva a Deus. Mas é preciso rezar com a “coragem da fé”, reiterou o Pontífice, levando-nos a pedir também aquilo que a oração não ousa esperar: ou seja, o próprio Deus:

Não façamos a desfeita de receber a graça e não reconhecer Quem a dá: o Senhor. Que o Senhor nos dê a graça de doar-se a si mesmo, sempre, em toda graça. E que nós o reconheçamos, e que o louvemos como aqueles doentes curados do Evangelho. Porque naquela graça, encontramos o Senhor. 

Fonte: Rádio Vaticano 10.10.2013

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Quinta, 26 Setembro 2013 06:29

Uma Cardeal!

O Papa Francisco contempla entre suas reformas a nomeação de uma mulher para cardeal

 

Não se trata de uma brincadeira. É algo que está passando pela cabeça do Papa Francisco: nomear uma mulher para cardeal. Quem o conhece, dentro e fora da Companhia, desde antes de chegar à cátedra de Pedro, garante que o primeiro papa jesuíta da Igreja está chamado a surpreender cada dia não apenas com suas palavras, mas também, e sobretudo, com seus gestos. Está fazendo isso nos primeiros seis meses de pontificado.

A reportagem é de Juan Arias e publicada no jornal espanhol El País, 22-09-2013. A tradução é de André Langer. 

Quem pensa que Francisco, com sua simplicidade de pároco de província, sua linguagem coloquial e seu sorriso sempre nos lábios é um simples ou um ingênuo, engana-se. Este Papa, que não parece Papa, chegou a Roma da periferia da Igreja com um programa bem concreto: mudar não apenas o aparelho enferrujado da maquinaria eclesial, mas também ressuscitar o cristianismo das origens.

O simbolismo de seus gestos começou desde que apareceu na sacada da Basílica de São Pedro, vestido de branco, dizendo-se “bispo” e pedindo às pessoas que estavam na Praça para que o abençoassem. Não perdeu, desde então, um minuto para semear gestos inesperados em seus primeiros meses de pontificado, para espanto de muitos, dentro e fora da Igreja. 

E vai continuar nesta trilha. Por exemplo, com esse plano de nomear uma mulher para cardeal. Ele sabe que a questão feminina dentro da Igreja está sem ser resolvida e que não pode esperar. Deixou isso claro com duas frases lapidares em sua última entrevista à revista La Civiltà Cattolica: “A Igreja não pode ser ela mesma sem a mulher”. Não é apenas uma afirmação. É uma acusação. A frase pode ser lida também da seguinte maneira: “A Igreja ainda não está completa porque nela falta a mulher”.

Francisco considera que resolver a questão da mulher dentro da Igreja já é algo impostergável. 

Como introduzir na Igreja essa peça essencial, sem a qual a Igreja “não pode ser ela mesma”? Disse-o na mesma entrevista: “Necessitamos de uma teologia profunda da mulher”.

E essa teologia, dá a entender o papa, não pode ser construída no laboratório do Vaticano, apadrinhada pelo poder. Ela está sendo construída pelas mulheres dentro da Igreja: “A mulher está formulando construções profundas que devemos enfrentar”, disse. 

Francisco quer resolver esse problema durante o seu pontificado porque está convencido de que a Igreja de hoje está manca e coxa sem a mulher no lugar que lhe corresponderia, que seria nada mais nada menos que aquele que já teve nos inícios do cristianismo, onde exerceu um enorme protagonismo. Pelo menos até que Paulo cunhou sua teologia da cruz e hierarquizou e masculinizou a Igreja.

O papa sabe que para fazer a revolução que tem em mente necessita “ouvir” a Igreja, não apenas a de cima, mas também a de baixo, onde estão sendo realizadas, por parte da mulher, as “construções profundas”. 

Pode haver cardeais que não sejam sacerdotes, basta que sejam diáconos

Ele mesmo poderia, no entanto, abrir caminho com alguns gestos que obrigariam a colocar com urgência o tema da mulher sobre o tapete ou, se preferir, sobre “o altar”. E um destes gestos seria nomear uma mulher cardeal. Impossível? Não. Hoje, segundo o direito canônico, pode haver cardeais que não sejam sacerdotes, basta que sejam diáconos. 

Mas o fato é que a mulher, alguém poderia objetar, atualmente, ainda não pode ser diaconisa, como foi há 800 anos e, sobretudo, nas primeiras comunidades cristãs. Pois essa é também uma das reformas que Francisco tem em mente. Não se trata de nenhum dogma. A mulher poderia ser admitida ao diaconato amanhã mesmo.

Como escreveu Phyllis Zagano, da Universidade de Loyola de Chicago, a maior especialista da Igreja neste tema, “o diaconato feminino não é uma ideia para o futuro. É um tema do presente, para hoje”. E conta que havia abordado o tema com o cardeal Ratzinger, antes de ser papa, e que lhe respondeu: “É algo em estudo”. No pontificado de Bento XVI não se realizou, mas o Papa Francisco poderia acelerar o processo. Atualmente, a Igreja Apostólica Armênia e a Ortodoxa Grega, ambas unidas a Roma, contam com diaconisas. 

Chegada a mulher ao diaconato, já é possível, sem mudar o atual Direito Canônico, fazer uma mulher cardeal com o título de diaconisa. Mais ainda, bastaria mudar a atual lei para permitir que um leigo, e, portanto, uma mulher, possa ser eleita cardeal, já que houve pelo menos dois casos na Igreja em que leigos foram nomeados cardeais: o Duque de Lerma, em 1618, e Teodolfo Mertel, em 1858.

O cardenalato não implica consagração presbiteral nem episcopal; é um cargo de conselheiro do Papa 

O cardenalato não supõe a consagração presbiteral nem episcopal. Os cardeais são conselheiros do Papa e sua função principal é escolher o novo sucessor de Pedro. Há algum inconveniente em que uma mulher possa dar seu voto no silêncio do conclave? Seu voto valeria menos que o de um varão?

Um jesuíta me dizia: “Conhecendo este papa, não teria medo para fazer uma mulher cardeal e até lhe encantaria ser ele o primeiro papa a permitir que a mulher pudesse participar da eleição de um novo papa”.

Quando Francisco, em sua longa entrevista, insiste em que não quer fazer as mudanças precipitadamente e que prefere antes “ouvir” a Igreja, é porque tem essas mudanças, algumas surpreendentes, em mente, talvez bem enumeradas. Quer apresentá-las com o aval não apenas da hierarquia, mas do povo de Deus. 

Com este Papa, como diria Federico Fellini, “La nave va”. Com Francisco, os pilares da Igreja começam a se mover. E muitos começam a tremer. De medo. Dentro, não fora da Igreja. Fora começam a ressoar antes as notas de estupor e até de incredulidade. “Com este papa quase me dá vontade de me tornar católica”, escreveu no sábado uma leitora neste jornal.

Algo se move, e talvez irreversivelmente na Igreja, exatamente no momento em que no mundo laico e político, no campo da modernidade, os relógios parecem ter parado todos ao mesmo tempo.

 

Fonte: www.ihu.unisinos.br/noticias - 25/09/2013

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Os dados do último censo demográfico revelaram uma queda no número de católicos no Brasil. Segundo as estimativas a percentagem caiu de 83,34% para 67,84% nos últimos 20 anos. A questão foi discutida na última assembleia geral da CNBB, em abril deste ano, em Aparecida (SP). Alguns bispos ficaram horrorizados com a notícia. Outros tentaram minimizar os dados, achando que se tratava de "intriga da oposição”. Outros, talvez mais realistas, não se assustaram com os dados do IBGE.

O certo é que não seria necessário esperar estes dados oficiais para nos darmos conta deste fenômeno. Qualquer católico sério, antenado com a realidade, sabe muito bem que sua Igreja perde cada vez mais fiéis. Basta dar uma olhada nas missas, nos grupos, nos movimentos, nas pastorais, para perceber com clareza esta situação. É verdade que alguns templos ainda ficam repletos aos domingos e que alguns padres cantores reúnem milhares de pessoas em seus espetáculos religiosos. Alguns se iludem com isso e pensam piamente que a Igreja Católica ainda é uma força hegemônica. Mas este público é insignificante diante da percentagem de católicos, de modo que se pode afirmar, sem medo de errar, que o número de praticantes é bem inferior aos dados fornecidos pelo IBGE. Se formos fazer a conta na ponta do lápis é possível dizer que os católicos praticantes não superam os dez por cento. Se depois pensarmos na juventude participativa este número deve cair para menos de um por cento.

Porém, o mais interessante nesta história é que a diminuição dos católicos no Brasil coincide com o desmantelo da Igreja da libertação e com a implantação de um regime católico neoconservador. Os católicos vão diminuindo no Brasil na medida em que as comunidades eclesiais de base vão sendo sistematicamente abolidas e substituídas pelos movimentos neopentecostais católicos. O número de católicos começa a cair a partir do momento em que são nomeados bispos mais conservadores, os quais são orientados a sistematicamente destruir todo e qualquer vestígio de Igreja da libertação. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Recife, por ocasião da substituição de Dom Helder Câmara.

A diminuição de católicos coincide com a chegada ao Brasil das redes católicas de televisão e seus programas de apologia ao conservadorismo. Os católicos diminuem enquanto aumenta o número de padres cantores, de padres na mídia e de seminaristas midiáticos, todos eles plugados vinte e quatro horas na internet para "evangelizar” através de meios moderníssimos e velozes. Os católicos diminuem na medida em que na Igreja aparecem e se multiplicam comunidades exóticas com seus trajes medievais e seus costumes estranhos e maniqueístas. A diminuição de católicos não para, apesar de todo o esforço para massacrar a teologia da libertação, punir teólogas e teólogos brasileiros, vestir clericalmente os padres, romanizar as liturgias e tirar do velho baú católico coisas ultrapassadas, arcaicas e mofas.

Alguma coisa deu errada. No final dos anos 1970, quando, com o pontificado de João Paulo II, o neoconservadorismo começa a aparecer, dizia-se que a Igreja da libertação tinha que ser banida porque colocaria em risco o futuro da Igreja Católica no continente latino-americano. Acabaram com tudo aquilo que poderia cheirar a libertação, mas, mesmo com a implantação da neocristandade, o catolicismo murchou. O projeto neoconservador falhou e, com a chegada dele, acelerou-se o encolhimento do catolicismo brasileiro. O tiro parece ter saído pela culatra.

Penso que está na hora da Igreja no Brasil fazer uma séria reflexão. Suas lideranças precisam ser honestas com elas mesmas, admitindo que falharam, acelerando, com seus métodos, o decréscimo dos católicos brasileiros. Elas que tinham tanto medo da teologia da libertação, que a demonizaram e combateram, agora amargam o resultado de suas intervenções. Elas, e não a Igreja da libertação, provocaram a crise do catolicismo brasileiro.

Eu não estou preocupado com o crescimento dos evangélicos. Embora esteja convencido de que muitas igrejinhas evangélicas não possuem nenhuma ossatura de seriedade, penso que Deus tem os seus caminhos. Inclusive ele pode tirar o seu Reino de uma igreja, que se pretende dona dele, para entregá-lo a outra. E se ele entender que o entregará a algum seguimento evangélico, não há quem possa impedi-lo.

O que desejo destacar nesta breve reflexão é o falimento de um modelo de Igreja que foi implantado em nosso país nos últimos anos. Perdeu-se a oportunidade de dar vida a um jeito de ser Igreja, bem mais próximo do Evangelho e da realidade do povo brasileiro. Disso não se pode fugir sem trair a verdade. É preciso que as lideranças admitam isso, se quiserem reverter um pouco a situação atual. Se insistirem em manter o atual sistema eclesiástico, nosso destino será ainda pior do que aquele da velha Europa: uma Igreja infantil, feminil e senil, empoeirada, sem juventude, sem perspectivas, sem vida.

Não faltaram os "sinais dos tempos”, mas boa parte dos dirigentes da Igreja Católica preferiu "não interpretar o tempo presente” (Lc 12,56). Teria sido suficiente, por exemplo, levar a sério quanto disse Paulo VI na exortação apostólica Evangelii nuntiandi. Neste documento, elaborado a partir das indicações do Sínodo dos Bispos de 1974 sobre a evangelização no mundo contemporâneo, o papa, como que profeticamente, previa uma série de vias evangelizadoras bem condizentes e necessárias à Igreja de então. Mas, pelo visto, o projeto evangelizador neoconservador que veio em seguida não deu a mínima atenção ao que o pontífice havia indicado.

Paulo VI, partindo da importância do testemunho, destacava a urgência do indispensáve contato pessoal, "de pessoa a pessoa”. E o contato pessoal não se dá através de uma pastoral de massas, da utilização impessoal da mídia, mas através da multiplicação de redes de pequenas comunidades, nas quais, advertia o papa, as pessoas poderiam preencher o desejo e a busca de relações mais humanas.

O papa afirmava, então, o valor das comunidades eclesiais de base, as quais, de modo particular nas grandes metrópoles, poderiam contribuir eficazmente para a superação da massificação e do anonimato (nº 58). Mas o que fez a maioria das lideranças católicas? Preferiu a pastoral das massas, dos rebanhões, dos espetáculos, nos quais, como tem mostrado a sociologia da religião, prevalece o anonimato e a indiferença. As pessoas pulam, gritam, dançam, mas sem preocupação com "o outro”. Pensam apenas nos seus problemas e na satisfação imediata de suas necessidades e carências. A pastoral de massa não humaniza as relações. Congrega, reúne, mas não une e nem alimenta a solidariedade.

As lideranças, em sua maioria, preferiram suprimir as comunidades eclesiais de base ou as relegaram a um plano secundário, de modo que se pode afirmar que a existência delas no momento atual é fruto do grande milagre da resistência de algumas pessoas. Enquanto isso, os evangélicos seguiam o caminho inverso, abrindo em cada esquina um pequeno templo nos quais as pessoas se encontram não só para rezar ou cantarolar, mas também para reforçar laços de amizade e de apoio mútuo. O calor humano torna-se, de certo modo, "vínculo da ágape”, mantendo as pessoas unidas na comunidade.

Houve também o desmantelo de outros elementos, apontados por Paulo VI como essenciais para a nova evangelização. Pense-se, por exemplo, no retrocesso que se deu no campo do ecumenismo, do diálogo interreligioso, do diálogo com os não crentes e com os não praticantes. Mas se pense igualmente nos retrocessos internos que levaram as pessoas pensantes e mais conscientes a abandonarem definitivamente a Igreja Católica. Parece-me, pois, que já está na hora da hierarquia no Brasil colocar-se diante das várias perguntas sérias levantadas por tantas pessoas. E, como queria Paulo VI, "dar respostas leais, humildes e corajosas, agindo de consequência”.

Fonte: Adital de 10/09/2013

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Cidade do Vaticano (RV) – Mais de 80 mil fiéis lotaram a Praça S. Pedro na manhã desta quarta-feira para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Em sua catequese neste Ano da Fé, o Pontífice falou da Igreja “una”, como confessamos no Credo. Se olharmos para a Igreja Católica no mundo, disse o Santo Padre, descobrimos que ela compreende quase 3.000 dioceses espalhadas em todos os continentes. Mesmo assim, milhares de comunidades católicas formam uma unidade – unidade na fé, na esperança, na caridade, nos Sacramentos e no Ministério. 

“Onde quer que estejamos, mesmo na menor paróquia no ângulo mais remoto desta Terra, há uma única Igreja; nós estamos em casa, somos uma família, estamos entre irmãos e irmãs. E este é um grande dom de Deus! A Igreja é uma só para todos. Não há uma Igreja para os europeus, uma para os africanos, uma para os americanos, uma para os asiáticos, uma para quem vive na Oceania, mas é a mesma em todos os lugares.”

Como exemplo dessa unidade, o Papa então citou a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro: “Naquela multidão sem fim de jovens na praia de Copacabana, ouviam-se falar tantas línguas, se viam tantos rostos com traços diferentes, e mesmo assim havia uma profunda unidade, se formava uma única Igreja”. 

Devemos nos perguntar, disse ainda Francisco, se sentimos e vivemos esta unidade ou “privatizamos” a Igreja para nosso grupo, nossa nação e nossos amigos. “Quando ouço falar de cristãos que sofrem no mundo, fico indiferente ou sinto-o como se sofresse um da minha família? É importante olhar para fora do próprio recinto, sentir-se Igreja, única família de Deus!”

Às vezes, constatou o Pontífice, surgem incompreensões, conflitos, tensões, divisões que ferem a Igreja. “Somos nós a criar dilacerações! E se olharmos para as divisões que ainda existem entre cristãos, católicos, ortodoxos, protestantes... sentimos a fadiga de tornar plenamente visível esta unidade. É preciso buscar, construir a comunhão, educar-nos à comunhão, a superar incompreensões e divisões, começando pela família, pelas realidades eclesiais, no diálogo ecumênico. O nosso mundo necessita de unidade, de reconciliação, de comunhão e a Igreja é Casa de comunhão. Antes de fazer intrigas, um cristão deve morder a própria língua.” 

A unidade da Igreja, porém, não é primariamente fruto do nosso esforço por vivermos de acordo e unidos; o motor desta unidade é o Espírito Santo, que faz a harmonia na diversidade.

“Por isso é importante rezar”, concluiu Francisco: “Peçamos ao Senhor que nos faça cada vez mais unidos e jamais nos deixe ser instrumentos de divisão. Como diz uma bela oração franciscana, que levemos amor onde há ódio, o perdão onde há ofensa, união onde há discórdia”. 

Fonte: Rádio Vaticano 25/09/2013

Publicado em Palavra Viva

"Monsenhor, ma non troppo". Você se lembra do quarto episódio da célebre saga de Don Camillo ePeppone, que narrava a história do vulcânico pároco de Brescello, interpretado por Fernandel, e do prefeito comunista, interpretado por Gino Cervi? Ambos já velhos, estavam prestes a obter uma ansiada promoção, o primeiro ao título de monsenhor, enquanto o segundo estava prestes a se tornar senador. O filme que, na época, alcançou um grande sucesso, hoje, dadas as novas disposições do Papa Francisco, soa um pouco anacrônico.

 

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 12-09-2013. A tradução é deMoisés Sbardelotto.

 

Don Camillo, na Igreja de Bergoglio, nunca alcançaria a honraria tão desejada, porque o título de monsenhor foi congelado. Há meses, a Secretaria de Estado, por ordens superiores, não autoriza mais esses títulos. A decisão estabelecida ainda no primeiro período do pontificado durou até hoje e, provavelmente, permanecerá bloqueada sabe-se por quanto tempo.

Alguns dizem que se trata de uma medida temporária, e não uma revogação tout court, provavelmente à espera do entendimento de como reformar a Cúria e os seus escritórios, segundo critérios de sobriedade e simplicidade, varrendo privilégios e títulos que parecem ser altissonantes aBergoglio e um pouco fora do tempo.

A Igreja do futuro, repetiu Francisco várias vezes, deve ser povoada por padres não clericalizados, párocos não carreiristas, pastores atentos às periferias existenciais e aos que se afastaram. Uma das expressões mais coloridas usadas por Francisco para dizer que os párocos devem voltar ao essencial, ao testemunho, é que eles devem evitar "colocar bobes nas ovelhas". Nessa perspectiva eclesial, é difícil não rever também os títulos honoríficos dos monsenhores que antigamente eram atribuídos na França ao Delfim e aos herdeiros do trono e que, depois, passaram para a corte pontifícia durante a estadia em Avignon, no início do século XIV. Em suma, monsenhor ma non troppo.

Esse título, antes de 1968, também era concedido a todos os prelados pertencentes à Capela e à Família pontifícias, e, depois da reorganização geral da Casa Pontifícia desejada por Paulo VI com o motu proprio Pontificalis domus, têm direito de se chamar assim os protonotários apostólicos, os prelados de honra de Sua Santidade e os capelães de Sua Santidade.

Teoricamente, qualquer eclesiástico pode obter o título, basta apenas que o bispo diocesano promova a prática emRoma, explicando os méritos do pároco.

Revisão

A prática chega a um escritório da Secretaria de Estado encarregada do setor. Se as cartas forem aprovadas, elas passam para a assinatura do papa. Outro caminho, mais curto, para se tornar monsenhor, é ser nomeado diretamente pelo pontífice, sem passar pelo bispo.

Todos os anos, o Vaticano "produz" diversas centenas de monsenhores. Atualmente, o congelamento estendido a todas as dioceses não vale, porém, aos membros do corpo diplomático, os únicos que foram agraciados pelas novas disposições, que continuam se tornando monsenhores entre as queixas gerais por causa da disparidade, embora se trate de números contidos. O título é bastante ambicionado, dado que permite usar a veste filetada durante as cerimônias. É chique.

Um dos primeiros bispos que se adequou ao novo curso foi o patriarca de Veneza, Moraglia, que avisou os seus padres que reservaria o título de "monsenhor" somente aos sacerdotes que receberam uma honraria diretamente do papa. Todos os outros terão que se contentar com o "padre". Moraglia explicou que se trata de "uma rigorosa revisão" que se encaixa no espírito de Francisco.

Fonte: www.ihu.unisinos.br/noticias de 15/09/2013

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