"Bernadette perguntou três vezes o nome da Senhora, que sorrindo e unindo suas mãos sobre o peito respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição."
Sexta, 01 Junho 2012 13:23

História [Jubileu de Ouro] 1926 - 1976

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Um acontecimento histórico para Vila Regente Feijó (hoje considerada Água Rasa), iria marcar a vida desse bairro, então, contando com esparsos moradores...

29 de junho de 1926

O lançamento da “Pedra Fundamental” da Capela de N. Sra. de Lourdes, à Av. Regente Feijó, esquina com a Rua Zulmira de Queiroz (hoje R. Aureliano Lessa), em cerimônia presidida pelo então Vigário da Paróquia de N. Sra. do Bom Parto, Pe. Nicolau Simon, à qual ficaria subordinada.

Contava essa cerimônia, com a presença de um grupo de moradores do bairro, dentre os quais se destacavam o doador do terreno, Sr. José Maria Cardoso, Sr. Gustavo Balbino da Silva, Sr. Abílio de Souza, Sr. Alcides Vargas, Sr. Joaquim Marques, Sr. João Lombelo, Sr. José Thomaz, todos com suas Exmas. Esposas e ainda Dna. Olímpia Vargas e suas filhas Almerinda Vargas e Hilda Vargas Arneiro, que logo mais iriam integrar a “Comissão Construtora da Igreja”, devidamente empossados pelo Sr. Vigário, no mesmo ato.

Dentre as cláusulas constantes da “Escritora de Doação”, o doador fizera constar uma, em que era fixado o prazo de 10 anos, a contar da data da doação, para que a igreja fosse entregue ao culto, e uma outra cláusula, em que se estipulava a instalação e funcionamento, também, de uma Escola Paroquial, para a alfabetização das crianças do bairro.

O não cumprimento dessas cláusulas importaria na anulação da referida doação.

Tendo em vista essas exigências (que demonstrava o interesse do doador em se dotar o bairro, no mais breve prazo, de Igreja e Escola) a Comissão Construtora iniciou com o maior entusiasmo a arrecadação de numerário para a construção, primeiro da Capela, que serviria também de Escola e posteriormente da construção da Igreja definitiva ao lado da mesma.

E assim, uma primeira quermesse foi organizada com a doação de prendas feita por diversos devotos (leitões, cabritos, patos, abóboras, etc...) com inúmeras barracas, com “banda de música”, tocando ao ruído de um grande “foguetório” e iluminada por “lampiões de carbureto”, pois não havia, ainda, “luz elétrica” no bairro!

Com a quermesse e inúmeras rifas, foi possível inaugurar a Capela, no dia 11 de novembro do mesmo ano tendo essa inauguração sido marcada com o primeiro batizado no bairro, de um recém nascido, que tomou o nome de José Maria Vargas.

A dificuldade na obtenção de fundos era grande, visto que a  população do bairro, naquela época, era bem escassa, contando com algumas dezenas de casas e muitas chácaras, as quais, tendo como via divisória a Av. Regente Feijó, que se estendia de um lado até a famosa “Barroca Funda” (hoje Vila Diva), Vila Ema e do outro Vila Paris, Paula Souza e Quarta Parada...

Mas, honra seja feita! A fé e a devoção que todos os moradores depositavam em Nª. Sª. de Lourdes fizeram milagres... As famílias, que colaboravam nas diversas atividades da Capela, disputavam entre si a primazia de conseguir maior arrecadação para as obras da Igreja, destacando-se entre elas as famílias Marques, Balbino da Silva, Vieira, Martins e Torres, Souza e Vargas, Casimiro, Bernardo da Paz, Pfister. Monho, Pinto, Fabiano, e outras, cujos nomes, no momento, não nos ocorre, mas que merecem toda a nossa gratidão, pelo muito que fizeram.

O catecismo passou a funcionar, logo após a inauguração da Capela tendo como primeiras catequistas as Srtas. Almerinda Vargas, Maria Vieira e Augusta (hoje Irmã Vicentina), contando com um número apreciável de crianças com boa freqüência. E uma tradição começou a se formar: A festa de Natal, para a criançada, com distribuição de pequenos presentes aos mais assíduos, precedida de uma apresentação teatral, com recitativos e cânticos, no desempenho das próprias crianças... e ensaiados pela Srta. Almerinda. E isso era motivo de alegria e orgulho, para todos os participantes.

Uma curiosidade: As missas dominicais eram celebradas de 15 em 15 dias e como Dna. Olímpia Vargas era a “depositária” da chave da Capela, logicamente, além da incumbência de mostrar a Capela, para visitantes, era em sua casa, à Av. Regente Feijó, que se servia o café para o sacerdote celebrante, que nesses idos tempos, era obrigado a celebrar em jejum absoluto... E lá fizeram seu desjejum, os Padres Nicolau, Bernardo, José, Jorge, Francisco Bierman, Lino e por último o Pe. Walter Bonten, que por sinal, foi o primeiro vigário, quando da elevação da capela a paróquia, anos mais tarde...

Nesse ínterim, desde 1930, entrou em atividade, com aproximadamente 40 alunos, a “Escola Particular N. Sra. de Lourdes”, tendo por professora a Srta. Almerinda Vargas. Foi a primeira escola do bairro e durante seu  funcionamento, até 1943 na Capela e posteriormente, até 1946, na residência da própria professora, passaram por seus bancos 683 alunos, crianças deste nosso bairro querido... hoje já adultos e chefes de família!...

Após esse período, a escola N. Sra. de Lourdes passou a ser da  responsabilidade das Irmãs Franciscanas, as quais, com a criação da Paróquia, foram chamadas a colaborar e se estabeleceram inicialmente a Av. Álvaro Ramos.

É de se lembrar, também, que desde a inauguração da Capela, aos domingos à noite e durante os meses de maio, junho e outubro, havia a recitação do terço, pela Srta. Almerinda, com cânticos e a participação de todos os devotos do bairro, que eram convocados, na hora estabelecida, por vibrantes e violentos “toques de sino”, cujo badalo era acionado vigorosamente, pelo “sineiro” Germinal (vulgo Jovenal). E todos acorriam pressurosos, para participarem desses momentos deliciosos de oração, com grande espírito de fé e fraternidade ...

Construída a Capela, foram fundadas as Associações de N. Sra. de Lourdes e da Sta. Infância e em 21.04.1929, fundada também a conferência Vicentina de N. Sra. de Lourdes.

Daí para diante, todos os esforços foram dirigidos para se erigir a igreja definitiva, ao lado da já construída... E as quermesses, com seus “bandos precatórios” percorrendo até bairros distantes, se sucediam, com grande sucesso financeiro, pois que, todos contribuíam com a maior boa vontade, com ofertas de prendas as mais diversas. Era notável a organização da quermesse: O leilão, tendo como leiloeiro o infatigável Sr. Gustavo Balbino da Silva, cuja voz estentórica, se fazia ouvir a apreciável distância, apregoando com ditos espirituosos, as qualidades evidentes ou ocultas das peças leiloadas... E era um prazer ouvi-lo! E as “barracas”: De N. Sra. de Lourdes, de Sta. Terezinha, de São José, do Sagrado Coração de Jesús, o “Bar”, todas sob responsabilidade de distintas e conhecidas famílias, cada uma procurando fazer sobressair a sua, da melhor forma possível. Era um encanto ver as jovens, trajadas caracteristicamente oferecendo os bilhetes de “rifa” pelo meio do povo, que acorria prazeroso a essas festas...

Foi formado também, o Grupo Dramático N. Sra. de Lourdes, “secção masculina” – pois que a feminina já era famosa a essa época – que apresentou lindas interpretações de dramas sacros e comédias populares, que eram a delícia da população do bairro (nesse tempo, não havia ainda, novelas...).

Em novembro de 1933, a apenas dois anos e meio do término do prazo constante da escritura, durante um violento temporal, que assolou São Paulo, uma das paredes construídas da nova igreja, praticamente terminada, desabou até os alicerces, pela força do vento, pondo a perder todo o material empregado, comprometendo, assim, todo o esforço até então feito, e por verdadeiro milagre, não destruindo a casa vizinha, de propriedade de D. Olímpia Vargas.

Mas esse contratempo, não abateu o animo dos responsáveis pela construção, que redobraram os esforços para recobrar o tempo e o material perdidos...

E assim, no dia 1 de junho de 1936, a nova Igreja, com inúmeras simplificações em sua estrutura – para apressar seu término – foi coberta e oficialmente inaugurada, com uma solene cerimônia religiosa, vinte e nove dias antes do término do prazo determinado e constante da escritura de doação!

Estava, pois, cumprida a missão confiada à comissão Construtora: Terminados os prédios da Escola e da Igreja, antes dos 10 anos estipulados!

Agora outra meta e nova batalha despontava...

Era desejo geral, que a nova Capela de N. Sra. de Lourdes fosse elevada à categoria de Paróquia... E foi o  Pe. Francisco Bierman que, com grande entusiasmo iniciou o trabalho de reorganização e vitalização da vida religiosa da nova comunidade, incentivando a Associação de N. Sra. de Lourdes, a Associação de Sta. Infância e o Grupo Dramático N. Sra. de Loudes, os quais com suas atividades aumentadas, criaram condições para, em futuro próximo, ser concretizada essa aspiração.

Com o movimento religioso, em franco desenvolvimento, muitas novas famílias surgiram como participantes ativas: As famílias Sangiovani, Sangineto, Fortunato, Neves, Bento, Afonso, Castro e inúmeras outras, que com sua devoção a N. Sra. de Lourdes e capacidade de trabalho, formaram um núcleo religioso, suficientemente poderoso e autônomo que permitiu a formulação de novas reinvidicações.

Nesse ínterim, Pe. Francisco Bierman, designado para uma paróquia no Brooklin, foi substituído pelo Pe. Lino, que continuou a obra por ele encetada, com entusiasmo.

Entretanto, a semente lançada frutificou e Pe. Lino, chamado para Juiz de Fora, foi substituído pelo Pe. Walter Bonten, que foi designado “Capelão efetivo”. A essa época as missas já eram semanais.

Jovem e entusiasta, Pe. Walter assumiu a liderança de todo o movimento e com esse esforço e mais uma petição dos fiéis a S. Excia. o Sr. Arcebispo de São Paulo, nessa época o sempre lembrado D. José Gaspar de Afonseca e Silva, tivemos a alegria de ver a Capela de N. Sra. de Lourdes, em 1940, elevada à categoria de; Paróquia de N. Sra. de Lourdes, de Vila Regente Feijó, em cerimônia presidida pelo então Vigário Geral Dom Ernesto de Paula.

Como primeiro Vigário da Paróquia, foi nomeado o mesmo Pe. Walter, que vinha desempenhando otimamente as funções de Capelão, e assim a primeira casa Paroquial, se situou a Av. Regente Feijó, 418, de propriedade de D. Olímpia Vargas que a cedeu para esse fim. Realizou-se assim a sonho da população católica do bairro, que se tornara, a esse tempo, um núcleo populacional apreciável e grandemente operante.

Sob a direção do Pe. Walter, e com seu trabalho ininterrupto, foi a Igreja tendo seu acabamento, um tanto rústico, terminado. Pois até altas horas da noite, ficava o incansável Pe. Walter pintando as paredes da parte interna da Igreja  e aprimorando seu arranjo.

Posteriormente, com a melhora financeira, pois o movimento religioso-social foi grandemente aumentado, foi ela sendo dotada de outros melhoramentos indispensáveis: Piso ladrilhos, bancos confortáveis, vitrais, harmonium e uma instalação elétrica definitiva.

Agora, tratava-se de ampliar a área construída, com novas aquisições territoriais...

E, assim, foi adquirida a casa e terreno que dava fundos para a Igreja (do Sr. Valentim) e que passou a servir de “Casa Paroquial” daí por diante, à Rua Aureliano Lessa.

Na parte religiosa, foi fundada a Cruzada Eucarística Infantil, em substituição à Associação da Sta. Infância. E todos os domingos as filas de crianças, de todos os recantos do bairro, precedidas pelas “flâmulas” e suas prestimosas catequistas, passaram a ser tradição no bairro aos domingos...

Fundadas foram também, a Congregação Mariana e a Pia União das Filhas de Maria, e completando o organograma paroquial, a Associação de N. Sra. de Fátima e a Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Na parte material, foram adquiridos o lote de terreno que ladeava a Igreja, à esquerda e posteriormente, também, os que faziam fundo com ela, parecendo, assim, que a Igreja poderia ser ampliada, inteiramente, de acordo com os planos anteriores.

Com seu entusiasmo, procedeu Pe. Walter, a algumas reformas no interior da Igreja, demolindo paredes internas e construindo um “anexo” nos fundos, para comportar a sacristia e salas de reunião e expediente.

E o povo fiel, acorria feliz e fervoroso ao novo templo, com uma freqüência e fervor, que faziam felizes os seus fundadores... e o seu vigário!

Em 1944, Pe. Walter foi designado para outro setor, tendo sido substituído pelo Pe. Theodoro Matessi, o qual, continuou, com ardor, a obra iniciada por Pe. Walter.

Surgia, aos poucos, a idéia da ampliação da Igreja, mas para que a mesma pudesse ser feita, deveria ser adquirido, ainda, o lote lateral direito, que fazia divisa, também, com a propriedade de D. Olímpia Vargas, lote esse sem o qual não seria exeqüível a ampliação pretendida.

O obstáculo, na época, foi a recusa de seu proprietário em vendê-lo. A área então de posse da Igreja era grande, mas sem esse lote não seria possível sua ampliação total.

E dessa forma e em conseqüência, foi tomando corpo o plano de se adquirir uma área maior, em outro local, não distante, que permitisse a construção de um novo Templo, sem as restrições que obstavam a construção deste.

Nesse ínterim, Pe. Theodoro foi substituído pelo Pe. Jorge Gemeider, que permaneceu de 1943 a 1947. Nesse período foi adquirida a primeira área de terreno, no local onde hoje se ergue a atual Igreja de N. Sra. de Lourdes, à Rua João Soares (continuação da Rua Serra de Jairé) e, em 1944, tiveram inicio as bênçãos dadas nos dias 11 a exemplo das realizadas em Lourdes, que Pe. Jorge tivera a oportunidade de presenciar.

E as bênçãos, dadas em todos os dias 11 de cada mês, desde outubro de 1944, tornaram-se tradicionais em São Paulo, mormente após a noticia de uma cura miraculosa de um mal que acometera uma criança de nome Mércia, filha do casal Giusti, fato esse que foi noticiado pela imprensa de São Paulo, na época. E multidões de fieis passaram a acorrer ao Templo de N. Sra. de Lourdes durante o transcorrer desses dias.

Em 1947, Pe. Jorge Gemeider foi substituído pelo Pe. Mathias Wirtz, que teve como coadjutor o Pe. Francisco Folks e foi em sua gestão lançada a pedra fundamental, da nova Igreja, do novo local, em 21.10.1948.

Em 1950, Pe. Mathias foi sucedido pelo Pe. Clemente Dethmar, ao qual coube a missão de construir o novo templo, que teve como marco inicial, a construção da Gruta, para onde convergia, todos os dias 11, a procissão luminosa, que se formava na Igreja da Av. Regente Feijó.

O bairro, já agora bem mais povoado, oferecia boas condições econômicas para a construção de uma grande Igreja e o Pe. Clemente, atirou-se com grande calor a esse objetivo.

Campanhas e mais campanhas se sucederam: “Dos Tijolos”, “Das Tesouras (Madeiramento do telhado)”, “Das Telhas”, “Dos Vitreauxs”, “Dos m2 de ladrilhos”, Dos Sinos”... e finalmente “ Dos Bancos”!

Nas Festividades dos dias 11, então, Pe. Clemente se transformava e se multiplicava no atendimento ao povo: Bênçãos, procissões dentro e fora da Igreja, contando, também, com a colaboração do Dr. Manuel Vitor, que em seus programas radiofônicos e com sua presença nesses dias, convocava o povo a participar dessas cerimônias.

E assim, surgiu anos mais tarde, essa majestosa e linda Igreja, fruto do trabalho humilde de toda a comunidade católica do bairro e também, de fieis de todos os recantos de São Paulo.

Após sua inauguração, em 11.02.1958, formalizou-se a transferência da sede da Paróquia para novo local e as antigas construções, com suas áreas, passaram, por doação, a posse das Irmãs Franciscanas, que se comprometeram a construir ali, o grande colégio que hoje lá se ergue. Fruto de muita luta e trabalho, também por parte delas.

Dessa data para cá muito trabalho, ainda, foi necessário por parte dos que continuaram essa obra, visto que os primeiros, já envelhecidos na luta, foram cedendo seus lugares para os mais jovens...

Em 1962, foi Pe. Clemente substituído pelo Pe. Mathias e este em 1965, Pelo Pe. Germano e a eles coube o acabamento final da Igreja, que se tornou, então uma das mais belas de São Paulo.

Em 1970, Pe. Germano foi substituído pelo Pe. Olívio Fazza e na gestão desses dois sacerdotes, a Igreja ganhou também, outros melhoramentos, dentre os quais, os salões paroquiais e as dependências destinadas ao velório, que foi inegavelmente uma importante aquisição para o bairro!

Eis, pois, certamente com muitas falhas, que se forem notadas peço sejam levadas a conta de lapsos de memória, o histórico resumido dessa nossa Igreja e Colégio que é, também, a história do desenvolvimento deste nosso bairro!

Em setembro 1975, sob a direção do Pe. Danilo, que sucedeu ao Pe. Olívio, comemoramos o Jubileu de Ouro da Paróquia N. Sra. de Lourdes.

 

A história do Jubileu de Ouro transcrita aqui tem como autor Germinal Vargas Arneiro, com data de 29 de Maio de 1976.

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Pastoral da Comunicação
Paróquia Nossa Senhora de Lourdes da Água Rasa

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